Nvidia exige pagamento integral antecipado para vendas do H200 na China, diz reportagem
A Nvidia vem exigindo pagamento à vista nas vendas dos chips de inteligência artificial H200 para clientes na China, segundo reportagem da Reuters baseada em duas fontes anônimas. A prática impediria cancelamentos e reembolsos, e seria uma medida para se resguardar diante das incertezas do processo de aprovação governamental no país. Procurada pela agência, a Nvidia não comentou o assunto.
De acordo com a reportagem, a empresa também não aceita alterações nos pedidos. Em casos excepcionais, alguns compradores chineses poderiam recorrer a seguros comerciais ou oferecer garantias sobre ativos como alternativa ao pagamento em dinheiro. Fontes ouvidas pela Reuters descrevem essas condições como incomuns e mais rigorosas do que práticas anteriores da empresa, quando eram exigidos depósitos antecipados parciais em determinadas circunstâncias.
O foco da controvérsia é o H200. Clientes na China teriam encomendado mais de 2 milhões de unidades para entrega em 2026, com preço unitário apontado em US$ 27 mil (aproximadamente R$ 145 mil em conversão direta). A Nvidia disse ter cerca de 700 mil unidades em estoque e estaria acelerando a produção para atender à demanda.
A decisão da empresa ocorre em meio a tensões comerciais e de segurança entre Estados Unidos e China. Em 2025, a Nvidia obteve autorização dos EUA para vender os chips H200 à China, mas essas vendas ficaram sujeitas a uma alíquota de 25% imposta pelos EUA. Por sua vez, autoridades chinesas têm buscado restringir importações para favorecer fornecedores locais, em parte como resposta a medidas americanas, e apontam preocupações de segurança que motivaram limitações sobre o uso de componentes estrangeiros.
Relatos recentes indicam que Pequim pode autorizar a importação do H200 de forma gradual, com aprovações focadas em usos comerciais selecionados — segundo reportagem da Bloomberg publicada em 8 de janeiro. Ainda assim, o governo chinês pode vetar o uso desses chips em empresas estatais, em instituições militares e em projetos de infraestrutura; produtos de outras empresas estrangeiras, como Apple e Micron, já enfrentam restrições semelhantes nesses setores.
O cenário segue incerto. Em 7 de janeiro, o site The Information publicou que o governo chinês havia pedido às empresas de tecnologia do país que suspendessem compras do H200, numa tentativa de equilibrar a demanda com a oferta de componentes locais, como o Ascend 910C, da Huawei.
As informações acima foram apuradas por agências e veículos internacionais, entre eles Reuters, Bloomberg e TechCrunch.