Liquid AI expande família LFM2 com novos modelos otimizados para execução em dispositivos locais

A Liquid AI ampliou a disponibilidade de seus modelos da família LFM2 na plataforma Hugging Face, disponibilizando pesos abertos e pacotes de implantação otimizados para diferentes ambientes de execução. Os modelos foram projetados com foco em aplicações que exigem baixa latência, privacidade e operação fora de centros de dados tradicionais.

A família LFM2 inclui modelos voltados para diferentes escalas e finalidades. Entre os destaques estão o LFM2.5-VL-450M, voltado para tarefas visuais, o LFM2.5-350M, treinado com 28 trilhões de tokens, e o LFM2-24B-A2B, uma arquitetura do tipo MoE (mistura de especialistas, em que diferentes partes do modelo são acionadas conforme a necessidade da tarefa). Segundo a empresa, a proposta central é oferecer inteligência avançada em processadores que operam fora de data centers, respeitando as restrições de hardware do mundo físico.

Liquid AI expande família LFM2: inteligência artificial avançada rodando direto no seu dispositivo, sem depender da nuvem - Imagem complementar

Os modelos são distribuídos por meio de pesos abertos, permitindo que desenvolvedores os adaptem a necessidades específicas. A Liquid AI informa que já foram disponibilizadas mais de três mil variantes dos LFMs e que os arquivos ultrapassam 38 milhões de downloads acumulados. Os modelos podem ser executados em diferentes runtimes, que são ambientes de software responsáveis por carregar e processar o modelo, incluindo llama.cpp, MLX, ONNX, CoreML, SGLang e vLLM.

A estratégia da companhia é direcionada a dispositivos como smartphones, laptops, veículos e sistemas embarcados, além de aplicações em e-commerce, serviços financeiros, biologia e defesa. Parcerias com empresas como AMD e Mercedes já estão em operação, indicando a integração dos modelos em plataformas automotivas e de computação pessoal.

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O relatório técnico da família LFM2 destaca que os modelos oferecem suporte de implantação em processadores Qualcomm Snapdragon, em CPUs AMD Ryzen e em processadores genéricos. A documentação inclui guias de implantação e perfis de quantização, técnica que reduz o tamanho do modelo ao representar números com menor precisão, diminuindo o consumo de memória e acelerando a inferência sem perdas significativas de desempenho.

Entre os modelos especializados, o LFM2-ColBERT-350M foi avaliado no benchmark NanoBEIR Multilingual, uma versão condensada do BEIR estendida para incluir japonês e coreano. O conjunto de testes abrange treze tarefas diversificadas de recuperação de informação, incluindo verificação de fatos (FEVER e Climate FEVER), resposta a perguntas (Natural Questions, HotpotQA e FiQA) e recuperação de entidades (DBPedia e Quora). A empresa disponibilizou essa extensão multilingue como referência para reprodutibilidade.

A abordagem da Liquid AI se diferencia por priorizar modelos compactos capazes de operar localmente, em vez de depender exclusivamente de servidores em nuvem. Essa direção responde à crescente demanda por soluções de inteligência artificial que preservem a privacidade dos dados, reduzam a dependência de conectividade e ofereçam tempos de resposta mais curtos em aplicações embarcadas. A disponibilização dos pesos abertos e dos pacotes de implantação busca facilitar a adoção imediata em diferentes plataformas de hardware.

Com a expansão da família LFM2 e a ampliação das opções de execução, a Liquid AI reforça sua aposta em modelos leves e adaptáveis, voltados a cenários nos quais a infraestrutura de nuvem não é viável ou desejável. A combinação de pesos abertos, suporte multiplataforma e foco em eficiência posiciona a empresa como uma das proponentes da chamada IA nativa de dispositivo, termo utilizado para descrever modelos projetados desde a origem para rodar diretamente em equipamentos do usuário final.