A Apple anunciou nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026, durante a conferência WWDC, a criação do Siri AI, uma versão totalmente reformulada de sua assistente virtual que agora conta com um aplicativo dedicado e funcionalidades avançadas de inteligência artificial. A novidade representa a maior atualização da Siri desde seu lançamento e chega em um momento em que a empresa buscava responder à crescente concorrência de assistentes baseados em modelos de linguagem, como o ChatGPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic.

O novo aplicativo da Siri AI começou a ser liberado para desenvolvedores nesta segunda-feira. Os demais usuários terão acesso a uma versão de testes nos próximos meses, inicialmente restrita a aparelhos compatíveis configurados em inglês. A previsão é que mais idiomas sejam adicionados em atualizações futuras.

Apple anuncia Siri AI com aplicativo próprio focado em inteligência artificial - Imagem complementar

A interface do aplicativo foi redesenhada e guarda semelhança visual com o ChatGPT, funcionando como uma conversa por mensagens. Em determinadas situações, a assistente também pode aparecer sobreposta a outros aplicativos, mantendo a fluidez no uso do dispositivo.

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Uma das principais mudanças em relação à Siri original é a possibilidade de manter um histórico completo de conversas com a ferramenta. Isso permite que a assistente recupere informações de interações anteriores, oferecendo respostas mais contextualizadas e coerentes ao longo do tempo.

Além da memória de conversa, a Siri AI é capaz de analisar o histórico de mensagens do usuário em busca de dados relevantes, como compromissos, endereços ou preferências pessoais. A assistente também pode interpretar o conteúdo exibido na tela do dispositivo para responder a perguntas específicas sobre o que está sendo visualizado.

Outra funcionalidade importante é a capacidade de realizar buscas em tempo real na internet para compor suas respostas. Essa integração com a web permite que a Siri AI forneça informações atualizadas, como ingressos para shows, dados sobre eventos ou indicações de locais onde fotografias foram tiradas.

A Siri AI também traz integração com programas de edição de texto. Os usuários poderão solicitar que a assistente crie textos do zero ou revise e edite conteúdos já escritos, ampliando significativamente o leque de tarefas possíveis com a ferramenta.

Dispositivos como iPad, Mac e o headset de realidade mista Vision Pro receberão o recurso de Visual Intelligence, que permite à inteligência artificial reconhecer e analisar imagens captadas pelas câmeras ou armazenadas no dispositivo. A tecnologia amplia as possibilidades de interação visual com a assistente.

No aspecto de interação por voz, a Apple anunciou que as vozes da Siri AI são mais expressivas e contam com pronúncia mais natural. Os usuários também terão opções para personalizar o tom de voz da assistente, tornando a experiência mais individualizada.

Toda a estrutura da Siri foi reconstruída sobre o Apple Intelligence, o pacote de tecnologias de inteligência artificial da empresa. As operações são executadas diretamente nos dispositivos do usuário e, quando necessário, em uma nuvem privada controlada pela Apple. A empresa reforçou que essa arquitetura foi pensada para preservar a privacidade dos dados pessoais.

A Siri foi lançada em 2011 e atualmente está disponível em cerca de 2,5 bilhões de dispositivos da Apple em todo o mundo. Apesar dessa base expressiva de usuários, boa parte dos consumidores passou a recorrer a ferramentas como o ChatGPT e o Claude para tarefas mais complexas de linguagem e raciocínio, o que aumentou a pressão de analistas do mercado sobre a empresa.

A avaliação dos analistas era de que a Apple não conseguia aproveitar o potencial da Siri para tratar dados como e-mails, mensagens e compromissos de calendário e, com isso, melhorar a experiência de uso. O lançamento do Siri AI parece ser uma resposta direta a essas críticas, colocando a assistente em posição mais competitiva no cenário atual de inteligência artificial.

Com a reformulação, a Apple sinaliza que pretende transformar a Siri de uma assistente de comandos simples em uma ferramenta de IA capaz de compreender contexto, manter conversas prolongadas e interagir de forma mais profunda com os dados e aplicativos do usuário. A disponibilização gradual, começando por desenvolvedores e avançando para o público geral, indica uma estratégia cautelosa de validação antes de uma chegada em escala.