Bret Taylor, cofundador da startup de inteligência artificial Sierra, disse nesta quinta-feira (22) que a atual onda de investimentos em IA “provavelmente” configura uma bolha, alimentada tanto por capital mais criterioso — o que ele chamou de “dinheiro inteligente” — quanto por aportes menos seletivos, o chamado “dinheiro burro”, destinados a empresas que atuam em diferentes camadas do setor de tecnologia.
A declaração foi feita em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, em entrevista à CNBC. Taylor, que também preside o conselho da OpenAI, afirmou ser otimista quanto ao potencial da tecnologia, mas ressaltou que o mercado terá de separar onde está o valor real e quais players poderão se consolidar ao longo do tempo.
Correção e consolidação no mercado de IA
Para Taylor, o grande volume de recursos disponíveis reflete a crença generalizada de que a inteligência artificial terá impacto amplo na economia, afetando múltiplos setores e fluxos de trabalho. Quando essa expectativa se torna predominante, afirmou ele, o capital tende a fluir com mais facilidade — inclusive para projetos concorrentes em praticamente todas as frentes do ecossistema tecnológico.
O executivo prevê que os próximos anos devem incluir um movimento de ajuste: uma fase de correção e consolidação, sem, contudo, anular o ambiente competitivo. Na visão de Taylor, a inovação frequentemente prospera em um cenário mais desorganizado, no qual diversas empresas disputam espaço e testam diferentes soluções até que algumas se destaquem.
Sierra e a aposta em agentes de IA para atendimento
Fundada por Taylor em 2023, a Sierra desenvolve e implementa agentes de IA voltados ao atendimento ao cliente. Em setembro, a empresa captou US$ 350 milhões em uma nova rodada de investimentos, que elevou sua avaliação para US$ 10 bilhões.
Trajetória de Taylor no setor de tecnologia
Antes de criar a Sierra, Bret Taylor passou por cargos de destaque na indústria: foi co-CEO da Salesforce ao lado de Marc Benioff, presidiu o conselho do Twitter (atual X), atuou como diretor de tecnologia do Facebook (hoje Meta) e é um dos cocriadores do Google Maps.
Impactos esperados e ritmo de adoção
Taylor avaliou que a IA deve transformar áreas como comércio, sistemas de busca e meios de pagamento, mas sublinhou que essa mudança não ocorrerá de imediato. A adoção pelas empresas, a evolução do arcabouço regulatório e a construção da infraestrutura necessária demandam tempo. Ele acredita que o setor ainda está nos estágios iniciais dessa trajetória, e que o desenvolvimento deve se acelerar à medida que essas barreiras forem sendo superadas e modelos de negócio se consolidarem.