A Google anunciou uma nova plataforma de computadores portáteis chamada Googlebook, baseada no sistema Android com integração do modelo de inteligência artificial Gemini. O anúncio marca uma mudança significativa na estratégia de hardware da empresa para o mercado de PCs, que durante 13 anos esteve centrada no Chrome OS e nos Chromebooks. As primeiras máquinas devem ser produzidas por cinco dos maiores fabricantes do segmento: Acer, Asus, Dell, HP e Lenovo, com lançamento previsto para o outono do hemisfério norte.

A decisão de migrar do Chrome OS para o Android reflete a intenção da Google de aproximar a experiência de uso dos portáteis àquela que já existe nos smartphones. O Googlebook não é um aparelho autônomo, mas sim uma especificação de plataforma que os parceiros podem adotar em seus próprios modelos. A marca Googlebook aparece impressa na região de apoio para as mãos dos equipamentos, semelhante ao que a empresa já faz com a linha Pixel.

Google anuncia Googlebook: portáteis Android com Gemini e Play Store - Imagem complementar

O antigo Chrome OS era um sistema eficiente, porém limitado pela dependência do navegador Chrome como núcleo da experiência. Ao contrário dessa abordagem, o Googlebook traz o Android como base operacional, o que significa acesso nativo à Play Store e compatibilidade total com as aplicações desenvolvidas para o ecossistema mobile do Google. Programas como Adobe Acrobat, Canva, CapCut, Duolingo, Minecraft, Netflix, NotebookLM e Spotify funcionam em janelas flutuantes dentro da interface de desktop.

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A interface do Googlebook foi projetada para oferecer uma experiência de uso próxima à de um sistema operacional de computador convencional. A plataforma inclui barra de tarefas, janelas redimensionáveis, widgets na área de trabalho e multitarefa com tela dividida. O teclado dos aparelhos traz uma alteração simbólica: a tecla de pesquisa tradicional do Chrome OS foi substituída por uma tecla com a letra G, dedicada à ativação rápida do Gemini.

O modelo de IA Gemini está presente em diversos aspectos do sistema. A funcionalidade chamada Magic Pointer utiliza o Gemini para analisar o conteúdo exibido na tela e sugerir ações contextualmente ao usuário. É possível, por exemplo, selecionar peças de roupa em um site e pedir ao assistente que sugira combinações correspondentes, ou abrir uma fotografia e consultar o Gemini sobre os elementos nela presentes.

Outra funcionalidade baseada em inteligência artificial é a Criar o Meu Widget, que permite gerar widgets dinâmicos a partir de instruções em linguagem natural. O sistema extrai dados de serviços como Agenda, Gmail e Mapas para compor painéis informativos personalizados. Estão disponíveis seis categorias predefinidas de widgets: meteorologia, finanças, esporte, cronômetro regressivo, relógio mundial e resumo diário.

O recurso Cast My Apps constitui um dos pilares da plataforma. Ele permite projetar aplicações do smartphone diretamente no portátil, sem necessidade de instalação local. Isso amplia consideravelmente o catálogo de programas disponíveis e elimina uma das principais críticas feitas ao Chrome OS, cujo repositório de aplicações era significativamente menor que o de sistemas concorrentes.

Em termos de design físico, os Googlebooks trazem uma faixa de LEDs coloridos na tampa, denominada Glowbar. A Google ainda não detalhou a funcionalidade da faixa luminosa, mas a expectativa é que ela possa exibir informações como nível de bateria, status de downloads ou indicação de ativação por voz do Gemini. A descrição sugere um elemento modular com múltiplas funções visuais.

Apesar da mudança estratégica, a Google afirmou que o Chrome OS não será descontinuado imediatamente. Os Chromebooks atualmente em uso continuarão a receber atualizações até o fim de seu ciclo de vida previsto. Internamente, os engenheiros da empresa já se referem ao sistema anterior como ChromeOS Classic, o que indica uma separação técnica gradual entre as duas plataformas.

Alguns dos dispositivos mais recentes equipados com processadores MediaTek Kompanio 520 ou Intel Alder Lake poderão ser elegíveis para uma atualização que os migre para o novo sistema baseado em Android. Essa possibilidade pode atenuar o impacto da transição para os usuários que adquiriram Chromebooks recentes.

O anúncio coloca a Google em uma posição competitiva diferente no segmento de portáteis. Enquanto a Microsoft avança com Copilot+ no Windows e a Apple expande os recursos de IA no macOS, a empresa de Mountain View aposta na convergência entre mobile e desktop como caminho para diferenciar seus computadores. O sucesso da iniciativa dependerá, entre outros fatores, da resposta dos fabricantes parceiros e da adesão dos desenvolvedores ao formato de janelas flutuantes para aplicações Android.

Os preços dos primeiros Googlebooks ainda não foram divulgados, assim como as configurações específicas de cada fabricante. A revelação dos modelos deve ocorrer nos próximos meses, quando ficará mais claro como a nova plataforma se posiciona em relação aos Chromebooks existentes e aos concorrentes baseados em Windows e macOS. Até lá, o setor acompanha a movimentação como uma das transformações mais relevantes na estratégia de computadores da Google desde o lançamento do primeiro Chromebook em 2011.