Avanços em inteligência artificial estão transformando a forma como as pessoas encaram a saúde e lidam com problemas relacionados ao bem-estar. Uma nova pesquisa nacional da Confused.com Life Insurance revela que três em cada cinco britânicos (59%) já recorrem à IA para tentar autodiagnosticar condições de saúde. Por meio de buscas sobre efeitos colaterais, opções de tratamento e verificação de sintomas, 11% dos entrevistados afirmam que a IA ajudou a melhorar suas condições. Mais de um terço (35%) diz que é provável que use a IA nesse contexto no futuro, em parte por se afastar das consultas tradicionais com o médico de família (GP), que têm se tornado mais difíceis de conseguir em curto prazo.
No Reino Unido, o tempo médio de espera por uma consulta com o GP é atualmente de 10 dias, prazo considerado longo por muitos. Como consequência, buscas relacionadas à saúde aumentaram expressivamente desde janeiro de 2025: pesquisas como “qual é a minha doença?” cresceram 85%, “quais são os sintomas de…?” subiram 33% e buscas por “efeitos colaterais” aumentaram 22%.
Principais consultas de saúde via IA
Segundo a Confused.com, a consulta de sintomas é a mais frequente, com 63% dos entrevistados buscando esse tipo de orientação em ferramentas de IA. Em seguida vêm buscas sobre efeitos colaterais (50%) e técnicas de estilo de vida e bem-estar (38%). Ainda, 20% já procuraram apoio para saúde mental — terapia ou estratégias de enfrentamento — tratando ferramentas como o ChatGPT como um terapeuta virtual.
O uso varia por faixa etária: entre pessoas com mais de 65 anos, 35% usam IA para autodiagnóstico e 54% recorrem à tecnologia para checar sintomas. Entre jovens de 18 a 24 anos, o uso é bem maior: 85% consultam regularmente a IA sobre questões de saúde.
Tom Vaughan, especialista em seguro de vida da Confused.com, comentou os achados: “Os avanços na tecnologia de IA criaram uma nova maneira de as pessoas se aproximarem dos cuidados de saúde e do autodiagnóstico. Mais indivíduos estão tomando medidas para cuidar do próprio bem-estar e do da família, antecipando problemas de saúde e lidando com situações o mais rapidamente possível.”
Potenciais benefícios do autodiagnóstico por IA
Com tempos de espera em consultórios que às vezes chegam a um mês, não surpreende que 42% dos entrevistados considerem a IA mais rápida do que esperar por uma consulta médica. Entre os mais jovens, 50% dos que têm entre 25 e 34 anos e 51% dos que têm entre 35 e 44 anos afirmam não se sentir confortáveis em correr riscos com prazos, acreditando que o autodiagnóstico oferece uma resposta mais imediata.
O bem-estar da família também é um motivo citado: 20% usam IA para descobrir as melhores maneiras de apoiar a saúde de um familiar. O fato de não ter que falar pessoalmente com um médico é outro fator: 24% dizem se sentir mais à vontade usando IA do que discutindo sua saúde cara a cara com um profissional, percentual que sobe para 39% entre os 18–24 anos.
Além disso, 17% buscam soluções médicas alternativas e apoio via IA — número que alcança 27% na faixa de 25–34 anos. Motivações financeiras também aparecem: 20% acreditam que o autodiagnóstico com IA pode economizar custos significativos com saúde privada.
A tecnologia parece ter impacto positivo para alguns grupos específicos: entre pessoas não binárias e com identidade alternativa, 75% disseram que o diagnóstico oferecido pela IA os ajudou “muito”, contra 13% dos homens e 9% das mulheres.
No panorama geral, 11% afirmaram que a IA ajudou suas condições de saúde “muito”, enquanto 41% disseram que ajudou “de certa forma”. Há a esperança de que o autodiagnóstico, mesmo sem garantia de precisão, encoraje as pessoas a procurar o GP para um diagnóstico formal. Apenas uma minoria (9%) declarou que a IA não ajudou em nada, indicando que métodos tradicionais ainda são considerados mais confiáveis por parte dos entrevistados.
Vaughan reforçou a importância das consultas médicas: “Embora a IA possa ser útil para pesquisas iniciais e para compreender uma condição, é evidente que, para a tranquilidade definitiva, as pessoas devem consultar um GP ou um farmacêutico. Médicos e outros profissionais de saúde são os únicos capazes de diagnosticar com precisão condições que podem piorar ou se tornar doenças crônicas sem o tratamento adequado.”
Lançamento do ChatGPT Health
Os insights da Confused.com sobre o uso de IA em saúde coincidem com o lançamento pelo OpenAI do recurso ChatGPT Health, integrado à plataforma ChatGPT. A ferramenta foi criada para atender ao grande volume de perguntas relacionadas à saúde feitas na plataforma — estimativas apontam mais de 230 milhões de consultas de saúde por semana.
O ChatGPT Health permite que usuários conectem seus registros médicos pessoais e aplicativos de bem-estar, como o Apple Health, para oferecer respostas mais personalizadas, em vez de se limitar a conhecimentos gerais sobre determinadas condições. Apesar de projetado para ajudar os usuários a encontrar respostas, o OpenAI destaca que o recurso não é uma ferramenta de diagnóstico nem substitui o atendimento profissional. A função foi pensada para apoiar o cuidado médico — por exemplo, na compreensão de resultados de exames e no acompanhamento do bem-estar — e não para fornecer diagnósticos formais ou planos de tratamento.
O desenvolvimento do ChatGPT Health contou com a contribuição de centenas de médicos ao redor do mundo, visando maior clareza e segurança para os usuários. Ainda que a ferramenta não substitua profissionais de saúde ou consultas tradicionais, a tendência de mais pessoas recorrerem à IA para obter informações médicas deve crescer, levantando questões relevantes e possíveis repercussões para o cuidado ao paciente e a confiança clínica.