A OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT e pelos modelos GPT, está prestes a iniciar o processo de abertura de capital em bolsa, com uma Oferta Pública Inicial (IPO) prevista para setembro e uma avaliação que pode ultrapassar US$ 1 trilhão. A operação é estruturada com o apoio dos bancos de investimento Goldman Sachs e Morgan Stanley e do escritório de advocacia Cooley, e o prospecto preliminar deve ser protocolado ainda nesta sexta-feira. Simultaneamente, a SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, avançou na divulgação de detalhes sobre seu próprio IPO, descrito como o maior já realizado na história, o que configura uma disputa direta entre as duas companhias pela atenção dos investidores globais.

O anúncio coloca a OpenAI no centro de um dos eventos financeiros mais significativos do setor de tecnologia nos últimos anos. Uma avaliação acima de US$ 1 trilhão tornaria a empresa uma das mais valiosas do mundo logo em sua estreia em bolsa, refletindo o peso que o mercado de inteligência artificial adquiriu no cenário econômico global.

OpenAI confirma IPO avaliado em mais de US$ 1 trilhão e rivaliza com SpaceX - Imagem complementar

A OpenAI foi fundada em 2015 como organização sem fins lucrativos e, ao longo dos anos, passou por uma reestruturação que a transformou em uma entidade com fins lucrativos. Essa transição permitiu captações expressivas de recursos, incluindo investimentos bilionários da Microsoft, que mantém participação acionária significativa na companhia. O crescimento acelerado do ChatGPT, lançado no final de 2022, consolidou a OpenAI como líder no segmento de modelos de linguagem e impulsionou sua receita de forma acentuada nos últimos exercícios fiscais.

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Goldman Sachs e Morgan Stanley, dois dos bancos de investimento mais tradicionais de Wall Street, assumem a liderança na estruturação da oferta. A participação dessas instituições reforça a credibilidade da operação e indica o tamanho do interesse institucional em torno da companhia. O escritório Cooley, especializado em direito societário e com larga experiência em ofertas públicas de tecnologia, cuida da parte jurídica do processo.

A expectativa é de que o prospecto preliminar, também conhecido como S-1 no mercado norte-americano, seja depositado na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) nesta sexta-feira. Esse documento conterá informações detalhadas sobre a situação financeira da empresa, estrutura de governança, riscos do negócio e a quantidade de ações que serão oferecidas ao público. A partir da publicação, analistas e investidores poderão avaliar com maior precisão a viabilidade da avaliação projetada.

O prazo de setembro para a oferta sugere que a OpenAI está trabalhando em um cronograma próximo ao que o mercado considera ideal para uma operação desse porte. O intervalo entre o depósito do prospecto e a estreia em bolsa permite que a companhia realize a roadshow — série de apresentações a investidores institucionais em diversas cidades — e ajuste a faixa de preço das ações com base na demanda observada.

Do outro lado, a SpaceX avançou na apresentação de informações sobre seu próprio processo de listagem. A empresa de Elon Musk divulgou potenciais riscos do negócio e dados de seu balanço, marcando passo firme rumo a uma oferta que promete superar todos os recordes anteriores. A SpaceX é líder no mercado de lançamentos espaciais comerciais e também opera o serviço de internet por satélite Starlink, que já conta com milhões de assinantes no mundo todo.

A convergência temporal dos dois IPOs cria um cenário inédito para o mercado de capitais. Investidores terão de decidir como alocar recursos entre duas empresas de alto crescimento, mas com perfis de negócio completamente distintos. Enquanto a OpenAI atua no segmento de inteligência artificial e modelos generativos, a SpaceX opera em infraestrutura espacial e telecomunicações por satélite.

A disputa entre as duas companhias não é apenas simbólica. Ambas competem por uma parcela finita de capital disponível no mercado de investimentos de risco e por fundos institucionais que buscam exposição a tecnologias de fronteira. O desempenho de uma pode influenciar a percepção de valor da outra, especialmente em um momento em que o mercado de capitais norte-americano demonstra forte apetite por empresas ligadas a inovação tecnológica.

Uma avaliação acima de US$ 1 trilhão colocaria a OpenAI em um grupo seleto de companhias listadas em bolsa. Atualmente, poucas empresas no mundo alcançam essa marca, entre elas Apple, Microsoft, NVIDIA e Alphabet. O fato de a OpenAI buscar essa avaliação em sua estreia evidencia a escala de seu crescimento e o entusiasmo do mercado com o setor de inteligência artificial.

Para o ecossistema de inteligência artificial, o IPO da OpenAI representa um marco de maturidade do setor. A entrada em bolsa de uma das empresas mais emblemáticas do segmento tende a atrair mais capital para startups e projetos relacionados a aprendizado de máquina e aprendizado profundo, potencializando investimentos em toda a cadeia de tecnologia da área.

Os próximos meses serão decisivos para definir o preço final das ações e o real interesse do mercado em ambas as ofertas. O comportamento do mercado acionário global, as condições macroeconômicas e o desempenho financeiro recente das duas empresas serão fatores determinantes no desenlace dessas operações.