Meta é processada nos Estados Unidos por suposto uso de fotos do Facebook e Instagram em sistema de reconhecimento facial
Famílias dos estados de Illinois e Califórnia entraram com uma ação coletiva contra a Meta nos Estados Unidos, acusando a empresa de utilizar fotos públicas de perfis no Facebook e no Instagram para alimentar um sistema de reconhecimento facial ligado aos óculos inteligentes da companhia. A ação foi registrada em corte federal e sustenta que dados biométricos, incluindo chamadas "impressões faciais", foram extraídos dessas imagens para treinar a tecnologia conhecida internamente como NameTag.
De acordo com os autores da ação, as supostas assinaturas biométricas teriam sido obtidas a partir de fotos publicadas em perfis públicos nas duas redes sociais. Essas informações biométricas, conhecidas como faceprints, são representações matemáticas das características únicas do rosto de uma pessoa, usadas para identificar indivíduos em sistemas automatizados. Os autores afirmam que esses dados apareceram no código do aplicativo de inteligência artificial que acompanha os óculos da Meta, recurso batizado de NameTag. Em junho, uma reportagem da Wired revelou trechos de código relacionados ao reconhecimento facial, o que levantou preocupações sobre a possibilidade de identificar pessoas a partir de informações biométricas captadas ou associadas aos óculos.
A ação também destaca uma patente registrada pela empresa que descreve um software capaz de comparar essas assinaturas com fotos de perfis armazenadas em seus sistemas. Os reclamantes ainda associam o caso ao Emu, gerador de imagens por inteligência artificial da Meta. Segundo o processo, esse sistema teria sido treinado com uma grande quantidade de imagens e textos enviados por usuários e, durante esse processo, dados biométricos também teriam sido coletados.
O conteúdo do código encontrado no aplicativo da Meta indicava recursos ligados ao reconhecimento facial, com a capacidade de associar uma assinatura biométrica à foto de um perfil. Andrew Bosworth, diretor de tecnologia da Meta, chegou a descrever publicamente planos relacionados ao recurso, chamando-o de "uma ótima funcionalidade". Poucos dias antes, ele havia classificado como "absolutamente desonesta" a reportagem da Wired que revelou a existência do código. Após a repercussão, a empresa passou a negar que pretendesse disponibilizar a tecnologia ao público.
Em declaração à Wired, a Meta afirmou que a ação não tem fundamento e distorce o trabalho da empresa. Um porta-voz declarou que "temos sido transparentes sobre como usamos as informações das pessoas para criar e melhorar nossos produtos de IA". Sobre o NameTag, a companhia acrescentou que "nada foi disponibilizado aos consumidores e nenhuma decisão final foi tomada sobre o que fazer aqui, se é que será feito algo". A Meta sustenta que o recurso permanece em fase interna e não há definição sobre um eventual lançamento.
O novo processo se soma a outras disputas já enfrentadas pela empresa envolvendo reconhecimento facial. Em 2020, a Meta fechou um acordo de aproximadamente 650 milhões de dólares em uma ação coletiva relacionada a outro sistema de reconhecimento facial usado para sugerir marcações em fotos. Já em 2024, a companhia concordou em pagar cerca de 1,4 bilhão de dólares para encerrar outro processo sobre dados de reconhecimento facial movido no Texas.
Os principais pontos apresentados na ação incluem a coleta de fotos públicas do Facebook e Instagram, a extração de assinaturas biométricas dessas imagens, a presença de código relacionado ao reconhecimento facial no aplicativo dos óculos inteligentes e a possível associação entre impressões faciais e fotos de perfis. O caso reacende o debate sobre os limites do uso de fotos públicas e dados biométricos por sistemas de inteligência artificial, especialmente em produtos voltados ao consumidor final.
Por enquanto, a Meta mantém a posição de que o NameTag não chegou ao público e que nenhuma decisão definitiva foi tomada sobre o futuro da tecnologia. A empresa também afirma que não há um banco universal de reconhecimento facial em construção, mas o processo representa mais uma frente de pressão sobre a companhia em torno do uso de imagens de usuários e informações sensíveis em seus sistemas de inteligência artificial.