A nova disputa do varejo brasileiro pela atenção do consumidor pode acontecer antes mesmo de ele entrar em uma loja virtual. Com o avanço dos agentes de inteligência artificial, programas capazes de executar tarefas em nome do usuário, empresas que passaram anos investindo para aparecer nas primeiras posições do Google agora começam a preparar seus produtos para conquistar espaço nas recomendações de LLMs, os grandes modelos de linguagem, como o Gemini, que organizam respostas e sugerem caminhos ao consumidor.
A mudança desloca o centro da competição digital. Por anos, o esforço das varejistas se concentrou nas estratégias de otimização para mecanismos de busca, cujo objetivo é colocar sites e produtos entre os primeiros resultados das pesquisas. Agora, o desafio passa a ser fazer com que marcas e ofertas sejam interpretados e citados por sistemas de inteligência artificial, que assumem o papel de selecionar alternativas antes que o consumidor veja qualquer link ou vitrine.
Nesse novo cenário, o Google Cloud aposta no chamado comércio agêntico, modelo em que agentes de inteligência artificial passam a participar ativamente da jornada de compra. A empresa tem clientes como Casas Bahia e Mercado Livre e relata projetos em que a inteligência artificial já atua nesse ambiente de consumo, aproximando a tecnologia das operações de grandes varejistas do país.
O movimento evidencia uma transformação estrutural na relação entre lojas e plataformas. Se, no modelo tradicional, a disputa era pelo clique no resultado de busca, no novo jogo a competição ocorre dentro da própria resposta gerada pelo assistente. Para as varejistas, isso significa que a batalha pela visibilidade começa mais cedo, em um momento anterior à visita ao site e à exposição de preços ao consumidor.
O tema foi tratado no Revolução IA, programa de vídeos do NeoFeed dedicado ao impacto da inteligência artificial no mundo dos negócios. A discussão mostra que as empresas brasileiras já percebem que a presença digital, construída ao longo de anos de investimento em posicionamento no Google, precisa ser repensada para um ambiente em quem conversa com o cliente é uma inteligência artificial.
A disputa pelo clique que moldou o comércio eletrônico nas últimas décadas migra agora para o território das recomendações feitas por modelos de linguagem como o Gemini. Com o Google Cloud defendendo o comércio agêntico e varejistas como Casas Bahia e Mercado Livre já envolvidas em projetos com a tecnologia, o próximo capítulo da concorrência no varejo brasileiro tende a ser decidido antes que o consumidor abra qualquer página de loja.