Tony Ramos critica uso de inteligência artificial para recriar atores no audiovisual

O ator Tony Ramos se posicionou de forma contundente contra o uso de inteligência artificial para reproduzir digitalmente artistas no audiovisual. A declaração aconteceu durante sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, onde o veterano da teledramaturgia brasileira foi o convidado da edição que celebrou os 40 anos da atração. Para o ator, a substituição de pessoas por réplicas geradas por computador representa uma ameaça à autenticidade do trabalho artístico e levanta questões profundas sobre imagem, atuação e os limites da tecnologia na indústria do entretenimento.

Ao ser indagado sobre a possibilidade de ter sua própria imagem recriada por inteligência artificial, Tony Ramos foi enfático. Ele afirmou que, enquanto estiver vivo, não permitiria esse tipo de reprodução de nenhuma maneira. Na avaliação do ator, permitir que uma máquina reproduza seu rosto e sua voz para fins artísticos configura uma espécie de engano direcionado ao público que acompanha as produções audiovisuais. A fala reflete uma preocupação crescente entre profissionais da área, que temem perder espaço e controle sobre suas próprias identidades profissionais.

Tony Ramos bate o pé contra a inteligência artificial: ator repudia clonagem digital de artistas e revela ter sido vítima de deepfake - Imagem complementar

O ator também questionou os argumentos frequentemente utilizados por produtoras para justificar o uso da inteligência artificial nas produções. Segundo ele, a ideia de que a tecnologia reduziria custos ou melhoraria a qualidade das obras não passa de um pretexto. Para Tony Ramos, a verdadeira qualidade do trabalho artístico está ligada à presença humana diante das câmeras. Em suas palavras, a essência da atuação se constrói a partir de elementos que nenhuma máquina seria capaz de reproduzir, reforçando sua visão de que o talento humano é insubstituível nesse tipo de trabalho.

A discussão ganhou ainda mais relevância quando o ator relatou ter sido vítima de uma manipulação conhecida como deepfake, técnica que utiliza inteligência artificial para criar vídeos falsos extremamente realistas, simulando situações que nunca aconteceram. Nas redes sociais, circulou um conteúdo adulterado no qual aparecia em uma suposta entrevista com a apresentadora Ana Maria Braga, divulgando um remédio para próstata. O ator contou que sua imagem foi roubada e a gravação foi dublada de forma grosseira para associá-lo a uma publicidade que ele jamais realizou. O caso ilustra como a tecnologia pode ser usada de maneira prejudicial, afetando diretamente a imagem pública de artistas e personalidades.

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O episódio chamou atenção para alguns pontos sensíveis relacionados ao uso indevido dessa tecnologia. A inteligência artificial permite reproduzir digitalmente a aparência de uma pessoa com alto grau de fidelidade, alterar gravações existentes para criar situações completamente inventadas, atribuir divulgações comerciais a indivíduos que não participaram delas e utilizar as redes sociais como principal canal de disseminação desse tipo de conteúdo fraudulento. Todos esses elementos estiveram presentes no relato feito pelo ator durante a entrevista, o que tornou sua fala ainda mais relevante para o debate em curso.

Mesmo com toda a crítica, Tony Ramos reconheceu que a inteligência artificial já está incorporada à realidade atual e que não há como simplesmente ignorá-la. Para ele, a sociedade precisa aprender a conviver com essa tecnologia, estabelecendo limites claros para seu uso. O ator também afirmou que a decisão sobre uma eventual recriação de sua imagem após sua morte ficará a cargo de seus filhos e netos, evitando impor essa escolha às próximas gerações.

O posicionamento do ator acontece em um momento de intensos debates em Hollywood, onde profissionais do audiovisual já promoveram greves e manifestações para discutir os limites do uso da inteligência artificial no trabalho de artistas. A discussão envolve desde a substituição de atores por versões digitais até a utilização de imagens de artistas já falecidos em novas produções. Para Tony Ramos, embora a tecnologia faça parte dessa transformação em curso, ela jamais poderá substituir a presença humana diante das câmeras, elemento que ele considera indispensável para a existência de uma atuação autêntica e verdadeiramente capaz de emocionar o público.