Funcionários do Google entregam petição com mais de 4,500 assinaturas pedindo proteção contra demissões em meio à expansão da inteligência artificial
Na última quinta-feira, mais de 4,5 mil funcionários do Google entregaram uma petição à direção da empresa na Califórnia, nos Estados Unidos, exigindo medidas de proteção contra demissões em um cenário de crescente adoção de inteligência artificial. O documento foi encaminhado ao presidente-executivo da companhia, Sundar Pichai, e representa a maior mobilização de trabalhadores já organizada pelo Alphabet Workers Union, sindicato que representa os empregados do Google e de outras empresas do grupo.
A iniciativa reúne cerca de 4,5 mil assinaturas de funcionários que defendem regras mais rígidas para garantir a segurança no emprego. Entre as principais reivindicações estão indenizações asseguradas em caso de desligamento, a oferta de pacotes de saída voluntária antes da realização de cortes obrigatórios em qualquer área de produto e mudanças no sistema interno de avaliação de desempenho. Os trabalhadores também solicitam que as indenizações possam ser convertidas em períodos prolongados de licença remunerada.
A mobilização foi liderada pelo Alphabet Workers Union, que representa trabalhadores do Google e demais empresas do grupo. Após o ato, a presidente do sindicato e engenheira de software do Google, Parul Koul, afirmou que a petição foi recebida por um membro da equipe do escritório de Pichai, que se comprometeu a encaminhar o material ao executivo. Segundo a sindicalista, os funcionários encontraram portas fechadas e a entrega do documento terminou sem uma resposta imediata da liderança da empresa.
A petição foi entregue após uma série de cortes de pessoal promovidos pelo Google nos últimos meses, período em que a companhia também ampliou significativamente seus investimentos em inteligência artificial. A empresa não confirmou publicamente se a tecnologia teve participação direta nas demissões, mas a suspeita entre os trabalhadores é de que a adoção crescente de ferramentas de IA esteja sendo utilizada como justificativa para novas dispensas. Para o sindicato, a redução de equipes não seria resultado de dificuldades financeiras, mas de uma escolha administrativa voltada à priorização de lucros.
Parul Koul destacou durante coletiva de imprensa realizada em frente à sede da companhia que o Google atravessa um momento de forte valorização econômica. Em suas declarações, a presidente do sindicato afirmou que os cortes não representam decisões difíceis, mas sim a opção de colocar o lucro acima das pessoas que fazem a empresa funcionar. A manifestação também retomou críticas às demissões realizadas pelo Google em 2023, com participantes protestando e entoando palavras de reprovação à postura da companhia.
A pressão dos funcionários não se limita ao Google. Outras grandes empresas de tecnologia também aparecem no debate sobre os impactos da inteligência artificial sobre o emprego. A Oracle indicou em seu relatório anual mais recente que a adoção mais ampla de IA pode continuar provocando reduções em sua força de trabalho, após cortar cerca de 21 mil vagas ao longo do último ano. A Block, por sua vez, reduziu aproximadamente 4 mil funcionários neste ano, e o presidente-executivo Jack Dorsey atribuiu os cortes à busca por ganhos de eficiência por meio da inteligência artificial. A Microsoft também anunciou redução de empregos enquanto ampliava investimentos na área.
A Meta igualmente foi alvo de uma ação judicial movida por funcionários que afirmam que ferramentas de inteligência artificial teriam sido usadas para classificar quais trabalhadores seriam incluídos nos cortes de pessoal. A empresa contestou as acusações e declarou que as alegações não teriam fundamento. No campo sindical, o Alphabet Workers Union já havia obtido uma conquista anterior ao garantir pacotes voluntários de saída para mais de 70 mil trabalhadores, mas os representantes afirmam que outras reivindicações permanecem sem resposta por parte da direção.
A preocupação individual também ganhou voz durante o ato. O engenheiro de software Dan Freedman, integrante do sindicato e atuante no desenvolvimento de ferramentas de IA voltadas a designers, relatou temer pela permanência em seu próprio cargo. Segundo ele, a partir do momento em que a tecnologia se tornou parte das exigências do trabalho, passou a se questionar sobre seu futuro na empresa. Sua declaração reflete o clima de incerteza vivido por parcela dos trabalhadores da companhia, que veem na inteligência artificial tanto uma ferramenta de trabalho quanto uma possível ameaça à estabilidade profissional.