A Copa do Mundo da Fifa de 2026 está servindo como o maior campo de testes já visto para inteligência artificial no esporte. O torneio, sediado em conjunto por Estados Unidos, México e Canadá, introduziu uma versão evoluída da tecnologia de impedimento semiautomático que combina sensores de alta frequência embarcados na bola, um conjunto de 16 câmeras instaladas em cada estádio e processamento por inteligência artificial para analisar lances em tempo real. O resultado é uma redução drástica no tempo de checagem em comparação com as Copas anteriores, com decisões que antes levavam minutos agora sendo tomadas em segundos.

O tempo médio de verificação dos lances de impedimento caiu para uma faixa entre 25 e 70 segundos, segundo informações sobre os novos equipamentos. Esse intervalo representa um salto expressivo em relação às edições de 2018 e 2022, quando o árbitro de vídeo, conhecido pela sigla VAR, frequentemente exigia paradas prolongadas que interrompiam o fluxo da partida e geravam frustração entre torcedores. A Fifa, entidade que organiza o torneio, tratou de enfrentar essa crítica ao investir em uma infraestrutura tecnológica mais robusta.

Copa 2026 usa IA para acelerar decisões de impedimento em segundos - Imagem complementar

No coração do sistema está uma bola equipada com sensores capazes de capturar dados de movimento em alta frequência. Esses sensores registram com precisão o instante exato em que o pé do jogador toca a esfera no momento do passe, informação essencial para determinar se um atacante está ou não em posição irregular. Em paralelo, as 16 câmeras distribuídas no estádio mapeiam continuamente a posição de todos os jogadores em campo, processando esses dados em milissegundos.

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A combinação dessas duas fontes de dados é processada por algoritmos de inteligência artificial que cruzam as informações em tempo real. O sistema gera avatares digitais dos jogadores, representações tridimensionais que permitem à equipe de arbitragem visualizar com clareza a posição de cada atleta no momento preciso do toque na bola. Esses avatares são projetados em monitores na sala de vídeo e também podem ser exibidos para o público nos telões dos estádios e nas transmissões televisivas, aumentando a transparência do processo decisório.

O sistema já esteve em destaque em partidas da fase de grupos do torneio, especialmente em jogos envolvendo a seleção brasileira. Um dos episódios mais comentados ocorreu na partida contra o Haiti, quando um gol de Raphinha foi anulado após a tecnologia detectar impedimento milimétrico. O lance reacendeu debates sobre os limites da precisão tecnológica e sobre como a arbitragem deve lidar com margens tão pequenas que seriam imperceptíveis a olho nu.

Além do impedimento semiautomático, a Fifa ampliou o uso de inteligência artificial em outras áreas da operação do torneio. O reconhecimento facial foi implementado nos portões de acesso dos estádios como ferramenta de segurança, permitindo identificar torcedores de forma automatizada e agilizar a entrada nos locais de jogo. A chamada arbitragem digital, que integra diferentes sistemas eletrônicos para apoiar as decisões dos árbitros em campo, também ganhou espaço nesta edição.

A soma dessas tecnologias posiciona a Copa de 2026 como um marco na aplicação de inteligência artificial fora do ambiente digital puro. Enquanto grande parte dos debates sobre IA se concentra em modelos de linguagem e geração de conteúdo, o torneio demonstra como a tecnologia pode atuar em cenários físicos, com consequências diretas sobre resultados esportivos e experiências de milhões de espectadores.

O impacto sobre a experiência do torcedor é um dos pontos destacados por especialistas que acompanham a iniciativa. A redução do tempo de espera nas decisões de vídeo diminui as interrupções e mantém o ritmo das partidas mais próximo do que se espera em uma competição de alto nível. Ao mesmo tempo, a possibilidade de visualizar os avatares digitais e compreender o raciocínio por trás de cada decisão aumenta a percepção de justiça e transparência.

A Fifa tem tratado a Copa de 2026 como uma oportunidade de validar tecnologias que podem ser incorporadas definitivamente ao futebol profissional nos próximos anos. A entidade trabalha com fornecedores especializados em captura de dados e processamento de imagem, e os resultados obtidos no torneio servirão de base para ajustes e aperfeiçoamentos futuros do sistema.

Para profissionais de tecnologia, o caso da Copa de 2026 ilustra um padrão que tende a se repetir em outros setores: a combinação de sensores físicos, processamento em tempo real e modelos de inteligência artificial abrindo possibilidades que antes eram restritas à ficção científica. No esporte, isso se traduz em decisões mais rápidas e precisas. Em outras áreas, da indústria aos serviços, aplicações semelhantes podem redefinir processos que dependem de análise instantânea de dados do mundo físico.