Vendas de DRAM disparam 85,8% no primeiro trimestre de 2026 puxadas por datacenters de inteligência artificial
O mercado global de memórias DRAM passou por uma transformação significativa nos últimos meses, impulsionado pela crescente demanda de datacenters dedicados à inteligência artificial. Segundo dados recentes, as vendas do componente registraram alta de 85,8% em comparação com o quarto trimestre de 2025, refletindo uma mudança estrutural na alocação de produção dos principais fabricantes de chips de memória.
A DRAM é um tipo de memória de acesso aleatório dinâmico, amplamente utilizada em servidores, computadores e dispositivos eletrônicos. No contexto atual, esse componente se tornou peça fundamental para a operação de servidores que hospedam serviços de inteligência artificial, já que essas aplicações exigem grande capacidade de processamento e armazenamento temporário de dados. Com a expansão dos datacenters voltados à IA, a procura por memórias de alto desempenho disparou, e os fabricantes passaram a redirecionar parte relevante de sua produção para atender esse segmento.
A Samsung foi a empresa que mais se beneficiou desse movimento. A fabricante sul-coreana registrou aumento de 95,4% em suas vendas de DRAM, atingindo a marca de 37,4 bilhões de dólares no período, o que equivale a aproximadamente 187 bilhões de reais na cotação atual. Com esse resultado, a companhia ampliou sua participação no mercado global de memórias DRAM para 36,5%, consolidando-se na liderança do setor. Os números foram divulgados pelo site SamMobile e representam um salto expressivo em relação ao trimestre anterior.
Enquanto a Samsung comemorou os resultados, suas principais concorrentes enfrentaram um cenário diferente. A SK Hynix fechou o primeiro trimestre de 2026 com 28,8% de participação no mercado de DRAM, enquanto a Micron ficou com 22,4%. A queda relativa dessas fabricantes diante do crescimento da Samsung indica uma concentração ainda maior do mercado em torno da líder, em um momento em que a demanda por memórias para inteligência artificial segue em expansão.
O aumento das vendas de DRAM veio acompanhado de uma elevação nos preços dos chips, o que tem provocado efeitos colaterais em outros segmentos da indústria de eletrônicos. A maior parte da capacidade de produção foi deslocada para componentes voltados a datacenters, deixando em segundo plano as memórias destinadas a produtos de consumo, como câmeras, celulares e notebooks. Como resultado, fabricantes desses dispositivos têm enfrentado dificuldades para precificar e até mesmo produzir novas unidades.
A GoPro é um dos exemplos mais recentes de empresa afetada por esse cenário. A companhia revelou dificuldades para pagar empréstimos após uma queda no faturamento, situação diretamente relacionada ao aumento dos preços dos chips de memória. A própria Samsung, que lucra com a fabricação de DRAM, admitiu que a escassez de memória RAM para seus produtos mobile deve resultar em preços mais altos para o consumidor final.
O mercado de videogames também sentiu os impactos da crise de memória. O Steam Deck OLED, portátil da Valve, e o Nintendo Switch 2, novo console híbrido da Nintendo, foram lançados com preços mais elevados, em parte justificados pelo custo crescente dos componentes. A Sony também se manifestou sobre o tema, apontando a escassez de chips como um dos desafios para o desenvolvimento do futuro PlayStation 6, o sucessor do PS5. Antes mesmo das declarações sobre o novo console, a gigante japonesa já havia suspendido a venda de cartões de memória em meio à crise de abastecimento.
Além dos chips de memória RAM em si, a alta nos preços de semicondutores também tem afetado o mercado de SSDs, unidades de armazenamento que utilizam memórias flash do tipo NAND. Com a redução da oferta de componentes para esse segmento, os preços dos SSDs tendem a subir, impactando tanto consumidores finais quanto fabricantes de computadores e servidores.
O cenário atual evidencia um descompasso entre a demanda crescente por infraestrutura de inteligência artificial e a capacidade de produção da indústria de semicondutores. Enquanto datacenters absorvem a maior parte da oferta de memórias DRAM, segmentos tradicionais da tecnologia enfrentam escassez e encarecimento. Para os fabricantes, o momento é de reorganização estratégica, com investimentos sendo direcionados para o segmento que mais cresce. Para o consumidor, no entanto, a tendência é de preços mais altos em uma ampla gama de produtos eletrônicos até que o equilíbrio entre oferta e demanda seja restaurado.