Ex-pesquisador da Anthropic depõe em audiência que reúne gigantes da inteligência artificial em Nova York
O ex-pesquisador da Anthropic Jacob Coxon testemunha nesta segunda-feira (5) em audiência do Conselho Municipal de Nova York, nos Estados Unidos, dedicada à inteligência artificial. Ele participará da sessão ao lado de representantes de algumas das maiores empresas do setor, incluindo Anthropic, OpenAI, Google e Meta. O convite partiu da presidente do Conselho Municipal, Julie Menin, que tem defendido a presença de denunciantes de empresas de IA nas discussões sobre os riscos da tecnologia.
Coxon deixou a Anthropic no mês passado e fez um alerta contundente sobre a corrida pelo desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial cada vez mais poderosos. Na ocasião, ele acusou a Anthropic e a OpenAI de estarem "apostando nossas vidas". O pesquisador confirmou que pretende participar da audiência, que coloca frente a frente críticos da indústria e as próprias empresas responsáveis pelo desenvolvimento desses sistemas.
Além de Coxon, também devem testemunhar Alex Turner, ex-pesquisador do Google DeepMind, e Daniel Kokotajlo, diretor-executivo do AI Futures Project e ex-pesquisador da OpenAI. Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, em conversa com a Bloomberg, as quatro grandes empresas enviarão representantes das áreas de políticas públicas e segurança. Turner confirmou sua presença na sessão, enquanto um porta-voz do Google preferiu não comentar. Kokotajlo e as demais empresas não responderam aos pedidos de comentário da agência de notícias.
A audiência faz parte de um esforço das autoridades de Nova York para ampliar a participação do município na regulamentação da inteligência artificial. A indústria se expandiu rapidamente na cidade, enquanto boa parte das regras sobre a tecnologia continua sob responsabilidade dos governos federal e estadual. Os parlamentares municipais avaliam atualmente um pacote de projetos de lei destinado a estabelecer mecanismos de proteção relacionados ao uso de sistemas de IA.
Uma das propostas em análise, patrocinada por Menin, prevê recompensas financeiras para denunciantes. Pelo texto, pessoas que relatarem violações cometidas por empresas de inteligência artificial poderiam receber uma parcela das multas ou de outras penalidades recuperadas pelo poder público. A iniciativa reforça a posição da presidente do Conselho Municipal de abrir espaço para vores críticas dentro das próprias companhias do setor.
Outros projetos avaliados pelos legisladores municipais incluem medidas que permitiriam que pessoas prejudicadas por sistemas de inteligência artificial processassem os desenvolvedores em determinadas circunstâncias. Também está em discussão a exigência de validação independente de alguns sistemas antes que eles possam ser implantados na cidade, estabelecendo uma camada adicional de verificação externa sobre as tecnologias.
A participação das gigantes do setor, no entanto, não ocorreu de forma espontânea. Anthropic, OpenAI e Google concordaram em comparecer à audiência depois que o gabinete de Menin alertou que poderia emitir intimações caso as empresas não se apresentassem voluntariamente. A Meta já havia se comprometido anteriormente a participar da sessão, sem necessidade de qualquer tipo de cobrança formal.
O Conselho Municipal também intimou a unidade de inteligência artificial da SpaceX depois que a empresa não respondeu aos pedidos para participar da audiência. O episódio demonstra a disposição dos legisladores nova-iorquinos em usar os instrumentos legais à sua disposição para garantir que as empresas se pronunciem publicamente sobre os impactos da tecnologia que desenvolvem.
A audiência desta segunda-feira representa um momento simbólico do debate sobre inteligência artificial nos Estados Unidos. Denunciantes que abandonaram cargos em companhias como Anthropic, Google e OpenAI sentarão à mesma mesa que os executivos e especialistas das empresas que criticaram, diante de parlamentares municipais decididos a avançar na regulamentação local do setor.
No centro das discussões permanece o alerta feito por Coxon ao deixar a Anthropic, quando acusou a empresa e a OpenAI de estarem "apostando nossas vidas" na corrida por sistemas cada vez mais poderosos. As propostas em tramitação no Conselho Municipal de Nova York, que incluem recompensas para denunciantes, direito de ação judicial para pessoas prejudicadas e validação independente de sistemas, buscam transformar esse debate em mecanismos concretos de proteção para a população.