A Meta e a SpaceXAI, empresa de inteligência artificial fundada por Elon Musk, divulgaram nesta semana modelos que alcançam desempenho próximo ao das líderes do setor, a OpenAI e a Anthropic, com dois diferenciais agressivos: preço menor e maior abertura técnica. Os anúncios tiram Mark Zuckerberg e Musk da posição de perseguidores que ocupavam nos últimos meses e recolocam as duas companhias na disputa de ponta do mercado de inteligência artificial.

A mudança é relevante porque, até pouco tempo, OpenAI e Anthropic corriam em uma pista separada, com sistemas mais capazes e ritmo de lançamento superior ao das grandes empresas de tecnologia tradicionais. A nova fase da competição deixa de girar apenas em torno de capacidade técnica e passa a envolver custo e distribuição, critérios que costumam afetar com rapidez os valores pagos por usuários e empresas pelo uso da tecnologia.

Zuckerberg e Musk encostam na OpenAI com modelos mais baratos - Imagem complementar

Do lado da Meta, controladora de Facebook e Instagram, Zuckerberg anunciou que a companhia vai abrir os pesos do Muse Spark 1.2, o conjunto de parâmetros internos que orienta o comportamento do modelo. Com a decisão, qualquer pessoa poderá baixar e executar o sistema, um movimento de abertura que contrasta com a estratégia de códigos fechados das rivais.

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O executivo também apresentou uma nova família de modelos, chamada Muse Glimmer, projetada para operar em notebooks, sem depender de servidores caros na nuvem. A Meta busca com os lançamentos demonstrar que o Meta Superintelligence Labs, seu laboratório dedicado à área, produz resultados capazes de justificar um plano de investimentos que pode alcançar 145 bilhões de dólares neste ano, diante da cobrança de acionistas.

Em seu discurso, Zuckerberg defendeu que uma inteligência artificial poderosa não deveria ficar concentrada nas mãos de poucas companhias. O fundador da Meta descreveu a proposta de uma superinteligência para todos, baseada em um agente pessoal capaz de compreender os objetivos e as preferências individuais de cada usuário.

A resposta de Musk veio com o Grok 4.6, novo modelo principal da SpaceXAI. A empresa afirma que o sistema alcança nível de desempenho comparável ao dos rivais de ponta, com foco em tarefas longas, programação e trabalho de escritório.

Na avaliação da Artificial Analysis, empresa independente que mede o desempenho de modelos de linguagem, o Grok 4.6 obteve nota 61. O resultado coloca o modelo empatado com o lançamento mais recente da OpenAI, criadora do ChatGPT, e um pouco atrás do Fable 5, da Anthropic, responsável pelo assistente Claude. O preço, segundo a própria SpaceXAI, é competitivo.

A distribuição também foi tratada como prioridade. O Grok 4.6 chega de imediato a plataformas como Cursor, OpenRouter, Vercel e Cloudflare, serviços usados por desenvolvedores e empresas para integrar modelos de inteligência artificial em aplicações próprias.

Análises internacionais publicadas na semana interpretaram os lançamentos como uma recuperação das duas companhias. O boletim Axios AI+ avaliou que Musk e Zuckerberg voltaram a se impor na elite da inteligência artificial, desafiando os obituários iniciais e reduzindo a distância para uma nova geração de empresas emergentes do Vale do Silício.

O informativo The Rundown destacou que o Grok 4.6 apresenta resultados em testes de referência que competem com opções de ponta como o Fable 5 e o GPT-5.6 Sol, cobrando 60% menos. Para a publicação, trata-se de uma virada expressiva para um modelo que já foi ridicularizado.

O analista Neil Shah, da consultoria Counterpoint Research, apontou em entrevista à emissora CNBC um risco estratégico para as companhias ocidentais. Segundo ele, se as gigantes do setor construírem apenas plataformas fechadas, desenvolvedores e empresas que criam soluções corporativas tenderão a migrar para modelos abertos com pesos de origem chinesa.

Entre as grandes empresas de tecnologia tradicionais, quem terminou a semana em posição pior foi o Google. A companhia lançou recentemente um modelo avaliado como decepcionante e já prometeu uma versão nova para as próximas semanas. Mesmo assim, atingiu a marca de 1 bilhão de usuários do Gemini, seu assistente de inteligência artificial, aproveitando o alcance de produtos como o buscador e os celulares com sistema Android.

A vantagem da OpenAI sobre as rivais, porém, pode voltar a crescer em breve. A empresa adiou o lançamento de seu próximo modelo, chamado Astra, por temer o potencial do sistema para realizar ataques cibernéticos.

Se os ganhos de desempenho anunciados pela Meta e pela SpaceXAI se sustentarem, a competição deixa de ser apenas uma disputa sobre qual modelo é mais inteligente e se transforma em uma guerra de preço e distribuição. Para o mercado, esse tipo de embate tende a pressionar para baixo os custos de adoção da tecnologia, tanto em aplicativos de consumo quanto em ferramentas profissionais.

A semana também reforça um movimento mais amplo do setor: a abertura técnica, com a liberação de pesos e a possibilidade de execução local em máquinas comuns, ganha espaço como argumento comercial. O desafio agora é verificar se os números divulgados pelas empresas se confirmam em uso real e se as líderes reagem com cortes de preço próprios.