Google aponta que inteligência artificial amplia capacidade de trabalho humano em vez de substituir empregos

Uma pesquisa divulgada pelo Google nesta quinta-feira (23) indica que a inteligência artificial tem sido incorporada ao cotidiano profissional principalmente como um recurso de colaboração, e não como uma tecnologia voltada para eliminar postos de trabalho. O levantamento analisou milhões de interações anonimizadas realizadas por usuários com ferramentas de inteligência artificial da empresa e representa um dos primeiros esforços da companhia para mensurar de forma detalhada como a tecnologia é utilizada por trabalhadores em diferentes regiões.

IA: O Aliado Silencioso do Trabalho Humano - Imagem complementar

O estudo foi elaborado por pesquisadores do Google, incluindo economistas da própria empresa, e avaliou o modo como profissionais nos Estados Unidos e em outras regiões empregam sistemas de IA em suas atividades diárias. A principal conclusão apresentada é que a tecnologia, até o momento, tem ajudado esses profissionais a executar tarefas específicas em vez de assumir integralmente suas funções. A pesquisa surge em meio ao aumento das preocupações sobre os efeitos da inteligência artificial no mercado de trabalho, especialmente depois que empresas atribuíram parte de suas reduções de equipe ao avanço dessas ferramentas.

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De acordo com os pesquisadores, a inteligência artificial já está presente em diversas áreas profissionais, incluindo ocupações que não dependem exclusivamente de formação universitária. Embora trabalhadores de funções mais bem remuneradas utilizem a tecnologia com maior frequência, a adoção também ocorre entre profissionais de áreas técnicas e atividades manuais. Eletricistas e mecânicos, por exemplo, recorrem à inteligência artificial como uma ferramenta prática para solucionar problemas do dia a dia. Esses trabalhadores utilizam recursos como envio de imagens e vídeos para obter auxílio em diagnósticos, uma aplicação que, segundo o estudo, aparece com frequência relevante entre profissionais de ofícios técnicos.

A pesquisa classificou o uso atual da inteligência artificial como superficial na maior parte das ocupações. Isso significa que os trabalhadores aplicam a tecnologia apenas em uma parcela limitada de suas tarefas, sem transferir completamente suas responsabilidades para sistemas automatizados. Para os autores do levantamento, a distinção entre automação e colaboração é fundamental para entender os possíveis efeitos da IA sobre o emprego. Enquanto sistemas automatizados podem substituir determinadas funções, ferramentas colaborativas tendem a ampliar a capacidade dos trabalhadores que já possuem conhecimento especializado.

O economista do Google Scott Strand afirmou que a utilização de inteligência artificial não representa necessariamente a automatização completa de uma profissão. O estudo compara essa dinâmica a equipamentos utilizados para melhorar a precisão de profissionais, situando a IA mais próxima de um instrumento de apoio, como um nível a laser usado por um topógrafo, do que de uma máquina criada para eliminar a necessidade de trabalhadores. A análise também destaca que os profissionais usam a tecnologia principalmente em atividades cognitivas que exigem avaliação humana, situações em que respostas padronizadas não seriam suficientes, pois cada tarefa pode apresentar características diferentes e depender de julgamento individual.

Apesar dos resultados indicarem um papel de apoio da inteligência artificial no presente, os pesquisadores reconhecem que esse cenário pode mudar conforme a tecnologia evolui. Ferramentas mais avançadas podem ampliar sua capacidade de executar atividades atualmente realizadas por pessoas. Outro ponto levantado pelo estudo é o possível efeito sobre trabalhadores iniciantes, questão que não foi respondida de forma conclusiva. A pesquisa não esclarece se profissionais experientes, ao se tornarem mais produtivos com o uso da IA, poderiam reduzir oportunidades de entrada para novos trabalhadores no mercado.

Fabien Curto Millet, economista-chefe do Google, afirmou que o levantamento representa apenas o início de uma linha de pesquisa da empresa sobre a relação entre inteligência artificial e trabalho. Segundo ele, novos estudos devem aprofundar o entendimento sobre os impactos da tecnologia no emprego e na produtividade. Além do ambiente profissional, a pesquisa identificou aplicações domésticas da inteligência artificial. Usuários têm recorrido às ferramentas para acelerar tarefas como organização de documentos governamentais, elaboração de orçamentos familiares e auxílio em reparos residenciais.

Para os pesquisadores, esses ganhos de eficiência no ambiente doméstico dificilmente aparecem em indicadores econômicos tradicionais, como o Produto Interno Bruto, uma medida que reflete a soma de bens e serviços produzidos em um país. Ainda assim, os autores do estudo afirmam que essas aplicações representam uma mudança significativa na forma como pessoas utilizam a tecnologia para resolver atividades do cotidiano. O levantamento, ao combinar dados de uso profissional e doméstico, sugere que a inteligência artificial está se consolidando como uma aliada de trabalhadores e cidadãos, sem que as evidências atuais apontem para uma substituição generalizada de funções humanas.