Robôs humanoides ganham espaço público na China em meio a estratégia nacional de inteligência artificial

Shanghai foi palco de um verdadeiro carnaval de robôs durante um feriado público, com famílias inteiras comparecendo a um centro de pesquisa e desenvolvimento localizado na periferia da cidade para conhecer de perto as mais recentes criações da robótica chinesa. O evento reuniu demonstrações de cães robóticos, batalhas entre máquinas controladas remotamente e apresentações de humanoides que executam movimentos complexos diante do público.

Carnaval de Robôs na China: Humanoides Saem dos Laboratórios e Viram Estrelas Populares na Era da IA Embodied - Imagem complementar

O encontro reflete um momento importante para a robótica no país. A China vem adotando uma estratégia clara para incorporar a inteligência artificial em sistemas físicos, conceito conhecido como inteligência artificial embodied, que consiste em embutir tecnologias de IA em corpos mecânicos capazes de interagir com o ambiente. A ideia faz parte do mais recente plano quinquenal do governo chinês e tem impulsionado o setor, que já coloca empresas locais na liderança mundial do segmento de humanoides. Segundo dados divulgados, quase 90% dos mais de 13 mil robôs de dois braços e duas pernas entregues globalmente no último ano foram fabricados na China.

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O polo que sediou o carnaval abriga mais de cem empresas dedicadas à pesquisa, desenvolvimento, fabricação e comercialização de tecnologias robóticas. Além de modelos voltados ao entretenimento, o local reúne máquinas projetadas para tarefas práticas, como transporte de cargas pesadas e inspeção de tubulações de esgoto. A variedade de formatos expostos ajuda a mostrar ao público as diferentes aplicações possíveis para a robótica no cotidiano.

Entre as atrações voltadas ao público infantil, uma das mais procuradas foi um pequeno cão robótico, vendido como brinquedo e capaz de executar manobras como tentar ficar em pé sobre uma das patas. Em outra área, funcionários ensinavam crianças a programar um robô quadrúpede para subir uma escada. Mais adiante, duas máquinas controladas por controle remoto protagonizaram um duelo ao disparar pequenas esferas de água, arrancando aplausos da plateia que cercava o ringue improvisado.

A estratégia de aproximar a população dos robôs também envolve mostras de modelos funcionais. A empresa DexForce, por exemplo, apresentou um humanoide capaz de preparar café, conforme explicou o gerente de produtos Yang Duan. De acordo com ele, o objetivo desses humanoides é liberar as pessoas do trabalho físico e de tarefas cotidianas. Poucos estandes depois, um par de braços robóticos demonstrou habilidade ao tentar dobrar uma cesta cheia de camisetas.

Apesar do entusiasmo em torno do setor dentro da China, o desenvolvimento de humanoides em outras partes do mundo avança em ritmo mais lento. Os principais obstáculos envolvem questões de segurança ligadas ao peso e ao equilíbrio das máquinas em duas pernas, além do preço elevado e da curta duração das baterias. Muitos pesquisadores da área ainda demonstram ceticismo quanto à eficiência do formato humano como a melhor solução para robôs de serviço. Mesmo assim, as empresas chinesas seguem investindo e apresentando novas versões ao público.

A campanha de exposição dos humanoides não se limita a centros de pesquisa. Shopping centers e pontos turísticos em diversas cidades chinesas já contam com robôs que se apresentam regularmente para o público. Em Pequim, a cena chamou atenção quando robôs bípedes passaram a disputar meia-maratonas ao lado de corredores humanos. A combinação de demonstrações públicas e festividades temáticas tem ajudado a consolidar a imagem dos humanoides como parte da cultura urbana.

O ápice do carnaval em Shanghai aconteceu sob a tenda principal, onde dois humanoides protagonizaram apresentações de sucesso. Um deles, vestindo uma jaqueta brilhante, executou movimentos do boxe bêbado, um estilo de luta baseado em movimentos descompassados. Ao lado, outro humanoide realizou um salto mortal frontal, arrancando aplausos e gritos da plateia. Enquanto isso, um grupo de pequenos leões robóticos aguardava em fila a sua vez de entrar em cena.

O público reagiu com entusiasmo crescente e passou a pedir mais apresentações em coro. A reação dos visitantes ilustra o efeito que os organizadores parecem buscar ao promover esses eventos: criar familiaridade entre a população e as máquinas, transformando robôs antes restritos a laboratórios em figuras populares. A iniciativa se conecta diretamente à estratégia mais ampla do país de transformar a inteligência artificial, especialmente em sua forma embodied, em elemento presente no cotidiano das pessoas.