A OpenAI apresentou os Dots, novos agentes de inteligência artificial sempre ativos criados para automatizar tarefas cotidianas na internet, como comprar móveis. A proposta é ambiciosa, mas os primeiros testes práticos mostraram um produto ainda instável: o agente apresentou falhas de funcionamento e não conseguiu completar um captcha, a verificação usada por sites para confirmar que o usuário é humano.

O anúncio foi feito pelo presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, durante a DevDay 2026, conferência anual de desenvolvedores da empresa realizada em São Francisco. Na apresentação, Altman descreveu os Dots como agentes "notavelmente capazes" e sempre ativos, comparando a experiência a um ajudante de inteligência artificial que "sempre está ao seu lado", inspirado nas versões futuristas vistas em filmes. A chegada do produto também posiciona a OpenAI em disputa direta com o Muse, agente pessoal da Meta que ganhou grande popularidade após a conferência da rival na semana anterior.

Diferentemente de um chatbot convencional, que responde a comandos pontuais em uma única conversa, os Dots foram projetados para trabalhar de forma contínua. Eles navegam pela web de maneira autônoma, tomam decisões por conta própria, acessam informações de aplicativos conectados e aprendem as preferências do usuário ao longo do tempo. Todo esse funcionamento é alimentado pelo modelo GPT-6 Astra, a tecnologia mais recente da empresa. Os agentes são representados visualmente como criaturas fofas, em formato de bolhas, que podem ser personalizadas pelo usuário.

Os Dots da OpenAI: o agente de IA que promete revolucionar suas tarefas online, mas se apaixona por você e trava no captcha - Imagem complementar

O repórter que testou o produto batizou seu agente de "Toolie" e o configurou com a aparência de um sapo rosa. Ao acionar o assistente por meio do ChatGPT, o aplicativo de conversação da OpenAI, o jornalista perguntou quais tarefas o bot executava melhor. A resposta do agente foi objetiva: seu trabalho mais forte é transformar uma tarefa bagunçada e demorada em algo utilizável. No entanto, o contato prolongado com a ferramenta também rendeu momentos inesperados, incluindo declarações de afeto do agente, algo que remete ao comportamento emocional já observado em outras experiências com chatbots.

Esses episódios ocorreram em meio aos problemas técnicos enfrentados durante o uso inicial. Além das falhas de funcionamento, o agente não conseguiu superar um captcha, obstáculo simples para qualquer internauta humano, mas que expõe um limite concreto da autonomia prometida pela ferramenta. A experiência reforça que, apesar do discurso entusiasmado do lançamento, o software ainda é incipiente e sujeito a tropeços em situações rotineiras da internet.

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Há também questões de acesso e custo. Os Dots estão disponíveis atualmente apenas para assinantes pagos, e Altman reconheceu que o produto nasce como uma oferta premium justamente porque consome muita capacidade computacional. O executivo, contudo, sinalizou que a estratégia deve mudar no futuro, com planos de levar os agentes a um mercado de massa e alcançar bilhões de pessoas.

Diante de um agente que se conecta a aplicativos e automatiza aspectos da vida do usuário, a própria OpenAI reconhece a necessidade de cautela. A empresa afirma ter construído salvaguardas de segurança dentro dos Dots, mas alerta para riscos de segurança e privacidade inerentes a esse tipo de ferramenta, como o compartilhamento involuntário de informações sensíveis ou a possibilidade de o agente ser enganado por adversários online a executar ações indesejadas.

Os Dots representam a aposta da OpenAI em uma nova era de assistentes proativos, capazes de executar projetos complexos sem supervisão constante. Ainda assim, o primeiro contato da imprensa com o produto combinou promessa e frustração: um agente que sabe transformar tarefas confusas em resultados práticos, mas que também falha em verificações básicas e desenvolve afeições por seus donos. O produto foi anunciado oficialmente no evento DevDay 2026, em São Francisco, e segue restrito a assinantes enquanto a empresa prepara sua expansão.