A OpenAI anunciou o desmantelamento de duas operações de influência impulsionadas por inteligência artificial que se valiam de jornalistas falsos e de um instituto de pesquisas de fachada para difundir mensagens geopolíticas. As campanhas, identificadas e bloqueadas pelas equipes de investigação da empresa, ilustram uma tática em que modelos de inteligência artificial servem como instrumento de apoio dentro de esquemas mais amplos destinados a fabricar credibilidade e ocultar quem está por trás do conteúdo.

Uma das operações tinha como núcleo o International Burke Institute (IBI), apresentado como uma instituição aparentemente legítima, completa com supostos especialistas, trabalhos acadêmicos republicados e um suposto índice próprio de riscos. A atividade interrompida pela OpenAI, no entanto, concentrava-se no conteúdo publicado em redes sociais que promovia ou direcionava usuários ao site, e não no material hospedado diretamente na página da organização.

Segundo o relatório da empresa, os responsáveis pela campanha utilizaram o ChatGPT, o assistente de inteligência artificial da OpenAI, apenas para produzir posts promocionais isolados que apontavam para o site do instituto. Para a empresa, o ponto mais relevante da descoberta está menos no público alcançado e mais na infraestrutura construída pelos operadores, que investiram em uma fachada institucional sofisticada para dar aparência de autoridade ao material difundido.

OpenAI Desmantela Esquemas de Desinformação: IA Era Usada para Criar Jornalistas Falsos e Instituto de Fachada Russo - Imagem complementar

As investigações também identificaram esforços deliberados para disfarçar as origens russas dos operadores da campanha. Embora a operação pareça ter alcançado audiências relativamente pequenas, sua construção elaborada a diferencia de outras iniciativas de influência ligadas à Rússia que a OpenAI já desmantelou desde o início da guerra na Ucrânia. O caso demonstra como atores de influência podem usar a inteligência artificial como ferramenta auxiliar em um esforço maior para fabricar autoridade e obscurecer suas verdadeiras origens.

A segunda operação desmantelada seguia lógica semelhante, mas se apoiava em jornalistas falsos para espalhar mensagens geopolíticas. A estratégia de criar personagens jornalísticos fictícios tem como objetivo emprestar aparência de legitimidade informativa às narrativas divulgadas, dificultando que o público perceba que o conteúdo origina-se de fontes coordenadas e não de profissionais de imprensa reais.

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Em seus comunicados sobre o tema, a OpenAI detalha como cada operação funcionava, em que pontos o ChatGPT foi utilizado e quais medidas a empresa adotou para desarticular as campanhas. As ações incluem o banimento das contas associadas às atividades identificadas. A empresa reitera que publica esses achados para que a indústria, os governos e a sociedade civil estejam melhor preparados para reconhecer e bloquear tentativas de manipulação que se valem de ferramentas de inteligência artificial.

Os dois casos reforçam a atenção crescente da OpenAI ao uso malicioso de seus modelos em operações encobertas de influência. O desmantelamento das campanhas com jornalistas de fachada e do instituto fictício mostra que, mesmo com alcance limitado, esquemas que combinam inteligência artificial com estruturas de credibilidade forjadas representam desafio relevante para a integridade do debate público e do ecossistema informativo global.