Kevin Roose não usou inteligência artificial para escrever o livro que escreveu sobre inteligência artificial. O jornalista, que atuou como colunista e apresentador de podcast no jornal The New York Times, afirma que a obra foi escrita por um ser humano muito cansado, sobrecarregado e com pouco sono, em uma declaração que resume o esforço de reportagem por trás do projeto. O livro, intitulado The AGI Chronicles, chega como um dos registros mais ambiciosos já feitos sobre a corrida das grandes empresas de tecnologia pelo desenvolvimento da inteligência artificial geral, conceito que designa sistemas com capacidade igual ou superior à humana.

A obra narra a história recente da área por meio das trajetórias entrelaçadas de três protagonistas da chamada inteligência artificial generativa, tecnologia capaz de criar textos, imagens e outros conteúdos a partir de comandos: OpenAI, Anthropic e Google. Para dar conta do relato, Roose conduziu mais de 150 entrevistas com pessoas que trabalham dentro do setor. O objetivo declarado pelo autor é que o material se transforme em uma espécie de documento histórico, com uma reconstituição precisa e detalhada das pessoas e das empresas que protagonizaram esse capítulo da tecnologia.

A experiência de Roose no jornalismo de tecnologia é longa. Antes de se dedicar ao livro, ele construiu carreira como colunista e apresentador de podcasts no The New York Times, uma das principais publicações do setor. Foi nesse ambiente que ele dividiu microfones com Casey Newton, com quem apresentou o podcast Hard Fork, programa de referência na cobertura de tecnologia do jornal americano.

Escrito no Suor Humano: Como Kevin Roose Documentou a Corrida pela IA Geral em The AGI Chronicles Sem Usar uma Única Linha de Inteligência Artificial - Imagem complementar

A conversa sobre o livro aconteceu em um momento de transição na carreira do jornalista. No final de setembro, poucos dias antes da entrevista, Roose e Casey Newton anunciaram a criação de uma nova empresa de mídia, chamada Machine Gods Media. O nome da companhia batiza também o novo podcast da dupla, uma escolha que o próprio autor reconheceu com bom humor ao observar que o nome era bom o bastante para ser usado duas vezes. O anúncio veio acompanhado de um acordo de distribuição do programa com a NPR, rede de rádio pública dos Estados Unidos.

A entrevista foi conduzida por Katie Drummond, diretora editorial global da revista WIRED, dentro do formato conhecido como Big Interview, série de conversas prolongadas que a publicação mantém com figuras influentes de áreas como cultura, política, negócios e ciência. Além dos detalhes sobre o livro e sobre a nova empresa, os dois conversaram sobre o que Roose e Newton esperam alcançar com o novo programa, sobre as dificuldades das empresas de mídia tradicionais em reter talentos e, naturalmente, sobre todos os assuntos relacionados à inteligência artificial.

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O contexto do lançamento é particularmente relevante para a área. Ao decidir não utilizar ferramentas de inteligência artificial na redação, Roose reforça uma escolha de método em um momento em que o debate sobre o uso dessas tecnologias na produção de textos ocupa espaço central na indústria editorial e jornalística. A frase sobre o autor cansado e sem sono funciona como uma resposta direta a quem poderia supor que um livro sobre o tema tivesse sido produzido com apoio dos próprios sistemas que ele descreve.

The AGI Chronicles chega como um registro construído na base da reportagem tradicional, com mais de 150 conversas com pessoas do interior de OpenAI, Anthropic e Google, enquanto seus autor inaugura uma nova fase profissional com a Machine Gods Media e o podcast Machine Gods, distribuído em parceria com a NPR. Quem quiser conhecer a obra pode acessar a página oficial de The AGI Chronicles, que reúne informações sobre o livro e suas edições.