A série policial Law & Order usou a estreia de sua 26ª temporada para mergulhar no universo da inteligência artificial e apresentou um retrato severo do setor, com executivos de empresas de tecnologia retratados como líderes sedentos por poder. O episódio, intitulado "Ghost in the Machine", leva ao formato consagrado do drama jurídico policial os debates sobre os riscos da tecnologia e as tensões éticas que cercam as companhias da área.

A trama começa, como de praxe na franquia, com um assassinato. A vítima é Steve Kelly, identificado pelos detetives Theo Walker e Vincent Riley, interpretados por David Ajala e Reid Scott, como um engenheiro de alto escalão de uma empresa fictícia chamada Advanced Alignment. Durante a investigação, os policiais demonstram completa perplexidade diante do conceito de inteligência artificial, mencionando a sigla com o mesmo estranhamento que uma pessoa distante da tecnologia demonstraria ao falar de um aplicativo ou de uma gíria da internet.

O roteiro projeta, no entanto, um cenário que vai além dos perigos conhecidos hoje. A produção imagina um futuro em que agentes de inteligência artificial, sistemas capazes de executar ações de forma autônoma, podem encomendar um assassinato em uma plataforma usada majoritariamente por jogadores. Com essa premissa, o episódio pede que o público considere riscos da tecnologia que extrapolam a realidade atual, em vez de se limitar aos problemas já documentados.

Law & Order coloca a inteligência artificial no banco dos réus: estreia da 26ª temporada expõe os medos e os executivos sedentos por poder do setor de tecnologia - Imagem complementar

A análise publicada sobre o episódio lembra que parte dos temores apresentados pela série tem paralelos reais recentes. Entre eles estão o episódio envolvendo a Hugging Face, plataforma conhecida no setor de inteligência artificial, e as ações judiciais movidas por familiares enlutados que alegam que a OpenAI encorajou pessoas queridas a tirar as próprias vidas. Esses casos, segundo o texto, mostram que algumas das preocupações levantadas pela ficção já fazem parte do debate público contemporâneo.

Para a crítica, a incursão da franquia pelo tema era praticamente inevitável. Com sua cultura mercenária, seus executivos ávidos por poder e suas enormes implicações éticas e filosóficas, o setor de inteligência artificial em rápida evolução é considerado um material ideal para uma série do gênero. A combinação entre crimes, decisões judiciais e dilemas morais da tecnologia se encaixa naturalmente na estrutura de investigação e julgamento que caracteriza o programa desde suas primeiras temporadas.

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Ainda assim, a avaliação não é completamente favorável. Embora o episódio de estreia seja divertido, o texto sustenta que a investida da série no campo da inteligência artificial não apresenta nada de novo ou interessante sobre a tecnologia. Em vez de propor reflexões originais, o roteiro repete perigos com os quais o público já está intensamente familiarizado, apenas transportando para o formato de drama policial alarmes que circulam há tempos no noticiário sobre o tema.

O argumento central que fica da nova temporada, segundo a leitura do episódio, não é a rejeição pura e simples da inteligência artificial, mas sim o questionamento sobre a naturalidade com que a sociedade entrega autoridade a esses sistemas. Law & Order estreia sua 26ª temporada com "Ghost in the Machine", transformando em enredo policial o debate sobre até onde deve ir o controle delegado às máquinas e o poder concentrado nas mãos de quem as constrói.