O Governo de São Paulo iniciou a implementação do programa Rodoanel Seguro, que prevê a instalação de câmeras equipadas com inteligência artificial e tecnologia de reconhecimento facial ao longo dos 174 quilômetros do Rodoanel Mário Covas. O projeto, orçado em R$ 284 milhões pelo governador Tarcísio de Freitas, também inclui a construção de 56 quilômetros de muros inteligentes com sensores de intrusão em áreas vulneráveis. A iniciativa busca combater o histórico de assaltos a motoristas e roubos de carga na via que interliga as principais rodovias do país.

A Agência de Transportes de São Paulo (Artesp) coordena o projeto em conjunto com a Polícia Militar Rodoviária. Uma nova base do 6º Batalhão de Polícia Rodoviária foi inaugurada no dia 30 de junho no trecho norte do Rodoanel, como parte da estruturação do sistema. Os responsáveis pelo programa chegam a comparar a rodovia a um condomínio fechado, dado o nível de monitoramento planejado.

Rodoanel de SP receberá IA, reconhecimento facial e muros inteligentes - Imagem complementar

A previsão é concluir a primeira fase dos projetos executivos em dezembro de 2026, com início das obras em janeiro de 2027. O sistema será totalmente integrado ao centro de controle da polícia rodoviária desde o seu nascimento, diferentemente de sistemas convencionais de monitoramento, nos quais a integração costuma ocorrer de forma gradual.

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As câmeras panorâmicas de 360 graus equipadas com inteligência artificial farão análise contínua da rodovia. Os equipamentos serão capazes de identificar pessoas caminhando na pista, veículos trafegando na contramão, formação de congestionamentos, fumaça e neblina, entre outras situações de risco. A plataforma inteligente que coordenará todos os dispositivos emitirá informações e alertas em tempo real.

Ao detectar uma ocorrência, o sistema poderá desencadear automaticamente diversas ações simultâneas. Entre elas estão o direcionamento das câmeras mais próximas para o local do incidente, a geração de alertas e a disponibilização imediata de imagens para as equipes de segurança. Essa automação reduz o tempo de resposta da polícia rodoviária em situações críticas.

Os muros inteligentes representam outro componente central do projeto. Construídos com fibra óptica sensível, esses muros serão capazes de detectar tentativas de invasão em tempo real. Ao identificar uma intrusão, o sistema acionará automaticamente as câmeras mais próximas, que acompanharão o deslocamento da pessoa e enviarão alertas instantâneos ao centro de controle da polícia rodoviária.

O número total de câmeras ainda não foi definido, mas o trecho administrado pela concessionária SPMar, que engloba os trechos sul e leste em uma extensão de aproximadamente 120 quilômetros, contará com 30 unidades desse tipo de equipamento. Ainda em 2026, serão instaladas mais 81 câmeras com inteligência artificial nesse trecho, capazes de flagrar motoristas que usam celular enquanto dirigem e que não utilizam cinto de segurança. A primeira dessas câmeras entrou em operação no dia 1º de julho.

Andrew Aquino, gerente de operações da SPMar, afirma que se tratam de conjuntos de tecnologia para prevenir sinistros de trânsito, vandalismo e tentativas de roubo e furto. Ele destaca também que a iluminação inteligente prevista no projeto dará maior visibilidade, inclusive nas intervenções noturnas na rodovia.

Os equipamentos integrarão o Muralha Paulista, programa do governo estadual que utiliza câmeras para monitorar vias públicas. As três concessionárias que administram os quatro trechos do Rodoanel estão envolvidas na implementação do projeto. Como os investimentos não estão originalmente previstos nos contratos de concessão, os custos serão objeto de reequilíbrio econômico-financeiro pelo estado, segundo a Artesp, na forma da disciplina regulatória e contratual aplicável, ainda a ser definida.

O Rodoanel Mário Covas foi planejado nos anos 1990 para interligar as principais rodovias que chegam à capital paulista e retirar parte do tráfego de caminhões das vias urbanas. A obra foi dividida em quatro trechos: o oeste foi inaugurado em 2002, o sul em 2010 e o leste em 2014. O trecho norte, o mais polêmico, teve a construção iniciada em 2013 e ficou paralisada a partir de 2018.

A obra do trecho norte foi inicialmente orçada em R$ 4,3 bilhões, mas chegou a consumir cerca de R$ 6,85 bilhões até 2019, tornando-se alvo de investigação por suspeitas de superfaturamento e corrupção. As empreiteiras que integravam os consórcios, como Coesa, anteriormente conhecida como OAS, e Mendes Júnior, foram fortemente atingidas financeiramente pela operação Lava Jato, entraram em recuperação judicial e acabaram declaradas inidôneas pela União.

Em março de 2023, o consórcio Via Appia venceu a concessão para a conclusão das obras do trecho norte. O contrato foi assinado em agosto daquele ano e a retomada do projeto ocorreu em abril de 2024. Uma parte do trecho, entre as rodovias Fernão Dias e Presidente Dutra, foi inaugurada no fim de 2025, e a última etapa está prometida para 2026.

A expectativa é que o número de câmeras com inteligência artificial no trecho da SPMar suba para 127 unidades em 2027. O programa Rodoanel Seguro representa um esforço significativo de aplicação de tecnologias de inteligência artificial em infraestrutura de mobilidade urbana no Brasil, combinando monitoramento automatizado, detecção de infrações de trânsito e prevenção de crimes em uma única plataforma integrada.