Alibaba Cloud inicia operação no Brasil com data centers e aposta em IA agêntica

A Alibaba Cloud, divisão de computação em nuvem do grupo chinês Alibaba, começou a operar sua primeira região de cloud no Brasil. A estrutura inicial conta com dois data centers instalados no país e foi projetada para atender empresas, startups, desenvolvedores e instituições públicas que necessitam de serviços de nuvem executados em infraestrutura local. Com a estreia, o Brasil se torna a primeira operação da companhia na América do Sul.

Alibaba Cloud desembarca no Brasil com data centers locais e arsenal de IA agêntica para disputar o mercado de nuvem na América do Sul - Imagem complementar

A nova região brasileira reúne serviços de computação, armazenamento, redes, segurança, bancos de dados, big data, contêineres e tecnologias chamadas de cloud-native, que são soluções projetadas especificamente para operar em ambientes de nuvem. Na prática, isso permite que organizações executem cargas de trabalho críticas em infraestrutura localizada dentro do território nacional, sem depender de data centers em outros países.

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Segundo a Alibaba Cloud, a operação foi estruturada para oferecer baixa latência, alta disponibilidade e recursos de recuperação de desastres. A empresa também destaca que o modelo atende a requisitos locais de cibersegurança e governança de dados, temas cada vez mais relevantes para empresas que lidam com informações sob legislação brasileira. Com a abertura da região, a companhia passa a operar 106 zonas de disponibilidade, que são áreas geográficas que concentram data centers, distribuídas em 31 regiões no planeta.

Para Allen Guo, gerente geral da região da América Latina e vice-presidente de negócios internacionais da Alibaba Cloud Intelligence, o Brasil ocupa posição estratégica nos planos da empresa. O executivo afirmou que o país é uma das economias digitais mais dinâmicas do mundo e representa um novo mercado central para a expansão da Alibaba Cloud na América Latina.

Além da infraestrutura de nuvem, a companhia pretende levar ao mercado brasileiro um conjunto de ferramentas voltadas à criação e operação de agentes de inteligência artificial. Os agentes de IA são sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma, tomando decisões com base em objetivos definidos. Os serviços anunciados cobrem etapas que vão do desenvolvimento à implantação, manutenção e segurança dessas aplicações.

Entre os recursos previstos estão o ACS Agent Sandbox, destinado à execução de agentes em ambientes isolados; o DAS Agent e o Data Agent for Analytics, voltados a bancos de dados e à análise de informações; o Meta Agent e o DataWorks Data Agent, direcionados ao gerenciamento e à automação de dados; o STAROps e o NAPal, que oferecem suporte a operações de tecnologia da informação e redes; além do Agent Security Center, do AI Security Guardrails 2.0 e do Agentic SOC, voltados à segurança e à resposta a ameaças cibernéticas.

A expansão brasileira acontece em paralelo à ampliação da família de modelos de inteligência artificial Qwen, desenvolvida pela Alibaba. O comunicado menciona o Qwen3.8-Flash, que conta com 125 bilhões de parâmetros, isto é, valores numéricos ajustados durante o treinamento que determinam o comportamento do modelo. Também é citado o Qwen3.8-2.4T-A95B, que possui 2,4 trilhões de parâmetros totais e 95 bilhões de parâmetros ativos por inferência, configuração típica de modelos do tipo mistura de especialistas, nos quais apenas parte da rede é acionada a cada tarefa.

A Alibaba Cloud também firmou parcerias com empresas brasileiras para acelerar a adoção de suas tecnologias. A Insi pretende desenvolver soluções baseadas em cloud e IA da empresa chinesa para grandes e médias organizações. Já a 4Linux vai trabalhar com os modelos Qwen de código aberto, aqueles cujo acesso ao código-fonte é permitido para modificação e distribuição, em projetos de inteligência artificial generativa. A parceria também envolve o uso da infraestrutura de nuvem da Alibaba Cloud.

A nova região brasileira dá sequência ao plano de expansão internacional da companhia, que nos últimos anos estreou operações em outros mercados como México, França, Japão, Coreia do Sul e Malásia. Com a chegada ao Brasil, a empresa busca fortalecer sua presença na América Latina em um momento de forte demanda por serviços de nuvem e inteligência artificial por parte de empresas de diversos setores.

A combinação de infraestrutura local, ferramentas de IA agêntica e parcerias com companhias brasileiras indica que a Alibaba Cloud pretende disputar espaço no mercado nacional de nuvem, segmento dominado por grandes concorrentes globais. A oferta inclui desde serviços básicos de computação e armazenamento até recursos avançados de automação e segurança, posicionando a empresa como mais uma opção para organizações que buscam alternativas no setor.