A segunda geração do colar Friend, o polêmico dispositivo de companhia movido por inteligência artificial, chegou ao mercado com uma mudança central: agora ele responde por voz. Segundo a análise publicada pela Wired, porém, a novidade deixou o produto mais barulhento e menos interessante do que a versão original, que se comunicava apenas por mensagens de texto. O lançamento foi anunciado pela empresa por meio de sua nova conta na rede social X, poucos meses depois de a primeira geração ter recebido críticas pesadas da imprensa especializada.
Uma das alterações mais polêmicas do novo modelo está na identidade do companheiro digital. Cada colar sai de fábrica com uma voz e uma personalidade aleatórias já definidas, e o usuário não tem opção de trocá-las. Quem compra o dispositivo fica preso ao amigo artificial que recebeu, sem poder renomeá-lo ou ajustar seu jeito de conversar. O objetivo declarado do produto, no entanto, permanece o mesmo: funcionar como um companheiro digital com quem é possível manter conversas longas ao longo do dia.
O preço também mudou de forma expressiva. Enquanto a primeira versão era vendida por 129 dólares, a nova geração custa 249 dólares e já pode ser adquirida no site oficial da Friend, endereço que o fundador da startup, Avi Schiffmann, de 22 anos, afirma ter comprado por 1,8 milhão de dólares. Além do valor do hardware, existe uma assinatura opcional de 10 dólares mensais, que permite que a inteligência artificial guarde o histórico das conversas por mais de 30 dias.
No aspecto técnico, o Friend é um wearable, ou seja, um dispositivo vestível de inteligência artificial. Trata-se de um disco de plástico liso com pouco menos de cinco centímetros de diâmetro, semelhante em tamanho e aparência a um localizador da Apple, equipado com luzes de LED e um rádio Bluetooth que conecta o acessório ao celular do usuário. Por trás do colar funciona um chatbot na nuvem, um programa de conversação alimentado pelo modelo Gemini 2.5, do Google. Na geração anterior, as respostas chegavam apenas como mensagens de texto no aplicativo que acompanha o produto; agora, o pendente consegue falar de volta com o dono.
A recepção negativa não é novidade para a marca. A primeira versão do Friend foi testada por repórteres da própria Wired ao longo de algumas semanas, e a conclusão foi de decepção, com o dispositivo descrito como um companheiro desagradável de conviver. As críticas da época apontavam respostas sarcásticas e pouco úteis, o que contribuiu para a imagem polêmica do produto, que ficou conhecido por ouvir o ambiente ao redor do usuário e enviar comentários sobre o cotidiano.
Schiffmann, de sua parte, parece ciente do caráter provocativo do projeto. Em conversa com a reportagem, o jovem fundador disse que a realidade perdeu o sentido e que tudo se tornou irônico, sustentando que o Friend é ao mesmo tempo real e ridículo, já que nada mais é levado a sério. Ele também reconheceu que a criação do dispositivo é uma ambição egomaníaca por natureza, explicando que a ideia é que o produto encapsule, de certa forma, a própria pessoa dele e a forma como se sente.
O colar carrega ainda um apelo estético. A corda colorida exibida por Schiffmann no pescoço faz parte de uma coleção de acessórios que, segundo o fundador, deve ser lançada ainda este ano. Os itens prometem dar ao pendente uma aparência mais próxima de uma joia do que de um gadget, em uma tentativa de tornar o dispositivo mais natural no dia a dia de quem o usa.
Apesar das mudanças, o veredito da análise sobre a segunda geração é de que o Friend ficou mais alto, sem necessariamente ter ficado melhor. A adição da voz, que poderia aproximar o produto de uma conversa natural, acabou expondo os limites de um companheiro artificial que não pode ser personalizado e cujo valor subiu quase o dobro em relação ao modelo anterior. Para quem quiser tirar as próprias conclusões, o novo colar já está disponível para compra no site da Friend, com a assinatura opcional de memória estendida como complemento ao preço do hardware.