O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Microsoft fará mudanças operacionais imediatas para impedir que a expansão de seus data centers de inteligência artificial (IA) aumente as contas de energia dos americanos.

A corrida pela liderança em IA transformou data centers em ativos estratégicos — e também em grandes consumidores de eletricidade —, contribuindo para alta nas tarifas em diversos estados. Diante desse cenário, o governo busca compromissos formais das big techs para que elas "paguem seu próprio caminho", evitando transferir custos à população e preservando o orçamento das famílias enquanto tenta manter a hegemonia tecnológica do país.

A Casa Branca lançou uma ofensiva para garantir que os custos da infraestrutura tecnológica não recaiam sobre o consumidor, num momento de atenção aos preços de serviços básicos. Em postagem na sua rede social Truth Social, Trump afirmou que as faturas mensais das famílias subiram drasticamente e que novos projetos de tecnologia não podem agravar esse quadro inflacionário.

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A Microsoft foi a primeira grande empresa a firmar esse compromisso, prometendo ajustes estruturais já a partir desta semana. Embora os detalhes técnicos das mudanças ainda não tenham sido totalmente divulgados, o objetivo declarado é evitar que a presença de data centers leve a aumentos nas contas de luz de cidadãos americanos.

Dados de mercado mostram que as tarifas de eletricidade nos Estados Unidos subiram cerca de 6% em um ano, com elevações mais expressivas em regiões que concentram grandes instalações de processamento de dados. A resistência local também tem pesado nas decisões das empresas: em Wisconsin, por exemplo, a Microsoft cancelou um projeto de data center após forte oposição de moradores preocupados com impactos ambientais e com o risco de desestabilização dos preços na rede elétrica local.

Para suprir a demanda sem sobrecarregar as comunidades, as empresas têm sido incentivadas a buscar autonomia energética. O governo federal sinalizou que fará novos anúncios nas próximas semanas, indicando que outras gigantes do setor podem seguir o exemplo da Microsoft e assumir a responsabilidade por seus custos de energia.

Nesse contexto de busca por independência energética, a Meta anunciou acordos com três empresas do setor nuclear para alimentar o supercluster Prometheus, previsto para 2026. A estratégia aposta em reatores avançados para garantir um fornecimento constante e de baixo carbono, necessário ao processamento de modelos de IA de alta complexidade.

As parcerias com Vistra, TerraPower e Oklo podem somar até 6,6 gigawatts de capacidade até 2035 — um volume que, segundo a matéria, supera a demanda total do estado de New Hampshire. Há ainda conexão com figuras centrais do setor de tecnologia: o CEO da OpenAI, Sam Altman, é citado como um dos principais investidores da Oklo, empresa que abriu capital recentemente para ampliar sua tecnologia e atender clientes que buscam fontes de energia estáveis.

Além do aspecto técnico, a Meta projeta benefícios econômicos regionais, com a criação de milhares de empregos na construção das usinas em estados como Ohio e Pensilvânia. A companhia defende que uma infraestrutura de IA energeticamente sustentável é vital para manter os Estados Unidos como líder global no setor.

Essa movimentação integra um pacto mais amplo da indústria — que envolve Amazon e Google — para triplicar a produção global de energia nuclear até 2050. O setor de tecnologia se movimenta agora para garantir que a expansão da IA tenha combustível suficiente, sem provocar crises de abastecimento ou pressões de preço para o restante da sociedade.