O banco HSBC revisou para cima sua estimativa de mercado para os óculos inteligentes com inteligência artificial: agora projeta que o setor deve movimentar US$ 200 bilhões (algo em torno de R$ 1 trilhão) até 2040.
A revisão impulsionou as ações da EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban, e alimentou a percepção de que esses aparelhos estão deixando de ser um acessório de nicho para se transformar na próxima grande plataforma de computação. Segundo o site Investing, o impulso vem tanto de avanços técnicos quanto da integração de modelos de linguagem que viabilizam interações por voz em tempo real. Especialistas citados afirmam que, à medida que a ergonomia melhora e a aceitação social cresce, os óculos inteligentes têm potencial para deslocar progressivamente o uso dos smartphones nas próximas décadas.
EssilorLuxottica lidera o segmento e deve ampliar vendas
A EssilorLuxottica hoje detém cerca de 70% do mercado global de óculos inteligentes e consolidou sua vantagem com a parceria com a Meta. O HSBC elevou a previsão de unidades vendidas pela empresa em 2030 de 18 milhões para 35 milhões. Esse salto sustenta o otimismo dos investidores, que veem na estrutura integrada da companhia —do design ao varejo— uma vantagem competitiva para dominar a fabricação e a distribuição desses aparelhos.
O modelo verticalizado da EssilorLuxottica é apontado como diferencial-chave. Mesmo com a expectativa de entrada de novos concorrentes, analistas destacam que essa competição pode acelerar a formação de massa crítica necessária para o sucesso da categoria: mais players tendem a aumentar investimentos em pesquisa e desenvolvimento, beneficiando todo o ecossistema.
LLMs, voz e a promessa de substituição do smartphone
A maturação da tecnologia por trás dos óculos inteligentes também ganha força pelo suporte de grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês). Essas ferramentas permitem que o usuário interaja com o ambiente e a internet sem tirar o celular do bolso, apenas por comandos de voz e áudio — uma fluidez que sustenta a tese de que, no futuro, óculos podem tornar-se o dispositivo primário de interação digital.
Nesse quadro, a Meta tem papel central ao fornecer software e a plataforma de serviços que dão funcionalidade aos aparelhos. Empresas como a Apple observam o mercado, prontas para aplicar sua expertise caso a substituição dos smartphones avance. A corrida tecnológica agora foca em transformar hardware pesado em acessórios leves e com apelo estético para uso cotidiano.
Meta adia expansão internacional por falta de estoque nos EUA
Apesar do potencial bilionário, a Meta decidiu adiar o lançamento internacional dos óculos Ray-Ban Meta Display, que estava previsto para o início de 2026. A empresa afirmou que a demanda “esmagadora” nos Estados Unidos superou as previsões e esgotou a capacidade de fornecimento imediato, deixando consumidores fora do país na espera.
A escassez é tão acentuada que as listas de espera nos EUA avançam ao longo do ano, o que inviabilizou a abertura de novas frentes de venda no curto prazo. Em comunicado durante a CES 2026, a Meta explicou que a prioridade é regularizar a entrega dos pedidos já realizados nos Estados Unidos — uma decisão que reflete um “problema de sucesso”: o produto encontrou público, mas a cadeia de produção ainda não acompanha o ritmo de demanda.
A pausa frustra consumidores internacionais que esperavam o dispositivo nos próximos meses, mas evita um lançamento global com prateleiras vazias. A parceria entre Meta e EssilorLuxottica exige sincronia entre a inovação digital do Vale do Silício e a manufatura europeia; o atual descompasso entre oferta e demanda demonstra que a categoria finalmente ultrapassou a barreira do interesse generalizado.
Enquanto isso, quem está fora dos Estados Unidos precisará acompanhar de longe a evolução das funções de IA do acessório. A Meta diz reavaliar sua estratégia para outros países à medida que tenta aumentar a escala da produção. O cenário confirma que, embora o mercado de US$ 200 bilhões seja uma promessa para o futuro, o presente segue sendo um ajuste fino entre o apetite do consumidor e a capacidade das fábricas.