A OpenAI começou a ativar um sistema de previsão de idade para identificar se uma conta pertence a menores de 18 anos, e pode aplicar automaticamente restrições de segurança independentemente da data de nascimento informada no cadastro.
A novidade substitui a autodeclaração simples (a seleção da data de nascimento) no momento do registro. Em vez de depender apenas da informação inserida pelo usuário, a empresa passou a usar um modelo que analisa padrões de uso para classificar perfis e acionar filtros de proteção quando julgar que a conta é de um adolescente.
Segundo o comunicado oficial, o algoritmo avalia uma combinação de fatores, entre eles:
- padrões de escrita: a sintaxe e o tipo de linguagem usada nas perguntas (prompts);
- horários de atividade: os momentos do dia em que o usuário costuma acessar a plataforma;
- histórico da conta: tempo de existência do cadastro e como o uso evoluiu ao longo do tempo.
Ao cruzar esses dados, a ferramenta estima a probabilidade de o usuário ser um adolescente. Se o sistema decidir que a conta é de menor, ela é imediatamente migrada para uma experiência restrita, na qual o acesso livre a diversos temas é limitado.
Entre os conteúdos bloqueados para contas classificadas como de adolescentes, a OpenAI lista:
- violência gráfica;
- materiais que incentivem automutilação ou distúrbios alimentares (como dietas extremas);
- "roleplay" de cunho sexual, romântico ou violento;
- desafios virais que possam estimular comportamentos de risco.
Caso ocorra um erro e um adulto seja classificado como adolescente, será necessário comprovar a maioridade. O desbloqueio exige verificação de identidade via Persona, que solicita o envio de uma selfie para confirmar a idade real. A ferramenta de previsão será liberada de forma gradual.
A implementação chega em meio à pressão regulatória global e atende a exigências já previstas na legislação brasileira. A Lei nº 15.211 — o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente —, sancionada em setembro de 2025, torna obrigatória a adoção de medidas técnicas para impedir o acesso de menores a conteúdos impróprios. O texto veda explicitamente a autodeclaração como único mecanismo de controle: o Artigo 9º exige "mecanismos confiáveis de verificação de idade a cada acesso" e prevê que as plataformas permitam a supervisão dos pais em contas de adolescente.
O ECA Digital também proíbe que os dados coletados por esses mecanismos sejam utilizados para finalidades distintas da verificação etária. No comunicado, a OpenAI — que também implementará anúncios na plataforma — não esclarece como pretende tratar os dados coletados pelo modelo de previsão, nem o que fará com as informações de usuários posteriormente identificados como menores de idade.
A medida complementa o pacote de ferramentas de controle parental que a empresa lançou em setembro de 2025, e surge após a OpenAI ter sido pressionada a implementar limites depois de um processo que acusa o ChatGPT de ter incentivado o suicídio de um adolescente — denúncia que, segundo reportes, voltou a ocorrer meses depois.