Meta lança o Muse Wonder, inteligência artificial mais avançada de sua história, com memória entre conversas
A Meta apresentou nesta semana o Muse Wonder e o Muse Wonder Full, novos modelos de inteligência artificial voltados para agentes pessoais e profissionais. Segundo a companhia, os sistemas são os mais poderosos que já desenvolveu e entram na disputa direta com modelos de ponta de rivais como OpenAI e Anthropic. O foco das novidades está em agentes de IA capazes de executar tarefas complexas com memória entre conversas e maior persistência em atividades de múltiplas etapas.
Os modelos foram treinados para lidar com trabalhos que exigem várias etapas, como analisar contratos, desenvolver aplicativos e utilizar navegadores e outros programas. Na prática, a Meta aposta em sistemas que não apenas respondem perguntas, mas operam ferramentas do computador para concluir tarefas completas. O Muse Wonder já está disponível para desenvolvedores, enquanto a versão mais avançada fica restrita aos planos pagos do serviço de programação da empresa.
Memória e persistência são os grandes diferenciais
Uma das principais novidades é o recurso Active Memory, que permite ao modelo guardar informações importantes entre diferentes conversas e recuperá-las em novas tarefas. Isso significa que o agente não perde o contexto quando o usuário inicia um novo diálogo, ampliando sua utilidade em atividades contínuas. O Active Focus, por sua vez, foi desenvolvido para manter o agente trabalhando mesmo diante de dificuldades durante a execução.
De acordo com a Meta, o modelo pode tentar métodos alternativos ao encontrar obstáculos, adaptar o plano conforme surgem novas informações e pedir ajuda ao usuário quando necessário. Antes de executar ações consideradas importantes, o sistema também solicita confirmação da pessoa. Essa camada de cuidado busca equilibrar autonomia e controle em operações sensíveis, como transações e alterações significativas.
Demonstrações mostram o modelo operando computadores
As novas funções se somam à capacidade de operar computadores. Em demonstrações, a Meta mostrou o Muse Wonder usando um navegador e outros aplicativos para criar e encomendar produtos a partir de fotos de um perfil no Instagram. O modelo também foi treinado para programação e consegue dividir um projeto entre subagentes, ou seja, instâncias menores do próprio sistema responsáveis por partes específicas do trabalho. Ele ainda realiza alterações em vários arquivos e segue trabalhando mesmo quando encontra erros.
Esses recursos ampliam as funções do Muse, o agente lançado anteriormente pela Meta, que já conseguia navegar em sites e preencher formulários sozinho. Esse nível de autonomia, contudo, já gerou conflitos. A Amazon bloqueou recentemente o serviço em sua loja após acusá-lo de não se identificar adequadamente enquanto realizava ações, o que evidencia as tensões envolvendo agentes que atuam na internet de forma independente.
Preços e disponibilidade
Para desenvolvedores, o Muse Wonder está disponível ao custo de 4 dólares por milhão de tokens de entrada e 20 dólares por milhão de tokens de saída, algo em torno de R$ 20 e R$ 100 em conversão direta, respectivamente. Tokens são as unidades de texto processadas pelo modelo e servem de base para a cobrança dos serviços de inteligência artificial. Já o Muse Wonder Full, versão mais avançada do sistema, não possui cobrança individual por tokens e fica restrito aos planos pagos do Muse Code, ferramenta de programação da Meta.
Desempenho de ponta, mas com ressalvas
A big tech afirma que o Muse Wonder e o Wonder Full atingem desempenho de ponta em avaliações envolvendo programação, memória e agentes profissionais. A companhia destaca resultados em tarefas longas de desenvolvimento de software e em atividades nas áreas de finanças, saúde e direito. Os números, porém, pedem cautela, já que parte das comparações foi realizada ou selecionada pela própria Meta, o que pode favorecer seus próprios modelos.
Em testes independentes da Artificial Analysis, o Muse Wonder marcou 52 pontos no Intelligence Index, índice que reúne avaliações de raciocínio, programação e outras capacidades, resumindo o desempenho geral em uma única pontuação. O Muse Wonder Full chegou a 56 pontos. Ambos superaram o Muse Spark 1.3, modelo anterior da própria Meta, que registrou 48 pontos, mas ficaram abaixo do Claude Opus 5.5, da Anthropic, que alcançou 58 pontos na medição.
Brasil fica fora do lançamento inicial
Quanto à disponibilização ao público, a Meta afirma que o Muse Wonder chegará "em breve" ao aplicativo Muse, inicialmente para assinantes do serviço. O atendimento, no entanto, continua limitado principalmente aos Estados Unidos e ao Canadá, e não há previsão de lançamento no Brasil. Por aqui, os interessados terão de acompanhar os anúncios da companhia para saber quando o agente estará acessível.
A Meta dá um passo importante na corrida dos agentes de inteligência artificial ao combinar memória persistente, capacidade de persistir em tarefas difíceis e operação direta de computadores. Os modelos superam o antecessor da própria empresa em testes independentes, ainda que não tenham alcançado o topo do ranking, e chegam primeiro a desenvolvedores, com preços competitivos por milhão de tokens. Restam abertas as questões sobre aceitação do mercado, como o episódio com a Amazon demonstrou, e a espera de usuários fora da América do Norte.