Banco Standard Chartered pede desculpas após polêmica de CEO sobre substituição de funcionários por inteligência artificial
O presidente-executivo do Standard Chartered, Bill Winters, pediu desculpas publicamente após provocar uma forte onda de críticas ao se referir a parte dos funcionários que seriam afetados por cortes ligados à inteligência artificial como "capital humano de menor valor". A polêmica surgiu depois que o banco com sede em Londres anunciou planos para eliminar aproximadamente 7.800 cargos de back-office, principalmente em resposta aos avanços da inteligência artificial no setor financeiro. A instituição foi uma das primeiras grandes instituições financeiras globais a detalhar medidas desse tipo.
As declarações de Winters foram feitas durante um evento para investidores em Hong Kong. Na ocasião, o executivo afirmou que os cortes não representavam um esforço de redução de custos, mas sim uma substituição de funções. "É substituir, em alguns casos, capital humano de menor valor pelo capital financeiro e de investimento que estamos aplicando", declarou. Winters também mencionou que os funcionários atingidos seriam informados com antecedência adequada sobre as mudanças.
Diante da repercussão negativa, o executivo publikou um pedido de desculpas em sua conta no LinkedIn na sexta-feira. Na publicação, ele tentou contextualizar a declaração original, explicando que havia mencionado que funções de menor valor são mais vulneráveis à automação e que o banco teria a responsabilidade de ajudar colegas a migrarem para funções de maior valor. "É isso que um empregador responsável deve fazer", escreveu. O CEO afirmou ainda que a instituição continuaria falando com transparência sobre o impacto das mudanças tecnológicas e ajudaria os funcionários a se adaptarem às transformações do setor.
Mesmo após o primeiro pedido de desculpas, as críticas continuaram a surgir nas redes sociais. Winters retornou ao LinkedIn para um segundo comentário sobre o episódio. "Recebi muito apoio pelas mensagens do meu post anterior, mas ainda recebo questionamentos sobre minha escolha de palavras, que sei que causou desconforto a alguns colegas", reconheceu. "Por isso, peço desculpas." Na sequência, ele compartilhou a transcrição completa do comentário original e afirmou esperar que isso ajudasse a oferecer um melhor entendimento sobre sua posição, reiterando que o objetivo era auxiliar os colaboradores a lidar com o ritmo acelerado de mudanças no setor financeiro.
Nem mesmo assim, however, the responses were entirely positive. Alguns comentários apontaram dificuldade em identificar diferenças entre a fala original e a justificativa apresentada. Um dos usuários classificou as declarações como "repugnantes". A repercussão foi tão significativa que o episódio gerou discussão também fora do ambiente corporativo, evidenciando a sensibilidade do tema relacionados à substituição de trabalhadores por tecnologias de inteligência artificial.
Os cortes anunciados pelo Standard Chartered integram um plano mais amplo de reestruturação. A instituição pretende reduzir 15% dos seus mais de 52 mil cargos de back-office até 2030. Atualmente, o banco possui quase 82 mil funcionários em todo o mundo. Os cargos mais afetados devem estar concentrados em centros de operações localizados em Chennai, na Índia, Bengaluru, também na Índia, Kuala Lumpur, na Malásia, e Varsóvia, na Polônia. A meta de redução foi anunciada junto com objetivos mais elevados de retorno aos acionistas, em uma atualização estratégica que representa a fase final de um processo de transformação iniciado há cerca de uma década.