Em 2026, organizações mais arrojadas vão ampliar suas equipes de agentes de IA distribuídos por funções e áreas. Mas, no meio dessa corrida, surge uma preocupação crucial: como controlar, governar e fazer esses agentes interagirem de forma segura — inclusive em transações comerciais — sem abrir brechas que levem a multas, processos ou crises internas?

Uma evidência desse risco aparece numa previsão da IDC sobre tecnologia empresarial para os próximos cinco anos, publicada em outubro. O relatório alerta que, até 2030, até 20% das empresas da lista Global 1000 poderão enfrentar processos, multas substanciais e demissões de CIOs por conta de episódios de grande repercussão causados por controles e governança inadequados de agentes de IA.

É justamente nesse espaço que Patrick Tobler, fundador e CEO da NMKR — provedora de plataforma de infraestrutura blockchain — está atuando. Tobler lidera um projeto que combina IA agentiva e descentralização para criar mecanismos de confiança e interoperabilidade entre agentes: a Masumi Network.

PUBLICIDADE

Lançada no fim de 2024 a partir de uma colaboração entre NMKR e o Serviceplan Group, a Masumi se apresenta como uma infraestrutura agnóstica a frameworks que “capacita desenvolvedores a construir agentes autônomos que colaboram, monetizam serviços e mantêm confiança verificável”. A proposta é permitir que agentes de diferentes empresas interajam entre si de modo seguro e automatizado.

“A tese central da Masumi é que haverá bilhões de agentes de IA diferentes, vindos de empresas distintas, interagindo no futuro”, explica Tobler. “A parte difícil agora é: como você faz com que agentes de empresas diferentes possam interagir entre si e também transferir dinheiro entre si, através dessas diferentes empresas?”

O executivo usa um exemplo prático para ilustrar: ao organizar uma viagem para participar de uma conferência, seu agente responsável por reservar o hotel poderia comprar uma passagem diretamente do agente da companhia aérea. Para que a experiência e a transação sejam verdadeiramente sem atritos, é preciso que exista confiança implícita entre esses agentes — sem depender de intermediários centralizados.

“A Masumi é uma rede descentralizada de agentes, então não depende de infraestrutura de pagamento centralizada”, diz Tobler. “Em vez disso, os agentes têm carteiras e podem enviar stablecoins de um agente para outro e, por conta disso, interagir uns com os outros de maneira completamente segura e trustless.”

Tobler conta que, após passar muito tempo no universo cripto, percebeu que muitos benefícios desse ecossistema vinham sendo aplicados ao público errado. “Acredito que muitos desses problemas já foram resolvidos no cripto para humanos, e então cheguei à conclusão de que talvez estivéssemos solucionando para o público-alvo errado. Para pessoas, usar cripto, carteiras e blockchains é extremamente difícil; a experiência do usuário não é boa. Mas para agentes, isso não importa — eles simplesmente usam, e é algo muito nativo para eles.” Em sua visão, os desafios de fazer agentes interagirem em larga escala já têm soluções prontas no mundo cripto.

A NMKR começou seu trabalho na blockchain Cardano, e a Masumi foi construída inteiramente sobre essa tecnologia. Tobler participou do AI & Big Data Expo Global como parte do Discover Cardano, e afirmou estar interessado em conversar com empresas que “ouvem muito sobre IA, mas não a usam além do ChatGPT”, para entender suas necessidades e ver como a iniciativa pode ajudar. Segundo ele, esse diálogo com potenciais usuários costuma ser o elemento que falta em muitas startups de tecnologia, que às vezes desenvolvem soluções dentro de suas próprias bolhas em vez de ouvir quem vai usar o produto diariamente.

O Discover Cardano estava presente no AI & Big Data Expo Global, realizado em Londres nos dias 4 e 5 de fevereiro.