Meta lança Muse, agente de inteligência artificial capaz de enviar e-mails, comprar produtos e reservar viagens

A Meta apresentou nesta terça-feira (8) o Muse, um agente de inteligência artificial criado para funcionar como um assistente digital pessoal capaz de utilizar aplicativos e sites de forma autônoma em nome do usuário. O lançamento marca uma das primeiras tentativas de uma grande empresa de tecnologia de levar um agente de IA ao mercado de massa, diferenciando-se dos chatbots tradicionais por executar tarefas por conta própria em vez de apenas responder a comandos.

Muse: o agente de IA da Meta que envia e-mails, faz compras e reserva viagens no seu lugar - Imagem complementar

O Muse pode ser utilizado como um chatbot, por meio de conversas, e também receber instruções para executar diferentes atividades do cotidiano. A ferramenta está disponível por meio de um aplicativo próprio e pelo WhatsApp, plataforma que pertence à própria Meta. O agente pode ser conectado aos demais serviços da empresa, incluindo Facebook e Instagram, e, com autorização do usuário, também pode acessar aplicativos e serviços de terceiros, como Spotify, Ticketmaster, Shopify, Gmail e OpenTable. A integração permite que o Muse utilize informações de diferentes contas para compreender melhor o usuário e executar tarefas em seu lugar.

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Entre as funções já disponíveis estão o envio de e-mails, a reserva de viagens e a realização de compras online. Quando o usuário conecta contas do OpenTable ou Ticketmaster, por exemplo, o Muse pode enviar mensagens sobre reservas de restaurantes ou ingressos para shows que considere relevantes, sendo possível concluir essas atividades com apenas um clique. O sistema também se conecta ao Stripe e ao Shopify para realizar compras em nome do usuário. Segundo a Meta, o Muse é o primeiro agente de inteligência artificial coberto pelas garantias e pela política de devolução do Stripe, proteção criada para situações em que o agente cometa um erro durante uma compra.

A própria empresa reconhece que a tecnologia não é infalível. A Meta afirma que o Muse "às vezes cometerá erros", mas que foi desenvolvido para permitir que o usuário permaneça no controle sem ficar sobrecarregado. A companhia também criou um programa que recompensa pessoas que identificarem e relatarem falhas no funcionamento do agente, incentivando a colaboração da comunidade para o aprimoramento contínuo da ferramenta.

Uma das características que diferenciam o Muse de outros agentes de IA é sua integração com o ecossistema da Meta. A ferramenta pode acessar informações do Facebook e do Instagram e utilizar esses dados para conhecer melhor seus usuários, atuando de maneira mais personalizada. Essa capacidade, no entanto, amplia as preocupações relacionadas à privacidade. A Meta afirma que os dados pessoais coletados pelo Muse, assim como o próprio agente, são armazenados com segurança em seus servidores e equipamentos de computação em nuvem. O Muse também é destinado exclusivamente a adultos, e os usuários podem personalizar a ferramenta com um nome e um avatar próprios.

O Muse é um dos primeiros produtos relevantes voltados ao consumidor desenvolvidos pelo Meta Superintelligence Labs, divisão criada pelo CEO Mark Zuckerberg para acelerar os esforços da companhia na corrida da IA. Zuckerberg já descreveu o Muse como o próximo grande avanço da Meta. Segundo ele, o agente foi desenvolvido para trabalhar "24 horas por dia, sete dias por semana em seu nome" e ajudar o usuário a atingir objetivos e melhorar aspectos como vida pessoal, saúde, relacionamentos e finanças. A Meta vem investindo bilhões de dólares no desenvolvimento de modelos fundamentais de IA e na construção de data centers para competir com empresas como Google, OpenAI e Anthropic.

O agente é alimentado pelo Muse Spark, modelo de inteligência artificial lançado pela Meta em abril, sendo o primeiro modelo desenvolvido pela divisão sob o comando de Alexandr Wang, diretor de IA da empresa. O Muse Spark ainda apresenta desempenho inferior ao de modelos líderes da Anthropic e da OpenAI, mas a Meta trabalha em um sistema mais poderoso, conhecido internamente pelo codinome Watermelon, que pode ser lançado já no próximo mês. A empresa também pretende ampliar as funções do Muse nos próximos meses, com planos de integração com os óculos inteligentes da Meta, que contam com câmera e assistente de voz.

O aplicativo do Muse é gratuito, mas possui limites de utilização. Para ampliar esses limites, os usuários poderão pagar US$ 20 (cerca de R$ 104) ou US$ 100 (cerca de R$ 520) por mês. Com a chegada do Muse, a Meta entra de maneira mais direta em uma categoria de inteligência artificial que promete substituir parte das tarefas atualmente realizadas diretamente pelos usuários, apostando no grau de autonomia do agente como principal diferencial em relação aos chatbots já existentes.