A Amazon anunciou nesta quinta-feira, dia 18 de junho, o lançamento da Alexa+ no Brasil, nova versão de sua assistente virtual que passa a contar com inteligência artificial generativa, tecnologia similar à usada pelo ChatGPT. A atualização representa a maior reformulação da plataforma desde sua criação e promete transformar a forma como os usuários brasileiros interagem com os dispositivos da linha Echo, da fabricante de eletrônicos controlada pela própria Amazon.

A novidade já estava disponível nos Estados Unidos desde 2025 e agora chega ao mercado brasileiro em liberação gradual. Assinantes do Amazon Prime, programa de benefícios da empresa que custa R$ 19,90 por mês, terão acesso ao recurso sem custo adicional. Para quem não é assinante, o valor da Alexa+ é de R$ 99,90 mensais.

Amazon lança Alexa+ no Brasil com inteligência artificial gerativa - Imagem complementar

A empresa informou que dezenas de milhares de clientes serão convidados nas próximas semanas, com expansão contínua do serviço. Os interessados em entrar na fila de acesso podem se cadastrar pelo site da Amazon ou simplesmente dizer ao dispositivo Echo a frase de comando para solicitar a ativação. Quem adquirir novos aparelhos da marca a partir desta data também terá acesso antecipado.

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Até então, a Alexa funcionava principalmente com base em comandos pré-programados e modelos preditivos, o que limitava o alcance das interações a solicitações específicas e previsíveis. Com a incorporação da inteligência artificial generativa, a assistente passa a operar de maneira semelhante a ferramentas como ChatGPT, da OpenAI, Gemini, do Google, e Claude, da Anthropic, todas capazes de gerar respostas mais elaboradas e contextuais.

A principal mudança percebida pelo usuário está na qualidade da conversa. Segundo a Amazon, a Alexa+ oferece interações mais fluidas e naturais, compreende expressões brasileiras — incluindo variações regionais — e abandona grande parte do comportamento robótico característico das versões anteriores. A assistente também passou a suportar múltiplos comandos dentro de uma mesma conversa, sem necessidade de repetir palavras de ativação a cada solicitação.

Outro avanço importante é a memória conversacional. A Alexa+ consegue reter informações discutidas anteriormente e retomar assuntos ao longo do diálogo. Essa capacidade permite que a assistente aprenda preferências do usuário ao longo do tempo, como estilos musicais favoritos e restrições alimentares, personalizando progressivamente suas respostas e sugestões.

A integração com serviços externos amplia consideravelmente o leque de funcionalidades. Conectada à agenda do usuário, a Alexa+ pode consultar compromissos e ajudar na organização do dia. Vinculada a um serviço de e-mail, ela é capaz de redigir mensagens e enviá-las por comando de voz. A Amazon destaca que essas integrações dependem da conexão prévia com as respectivas plataformas.

A personalização também se estende a ações práticas dentro de casa. Em demonstrações realizadas pela empresa, se o usuário disser que está com frio, a assistente pode automaticamente ajustar a temperatura do ar-condicionado, desde que o aparelho esteja conectado à plataforma inteligente da Amazon. Esse tipo de ação inferida a partir de um comando indireto era impossível na versão anterior.

A Amazon adiantou ainda que, em breve, será possível pedir à Alexa+ que solicite uma corrida do Uber. Ao receber o comando, a assistente confirmará com o usuário o destino, a categoria do veículo, o valor da corrida e o tempo estimado de chegada antes de efetivar a solicitação. O processo, porém, não é instantâneo. Em demonstrações da empresa, a conclusão da tarefa levou alguns minutos, pois a assistente precisa se conectar a serviços externos para executar cada etapa.

A compatibilidade dos dispositivos também foi detalhada no anúncio. A Alexa+ funcionará na maioria dos aparelhos da linha Echo, à exceção dos modelos de primeira geração, que não possuem capacidade de processamento suficiente para a nova tecnologia. A recomendação da empresa é que usuários com equipamentos mais antigos verifiquem a compatibilidade antes de tentar a ativação.

Para ampliar o uso da assistente além do ambiente doméstico, a Amazon anunciou um novo aplicativo dedicado à Alexa+. A ferramenta permitirá que os usuários continuem interagindo com a assistente mesmo quando estiverem fora de casa, usando o smartphone como interface de comunicação. Esse movimento indica a estratégia da empresa de transformar a Alexa em um assistente pessoal ubíquo, e não apenas um recurso vinculado a alto-falantes inteligentes.

A chegada da Alexa+ ao Brasil acontece em um momento de acirramento da concorrência entre assistentes virtuais baseados em inteligência artificial. O ChatGPT consolidou-se como referência no segmento de modelos de linguagem desde seu lançamento, e gigantes como Google e Anthropic investem pesadamente em soluções concorrentes. A renovação da Alexa pode ser interpretada como uma resposta direta da Amazon a essa disputa, posicionando sua plataforma como alternativa viável no crescente ecossistema de assistentes alimentados por inteligência artificial generativa.

Com a liberação gradual iniciada nesta semana, os próximos meses serão decisivos para avaliar a adoção do público brasileiro e a eficácia das melhorias prometidas. O sucesso da Alexa+ dependerá não apenas da qualidade das respostas, mas também da robustez das integrações com serviços de terceiros e da confiabilidade da memória conversacional em cenários reais de uso prolongado.