Um levantamento da Deel, empresa global de software de RH, revela que a migração de profissionais brasileiros para o mercado internacional de tecnologia se intensificou: em 2024, houve um aumento de 53% no número de brasileiros contratados por empresas estrangeiras. Engenheiros de software, especialistas em dados e profissionais de cibersegurança estão entre os mais procurados.
A disparidade cambial aparece como um dos principais atrativos. Com o real valendo bem menos que moedas como o dólar, contratar talentos no Brasil fica mais vantajoso para empresas do exterior. Isabela Castilho, CEO da Rockseat, ressalta esse diferencial: segundo ela, o valor da moeda brasileira torna a contratação de profissionais daqui especialmente atraente.
Além do aspecto econômico, fatores culturais e comportamentais pesam na decisão das empresas internacionais. As chamadas soft skills — capacidade de adaptação, boa comunicação em grupo e facilidade para lidar com diferentes culturas — têm grande peso nas contratações. A predisposição dos brasileiros a estudar e se desenvolver profissionalmente também é vista como um ponto positivo.
Profissionais que já trabalham fora confirmam a necessidade de adaptação cultural. Priscila Calisto, brasileira contratada por uma empresa internacional de tecnologia, observa que colegas de outros países costumam ser muito mais diretos na comunicação: “Eu vejo que eles são muito mais diretos. Geralmente um brasileiro quando vai falar uma notícia principalmente negativa, a gente faz muito rodeios, eles vão direto ao ponto,” relata Calisto.
Outras qualidades brasileiras destacadas por empregadores incluem proatividade, energia no ambiente de trabalho e disposição para resolver problemas. A geração Z, por ter crescido imersa em tecnologia, apresenta curva de aprendizado mais rápida e maior abertura a riscos e novas oportunidades, em contraste com gerações que priorizam a estabilidade de contratos formais.
No mercado interno, essa saída de talentos cria pressão: empresas nacionais estão aumentando salários para atrair e reter profissionais qualificados. A tendência apontada é de que será necessário investir mais na capacitação de talentos júnior para compensar a perda de profissionais seniores.
O tema é aprofundado em um episódio do podcast do Canaltech, que aborda o impacto desse movimento e as perspectivas para o futuro da tecnologia no Brasil.