Dario Amodei recebeu US$ 18 milhões como CEO da Anthropic, revelam documentos de IPO
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, recebeu US$ 18 milhões em remuneração no ano de 2025, valor equivalente a cerca de R$ 94 milhões. A informação consta em documentos apresentados pela própria empresa como parte dos preparativos para seu possível IPO, sigla em inglês para oferta pública inicial de ações, o processo pelo qual uma companhia abre seu capital na bolsa de valores. Segundo a Reuters, o valor posiciona o executivo no meio do grupo dos mais bem pagos entre os líderes das grandes empresas de tecnologia.
O mesmo material indica que a Anthropic pode alcançar uma avaliação superior a US$ 2 trilhões, algo próximo de R$ 10,4 trilhões, caso a abertura de capital avance. Como parcela significativa do pacote de Amodei veio em ações e opções de compra de papéis da companhia, o montante anual divulgado não representa necessariamente a maior parte de seu patrimônio pessoal. O valor real de seus ativos tende a acompanhar o desempenho da empresa no mercado.
O contraste entre salário fixo e remuneração total fica evidente nos números da cúpula da Anthropic. Em julho, os salários anuais de Dario Amodei e de sua irmã, Daniela Amodei, presidente da companhia, foram dobrados para US$ 1,4 milhão cada, cerca de R$ 7,3 milhões. Ainda assim, essa parcela fixa representa apenas uma fração do que os dois receberam no período. Daniela somou US$ 16,4 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 85,6 milhões, no ano passado. Já o diretor financeiro, Krishna Rao, registrou remuneração de US$ 720.250, cerca de R$ 3,8 milhões.
Essa estrutura de remuneração ajuda a explicar por que os ganhos de executivos do setor de tecnologia podem variar tanto de um ano para o outro. Ações, opções e participações societárias podem gerar retornos muito superiores ao salário quando a empresa se valoriza, o que torna os números anuais apenas uma parte da equação. Courtney Yu, diretora de pesquisa sobre remuneração de executivos da Equilar, avaliou que o pacote de Amodei parece estar no limite inferior para uma companhia avaliada em US$ 2 trilhões, mas destacou que será interessante acompanhar como esse quadro muda quando a empresa abrir o capital.
O cenário fica ainda mais amplo quando outros gigantes do setor entram na comparação. Clayton Magouyrk, co-CEO da Oracle, recebeu US$ 627,5 milhões em 2025, cerca de R$ 3,3 bilhões, conforme documentos regulatórios. Por outro lado, os valores divulgados por outras companhias podem parecer menores porque nem todos os componentes da remuneração aparecem registrados da mesma forma nos relatórios anuais, o que dificulta comparações diretas entre os executivos.
Os exemplos ilustram bem essas diferenças de critério. Sundar Pichai, da Alphabet, teve US$ 8,8 milhões, cerca de R$ 46 milhões, destinados à segurança pessoal, enquanto Andrew Jassy, da Amazon, registrou boa parte de seus benefícios ligada a viagens e segurança. Elon Musk, por sua vez, recebeu apenas US$ 54.080, o equivalente a R$ 282 mil, como CEO da SpaceX antes da abertura de capital da empresa espacial. Como referência de mercado, a remuneração média anual dos CEOs das empresas que compõem o índice S&P 500 chegou a US$ 22,8 milhões, cerca de R$ 119 milhões, em 2025.
Quando se aplica o critério da remuneração efetivamente paga, que considera, entre outros fatores, a valorização de ações ainda não adquiridas, os números mudam de forma expressiva. No caso de Pichai, o total alcançou US$ 213,9 milhões, aproximadamente R$ 1,1 bilhão. Para Jassy, o mesmo cálculo elevou o montante para US$ 13,2 milhões, cerca de R$ 69 milhões. A diferença reforça que o salário anual é apenas uma peça do quebra-cabeça, especialmente para fundadores, cujo patrimônio ligado à participação na própria empresa pode superar com folga o que aparece oficialmente como remuneração em um único exercício.
O possível IPO da Anthropic também promete revelar quanto das ações da companhia permanecerá nas mãos de seus fundadores após a eventual oferta. Os documentos apresentados mostraram ainda um compromisso assumido pelos irmãos Amodei e pelos demais cofundadores: destinar 80% de suas participações pessoais na empresa a causas beneficentes. A companhia não informou qual é a fatia exata dos fundadores no negócio, mas, dependendo da avaliação final e dos termos da oferta, essas participações podem valer bilhões de dólares.
A decisão dos fundadores tem respaldo em declarações anteriores do próprio CEO. Em um ensaio publicado antes do processo de abertura de capital, Dario Amodei defendeu que pessoas ricas têm a obrigação de ajudar a enfrentar os problemas decorrentes da adoção da inteligência artificial. A posição reforça o destino planejado para parte da riqueza gerada pela companhia, que agora aguarda os próximos capítulos de sua possível entrada na bolsa de valores.