A rápida expansão da inteligência artificial pode modificar, extinguir ou aprimorar cerca de 40% dos postos de trabalho no mundo ao longo dos próximos anos, de acordo com estimativas apresentadas pelo Fundo Monetário Internacional durante reuniões conjuntas com o Banco Mundial em Bangcoc, na Tailândia. A entidade econômica global destacou que o avanço tecnológico atua como uma força de transformação gradual com reflexos diretos sobre o emprego, a arrecadação de tributos e a formação acadêmica.

O Fundo Monetário Internacional, organização responsável por monitorar a estabilidade do sistema financeiro internacional e promover a cooperação monetária global, destacou que as transformações já afetam economias desenvolvidas. Nos Estados Unidos, levantamentos iniciais apontam que cerca de 10% das contratações abertas exigem conhecimentos práticos vinculados à inteligência artificial, sinalizando uma reorganização nas qualificações demandadas pelos empregadores.

A diretora-gerente da organização monetária internacional, Kristalina Georgieva, caracterizou esse processo tecnológico como um fenômeno de efeito gradual e contínuo no ambiente profissional. A transferência de renda do trabalho humano para investimentos de capital representa um dos pontos de alerta para gestores públicos, pois pode demandar revisões nas políticas fiscais adotadas pelos governos diante da automação de rotinas operacionais.

FMI alerta que inteligência artificial deve afetar 40% das vagas - Imagem complementar

Enquanto ocupações caracterizadas por tarefas repetitivas enfrentam redução acelerada de vagas, outros segmentos registram aquecimento em decorrência da infraestrutura tecnológica. Setores ligados à construção civil e à operação de centros de dados, instalações físicas estruturadas para abrigar servidores e sistemas de armazenamento de computação, observam aumento na procura por trabalhadores, abrangendo posições com diferentes níveis salariais.

Outro ponto sensível nas discussões envolve as barreiras de entrada enfrentadas por novos profissionais graduados no ensino superior. O presidente de Singapura, Tharman Shanmugaratnam, ressaltou que as posições iniciais de carreira, tradicionalmente destinadas a recém-formados, vêm registrando diminuição na procura corporativa, o que dificulta o ingresso no mercado de trabalho e o desenvolvimento profissional.

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Sem políticas ativas para equilibrar os ganhos da automação, especialistas internacionais alertam que a disparidade econômica entre países desenvolvidos e nações emergentes tende a crescer. O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, observou que modelos computacionais menores, que demandam menos recursos em comparação com grandes modelos de linguagem, podem beneficiar áreas fundamentais nos países em desenvolvimento, incluindo saúde, agricultura e educação.

Paralelamente às preocupações trabalhistas, os investimentos em hardware e sistemas de computação inteligente sustentam o ritmo da atividade econômica no planeta. A liderança do organismo monetário afirmou que o aporte continuado de recursos na infraestrutura dessa tecnologia tem auxiliado na manutenção de uma projeção de expansão econômica mundial próxima a 3%, atenuando restrições decorrentes de limitações energéticas.

Os países asiáticos figuram entre os principais beneficiários imediatos do avanço da demanda por componentes computacionais. Nas economias desenvolvidas da Ásia, os recursos injetados na infraestrutura do setor podem adicionar entre 0,5 e 1 ponto percentual ao crescimento do produto interno bruto, enquanto mercados emergentes daquela região têm projeção de acréscimo de 0,2 a 0,8 ponto percentual.

Países como Estados Unidos, China e Índia concentram fatias estratégicas da produção de componentes e do desenvolvimento de plataformas tecnológicas avançadas. Essa cadeia global também gera impulsos diretos a locais como a Tailândia, que recepcionam delegações governamentais para definir diretrizes regulatórias e econômicas aplicadas à modernização industrial.

Os debates entre as entidades financeiras convergiram para três eixos centrais de atuação pública destinados a conter distorções no mercado. O primeiro pilar foca na capacitação de mão de obra para novas habilidades, o segundo visa proteger as oportunidades de primeiro emprego para jovens formandos e o terceiro busca descentralizar os ganhos gerados pela automação em benefício dos países em desenvolvimento.