A OpenAI pretende concluir a abertura de seu capital até o próximo ano. A meta foi comunicada nesta quarta-feira (19) por Sarah Friar, diretora financeira da companhia, aos funcionários da empresa. A declaração representa a primeira indicação de prazo apresentada pelo comando do grupo desde o início dos trâmites de listagem em bolsa.

A OpenAI é a empresa responsável pelo ChatGPT e pelos modelos de linguagem da família GPT. O ChatGPT é um assistente de inteligência artificial que popularizou o uso comercial de sistemas generativos e colocou a companhia no centro da competição do setor. A decisão de levar o negócio ao mercado de ações marca uma transição relevante para uma organização que se financiou, até aqui, por meio de rodadas privadas de investimento.

OpenAI planeja abrir capital até 2027, diz diretora financeira - Imagem complementar

Em junho, a empresa havia confirmado o protocolo confidencial de documentos junto à SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, para uma oferta pública inicial. Na ocasião, nenhum cronograma foi divulgado. A fala de Friar agora conecta as duas etapas: o processo iniciado há poucos meses segue em andamento, com horizonte de conclusão em 2027.

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A oferta pública inicial, conhecida pela sigla IPO, é o mecanismo pelo qual uma empresa privada passa a vender ações ao público e a negociar os papéis em bolsa. A operação amplia o acesso de investidores comuns à companhia e costuma exigir níveis mais rigorosos de prestação de contas, com divulgação periódica de resultados e controles regulatórios.

Para empresas de tecnologia, o momento da oferta costuma depender de fatores como condições de juros, apetite de risco dos investidores e desempenho do setor. Mudanças nesses elementos podem encurtar ou estender o intervalo entre o protocolo inicial e a negociação efetiva das ações.

O protocolo confidencial é uma ferramenta do processo de abertura de capital nos Estados Unidos. Ele permite que a empresa prepare a documentação da oferta sob análise da SEC sem exposição pública imediata, preservando detalhes sensíveis até que a companhia decida avançar para as etapas finais da listagem. A SEC, por sua vez, é o órgão responsável por fiscalizar os mercados de valores mobiliários americanos e por aprovar os registros de ofertas públicas.

Sarah Friar ocupa o posto de diretora financeira da OpenAI, função que conduz as contas da empresa na fase que antecede a oferta. Antes de ingressar na companhia de inteligência artificial, a executiva acumulou trajetória em negócios de tecnologia, com passagens como diretora financeira do Salesforce e como presidente-executiva do Nextdoor, plataforma de redes de vizinhança.

A comunicação interna ocorre em um momento de acirramento da batalha da inteligência artificial entre os gigantes do setor. Grupos como Google, Microsoft, Meta e Anthropic, criadora do assistente Claude, disputam espaço na oferta de modelos, ferramentas corporativas e serviços baseados em IA, com pesados aportes em pesquisa, produtos e infraestrutura computacional.

Nesse cenário, o eventual ingresso da OpenAI em bolsa desloca parte da disputa para o campo financeiro. A listagem permitiria que investidores de mercado comprassem participação na companhia pela primeira vez, algo até agora restrito aos sócios privados envolvidos nas rodadas de capital. Capital de mercado é uma das vias usadas por empresas do setor para financiar a expansão de centros de dados e o desenvolvimento de novos modelos.

Até a fala de Friar, a empresa não havia indicado publicamente quando pretendia concluir a listagem. A janela de 2027 mencionada internamente reduz parte dessa incerteza, ainda que processos de abertura de capital estejam sujeitos a ajustes conforme as condições do mercado.

A companhia também não divulgou informações públicas sobre o volume de recursos a ser captado, a avaliação pretendida ou a bolsa em que as ações seriam negociadas. Esses detalhes normalmente ganham visibilidade apenas quando a documentação confidencial avança para a versão pública do registro.

Para profissionais de tecnologia, o movimento antecipa uma das estreias em bolsa mais relevantes do setor de inteligência artificial. Como companhia aberta, a OpenAI passaria a operar sob regras de divulgação obrigatória, ampliando o volume de informação disponível sobre receitas, despesas e estratégia corporativa.

O fato de o cronograma ter sido transmitido aos funcionários, e não em comunicado público, indica que o prazo ainda é tratado como informação interna. As próximas movimentações formais junto à SEC devem confirmar, ou revisar, o objetivo de concluir a oferta até o próximo ano.

A OpenAI segue, portanto, no rumo de se tornar uma companhia de capital aberto, com previsão estabelecida pela própria diretoria financeira. O prazo até 2027 fecha a lacuna deixada desde o protocolo de junho e dá contorno concreto ao que era, até agora, apenas uma intenção declarada.