A presidente da Microsoft Brasil, Priscyla Laham, afirmou durante o Web Summit Rio, realizado nesta quarta-feira (10), que o Brasil está entre os países com maior potencial para se beneficiar da expansão da inteligência artificial no mundo. A declaração vai além do reconhecimento das vantagens energéticas do país e aponta para a capacidade brasileira de gerar valor na cadeia produtiva da tecnologia, com destaque para a força de trabalho qualificada e o ritmo acelerado de adoção de novas soluções digitais.
O Web Summit Rio é uma das maiores conferências de tecnologia e inovação do mundo, reunindo executivos, empreendedores e investidores para discutir tendências do setor. O evento, realizado no Rio de Janeiro, serviu de palco para a executiva detalhar a visão da Microsoft sobre o papel do Brasil no cenário global de inteligência artificial.
Questionada sobre o risco de o Brasil ficar restrito ao papel de fornecedor de infraestrutura, Priscyla Laham foi enfática ao afirmar que os motivos pelos quais a Microsoft investe no país vão muito além da energia limpa. Segundo ela, o país possui ativos que ultrapassam a simples capacidade de abrigar centros de processamento de dados, como a combinação de uma população altamente digitalizada, a busca das empresas por produtividade e um ecossistema robusto de desenvolvedores.
A Microsoft é uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, proprietária de plataformas como o Azure, serviço de computação em nuvem concorrente do Amazon Web Services, e do GitHub, principal plataforma mundial de hospedagem de código-fonte e colaboração entre programadores. É justamente no GitHub que reside um dos indicadores mais relevantes citados por Priscyla Laham: o Brasil conta com quase 5 milhões de profissionais cadastrados na plataforma, número que coloca o país em posição privilegiada para o desenvolvimento de novos produtos, serviços e startups voltados à inteligência artificial.
Esse contingente de desenvolvedores é visto pela executiva como um fator decisivo para o surgimento de novos negócios. Em sua avaliação, a existência de um ecossistema rico de profissionais de tecnologia cria condições para que o Brasil não apenas consuma soluções importadas, mas também produza e exporte tecnologia baseada em inteligência artificial.
O investimento da Microsoft no Brasil reforça essa aposta. Em 2024, a empresa anunciou um plano de R$ 14,7 bilhões destinados à infraestrutura de nuvem e inteligência artificial no país, com vigência até 2027. O montante contempla a expansão de data centers, incluindo unidades em São Paulo, e programas de capacitação que pretendem treinar 5 milhões de brasileiros em inteligência artificial ao longo de três anos.
Embora os data centers sejam peças fundamentais para garantir acesso à tecnologia, Priscyla Laham destacou que o principal potencial econômico está na capacidade de empresas e profissionais brasileiros utilizarem essa infraestrutura como base para desenvolver soluções próprias. A visão da executiva é a de que o Brasil pode evoluir de mero consumidor para protagonista na criação de aplicações de inteligência artificial.
A rapidez com que os brasileiros adotam novas tecnologias foi outro diferencial apontado pela presidente da Microsoft Brasil. Segundo ela, quando a inteligência artificial é adicionada a um mercado com essa característica, o país se torna um dos que mais têm a ganhar. A demanda interna das empresas por ganhos de eficiência impulsiona a adoção de ferramentas baseadas em modelos de linguagem e aprendizado de máquina, acelerando o ciclo de inovação.
O cenário global de investimentos bilionários em inteligência artificial tem gerado debate sobre quais países assumirão papéis de liderança e quais ficarão restritos a funções secundárias, como fornecimento de energia e espaço físico para servidores. Países como a China avançam rapidamente na construção de data centers, intensificando a competição por infraestrutura. Nesse contexto, a avaliação da Microsoft é a de que o Brasil possui diferenciais suficientes para não se limitar a esse papel.
Para Priscyla Laham, a combinação entre investimentos em tecnologia, qualificação profissional e adoção ampla de inteligência artificial pode posicionar o Brasil entre os países que mais se beneficiarão da nova onda tecnológica. A existência de energia limpa e excedente é reconhecida como um atrativo importante para a instalação de centros de processamento de dados, mas não é vista como o único fator determinante.
A fala da executiva no Web Summit Rio sinaliza a confiança de um dos maiores grupos tecnológicos do planeta na capacidade do mercado brasileiro de gerar inovação em inteligência artificial. Com quase 5 milhões de desenvolvedores no GitHub, investimentos bilionários em curso e programas de capacitação em larga escala, o Brasil acumula condições que podem transformar o país em um dos polos mais dinâmicos da economia digital baseada em IA nos próximos anos.