A OpenAI assinou um contrato bilionário com a startup Cerebras Systems para garantir capacidade computacional pelos próximos três anos. Segundo o Wall Street Journal, o acordo prevê a compra de até 750 megawatts de processamento e está avaliado em mais de US$ 10 bilhões (aproximadamente R$ 54 bilhões).
A movimentação ocorre no momento em que a desenvolvedora do ChatGPT busca sustentar uma base próxima a 900 milhões de usuários semanais. Além de ampliar a infraestrutura, o CEO da OpenAI, Sam Altman — que também é investidor da Cerebras — procura reduzir a dependência dos chips da Nvidia, buscando alternativas mais econômicas e eficientes para o processamento de inteligência artificial.
A escolha pela Cerebras privilegia a chamada inferência: o uso de modelos de IA já treinados para gerar respostas em tempo real aos usuários. A startup produz processadores que, segundo demonstrações técnicas, entregam respostas mais rápidas do que os componentes da líder de mercado. Essa maior agilidade é essencial para manter a fluidez das conversas do ChatGPT. Engenheiros da OpenAI teriam pedido especificamente hardwares capazes de acelerar tarefas de alta complexidade, com prioridade na geração de código de programação.
O CEO da Cerebras, Andrew Feldman, diz que o mercado enfrenta uma necessidade "extraordinária" de computação rápida, e esse diferencial técnico foi determinante para a formalização do contrato, após negociações iniciadas no final de 2025. A parceria faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação: além da Cerebras, a OpenAI anunciou recentemente acordos com a Broadcom e a AMD, formando um ecossistema de hardware para acompanhar o crescimento da demanda.
Apesar do caráter estratégico, o tamanho do investimento levanta dúvidas entre investidores sobre a sustentabilidade financeira da empresa. No último ano, a OpenAI registrou cerca de US$ 13 bilhões (R$ 70 bilhões) em receita — um montante ainda modesto frente aos US$ 600 bilhões (R$ 3,2 trilhões) em contratos de nuvem firmados por gigantes como Microsoft e Amazon. Altman afirma que o acelerado crescimento da receita cobrirá esses custos, que serão pagos em fases, e a companhia já se prepara para uma nova grande rodada de captação para financiar a expansão.
Para a Cerebras, o contrato representa uma guinada histórica após uma década tentando ganhar relevância no mercado de chips. A empresa, que teria recusado uma oferta de compra feita por Elon Musk em 2017, agora vê sua avaliação subir para US$ 22 bilhões. A relação entre as duas companhias remonta a 2017, quando a associação já havia sido discutida — e, com o novo contrato e o endosso da desenvolvedora do ChatGPT, a Cerebras deixa de depender de poucos clientes para assumir um papel mais central na infraestrutura global de IA.