A startup Satlyt, fundada por Rama Afullo, ex-gestor de produto das empresas Google e SpaceX, captou 8 milhões de dólares em uma rodada semente liderada pelo fundo non sibi ventures. A companhia, que mantém operações em Sunnyvale, nos Estados Unidos, e em Nairóbi, no Quênia, desenvolve software capaz de executar modelos de inteligência artificial a bordo de satélites pertencentes a outras empresas. Em vez de fabricar seus próprios veículos espaciais, a Satlyt quer se tornar uma camada de inteligência compartilhada para toda a indústria orbital.

A estratégia da empresa é comparada por ela própria ao modelo do sistema Android no mercado de celulares: um software aberto, projetado para funcionar nos satélites de múltiplas companhias. O contraponto apontado é a SpaceX, que adota uma abordagem fechada e totalmente integrada, à semelhança da filosofia por trás do iPhone, no qual hardware e software são controlados por um único fornecedor. Segundo a Satlyt, a abordagem aberta permite que operadoras de satélites ganhem capacidades de inteligência artificial sem depender de uma solução exclusiva de um único dono de constelação.

A trajetória do fundador ajuda a explicar a origem do projeto. Antes de criar a própria companhia, Afullo trabalhou justamente nas duas gigantes que agora servem de referência para o debate, e lá dentro defendeu a ideia de centros de dados em órbita, estruturas de processamento e armazenamento de informações instaladas no espaço. Sem ver a proposta avançar como executivo, ele decidiu transformá-la em negócio próprio, agora na condição de diretor-executivo da Satlyt.

Satlyt capta US$ 8 milhões para levar inteligência artificial a satélites de terceiros - Imagem complementar

Do ponto de vista técnico, o foco inicial da empresa está em eficiência operacional. Satélites costumam depender de controladores de voo em terra para resolver qualquer problema que surja durante a missão, e o envio de dados de volta à Terra, processo conhecido no setor como downlink, é caro e frequentemente lento. Ao levar a inteligência artificial para o próprio veículo, as decisões podem ser tomadas em órbita, o que representa economia real tanto na resolução de anomalias quanto no processamento das leituras de sensores diretamente na espaçonave, em vez de no solo.

A Satlyt já colocou seu software em operação em duas missões de demonstração, e um novo passo está marcado para esta semana. O lançamento colocará a tecnologia da empresa para trabalhar a bordo de uma espaçonave construída pela TakeMe2Space, startup indiana que fabrica hardware de computação para satélites. A missão envolve três clientes: a NASA, que paga à Satlyt para testar protocolos de computação em nuvem no espaço; a Stellerian, companhia dedicada à vigilância espacial, área que trata do rastreamento de objetos em órbita, interessada em avaliar cargas de trabalho de processamento de imagens; e a própria TakeMe2Space, que quer demonstrar que seu satélite é capaz de hospedar o software de outras empresas.

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Os recursos captados serão direcionados ao desenvolvimento de produto, à contratação de equipes de engenharia e de atendimento a clientes e à ampliação da implantação do software em espaçonaves de terceiros. A ambição de longo prazo é construir uma nuvem de computação compartilhada em órbita, na qual satélites de diferentes operadoras executem cargas de inteligência artificial de forma coordenada. Ao lado de Afullo, a equipe inclui Nelson Psenjen como diretor de tecnologia e as engenheiras Leina Moli e Junn Wangari.

A companhia integra a seleção de startups avaliadas pelo TechCrunch que participam da competição Startup Battlefield, realizada entre 13 e 15 de outubro no centro de São Francisco. Com o capital em caixa e a nova missão a caminho, a Satlyt avança na proposta de se consolidar como o Android da computação orbital, oferecendo inteligência artificial aberta para os satélites de um mercado cada vez mais disputado. Mais informações sobre a empresa podem ser encontradas no site oficial da Satlyt.