Chris Olah, cofundador da Anthropic, empresa criadora do assistente de inteligência artificial Claude, participou de um evento no Vaticano no dia 25 de maio de 2026 e defendeu que o desenvolvimento da inteligência artificial não pode ser controlado exclusivamente por um pequeno grupo de grandes empresas de tecnologia. Durante sua fala, Olah alertou que a concentração de poder em IA nas mãos de poucas corporações representa um risco significativo para a sociedade. O evento contou com a presença de líderes religiosos e especialistas de diversas áreas para discutir os impactos éticos e sociais das novas tecnologias.

A Anthropic é uma das principais empresas no setor de inteligência artificial, com sede nos Estados Unidos, e tem se destacado por uma abordagem voltada à segurança no desenvolvimento de modelos de IA. A empresa concorre diretamente com OpenAI, Google e Microsoft no segmento de modelos de linguagem de grande porte. Chris Olah é uma das figuras-chave da organização, com histórico de pesquisa em inteligência artificial e aprendizado profundo, áreas do conhecimento que envolvem o treinamento de redes neurais complexas.

Cofundador da Anthropic alerta sobre concentração de IA nas big techs em evento no Vaticano - Imagem complementar

Um dos pontos centrais da intervenção de Olah foi a preocupação com os impactos da automação no mercado de trabalho. Ele alertou para a possibilidade de desemprego em massa provocado pela adoção de sistemas de inteligência artificial em diversas profissões. O alerta parte de quem está entre os principais responsáveis por construir essa mesma tecnologia, o que confere peso às suas observações.

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O cofundador da Anthropic argumentou que governos, instituições religiosas e organizações da sociedade civil precisam acompanhar de perto o avanço da inteligência artificial. Segundo Olah, a participação de múltiplos atores no debate sobre governança de IA é fundamental para evitar que decisões com consequências globais sejam tomadas por um número restrito de executivos corporativos.

A concentração do poder de IA em poucas empresas levanta questões complexas. Atualmente, o custo de desenvolvimento de modelos avançados de linguagem é extremamente elevado, envolvendo investimentos bilionários em infraestrutura de computação e contratação de pesquisadores especializados. Essa barreira financeira faz com que apenas grandes corporações tenham condições de competir na frente mais avançada da área.

Essa dinâmica cria um cenário em que poucas organizações definem os rumos de uma tecnologia com impacto potencialmente global. Olah reforçou que essa centralização pode aprofundar desigualdades tanto entre nações quanto dentro de cada país. Países em desenvolvimento, por exemplo, tendem a ter pouca influência sobre como as ferramentas de inteligência artificial são projetadas e distribuídas.

A fala de Olah no Vaticano ganha relevância por conta do local e do público presente. A Igreja Católica tem demonstrado interesse crescente em participar das discussões sobre tecnologia e ética, especialmente em temas relacionados ao impacto social de novas inovações. O evento representou mais um momento em que o debate sobre inteligência artificial ultrapassa o ambiente estritamente tecnológico e passa a envolver atores de diferentes esferas da sociedade.

A necessidade de regulação global de inteligência artificial tem sido debatida em diversos fóruns internacionais. A União Europeia aprovou recentemente o AI Act, primeira legislação abrangente sobre o tema, que estabelece classificações de risco e exigências para sistemas de IA. Nos Estados Unidos, a discussão avança de forma mais fragmentada, com ações executivas e propostas legislativas ainda em curso.

No Brasil, o debate sobre governança de inteligência artificial também se intensifica. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, lançado pelo governo federal em 2024, estabelece diretrizes para o desenvolvimento e o uso responsável da tecnologia no país. Projetos de lei sobre o tema tramitam no Congresso Nacional, com propostas que vão desde a regulamentação de sistemas de alto risco até a proteção de direitos autorais no treinamento de modelos.

A participação de um líder de uma das principais empresas de IA do mundo em um evento no Vaticano ilustra o reconhecimento de que os desafios colocados pela inteligência artificial não são exclusivamente técnicos. Questões como desigualdade econômica, impacto no emprego, ética e concentração de poder corporativo exigem respostas que transcendem a capacidade de engenheiros e pesquisadores.

O clamor de Olah por uma governança mais ampla e participativa reflete uma tensão crescente dentro do próprio setor de tecnologia. Por um lado, empresas buscam avançar rapidamente no desenvolvimento de sistemas cada vez mais capazes. Por outro, pesquisadores e executivos reconhecem que os mecanismos de controle social ainda não acompanham a velocidade da inovação.

A discussão sobre quem deve decidir os limites e as prioridades da inteligência artificial tende a se tornar um dos temas centrais da próxima década. Com um mercado estimado em centenas de bilhões de dólares, a disputa entre a lógica de negócios das corporações e o interesse público representará um dos maiores desafios regulatórios já enfrentados.

Enquanto isso, a Anthropic continua avançando no desenvolvimento de seus modelos, posicionando-se no mercado como uma alternativa voltada à segurança e à responsabilidade no uso de IA. A mensagem que Olah levou ao Vaticano reforça a postura da empresa de que o progresso tecnológico precisa vir acompanhado de mecanismos de controle social efetivos e inclusivos.