A Copa do Mundo de 2026 ficará marcada não apenas pelo número recorde de 48 seleções participantes, mas também pela estreia de uma ferramenta de inteligência artificial aplicada igualmente a todas as equipes. Pela primeira vez na história do torneio, cada delegação que disputou a competição utilizou o FIFA AI Pro, sistema desenvolvido pela Lenovo em parceria com a FIFA para oferecer análises táticas avançadas.

O sistema reúne e examina milhões de pontos de dados e mais de duas mil métricas para gerar relatórios, gráficos, animações e outros recursos voltados à preparação de partidas. A proposta central é permitir que seleções com menor orçamento ou em sua primeira participação tenham acesso ao mesmo nível de análise historicamente concentrado nas federações de maior poder financeiro.

Inteligência Artificial no Futebol: Como o FIFA AI Pro Revolucionou a Copa do Mundo de 2026 - Imagem complementar

De acordo com a Lenovo, o FIFA AI Pro foi construído sobre a plataforma de agentes conhecida como xIQ e opera na infraestrutura chamada Lenovo AI Factory. A empresa classifica o sistema como um Superagente de Conhecimento, por ser capaz de coordenar múltiplos agentes de inteligência artificial que processam milhões de informações em poucos minutos e entregam relatórios prontos para uso das comissões técnicas.

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A adoção da ferramenta aconteceu em uma edição do torneio marcada por resultados considerados surpreendentes. Cabo Verde, estreante em Copas, encerrou sua campanha invicta no tempo regulamentar ao empatar com a Espanha na primeira fase e só foi eliminada na prorrogação diante da Argentina, nas oitavas de final. Outra seleção em sua primeira participação, Curaçao, empatou com o Equador, enquanto a República Democrática do Congo obteve igualdades diante de Colômbia e Portugal, e Gana segurou a Inglaterra em empate.

A própria Alemanha, tetracampeã mundial, acabou eliminada precocemente após derrota para o Paraguai. Segundo a Lenovo, embora esses resultados decorram de uma combinação de fatores, todas as seleções tiveram acesso à mesma plataforma de análise ao longo do torneio, sem diferenciação entre grandes potências e equipes debutantes.

Para Arsène Wenger, diretor de Desenvolvimento Global do Futebol da FIFA, a chegada do FIFA AI Pro representa uma mudança estrutural na rotina de treinadores e analistas. O dirigente explicou que a automação da busca, organização e interpretação de grandes volumes de dados e conteúdo de vídeo libera os profissionais das comissões técnicas para se dedicarem ao que considera mais relevante, que é a geração de insights de desempenho e a tomada de decisões táticas antes e depois das partidas.

A plataforma foi desenvolvida em colaboração com analistas de futebol e se apoia na chamada Linguagem de Futebol da FIFA, um modelo criado para compreender termos, conceitos e relações específicas do esporte. O sistema consegue interpretar sinônimos, responder a consultas em diferentes idiomas e trabalhar com conceitos hierárquicos ligados ao futebol. Além disso, realiza cálculos em tempo real, interpreta várias métricas simultaneamente e aplica raciocínio contextual para alternar entre modos de processamento rápido e aprofundado conforme a necessidade de cada consulta.

O FIFA AI Pro também vai além das respostas em texto. As análises são acompanhadas de recursos visuais que incluem gráficos, widgets específicos para futebol, trechos das transmissões oficiais da Copa do Mundo e recriações tridimensionais das jogadas. Esses materiais permitem visualizar cada lance sob diferentes ângulos e posições do campo, ampliando os elementos disponíveis para a leitura técnica das partidas.

Para Ken Wong, vice-presidente executivo e presidente do grupo de Soluções e Serviços da Lenovo, o projeto simboliza a aplicação prática da estratégia da empresa de ampliar o acesso à inteligência artificial. O executivo destacou que o FIFA AI Pro levou os mesmos recursos analíticos a todas as equipes que disputaram a Copa de 2026, independentemente do porte de suas federações, contribuindo para nivelar a preparação das seleções em um torneio marcado pelo equilíbrio entre favoritos tradicionais e estreantes.