A SoftBank Corp., braço de telecomunicações do conglomerado japonês SoftBank Group, anunciou sua entrada no setor de baterias como parte de uma estratégia mais ampla para se posicionar como infraestrutura dedicada à inteligência artificial. O plano envolve a integração de data centers, nuvem equipada com GPUs (unidades de processamento gráfico, amplamente utilizadas em cargas de trabalho de IA) e baterias de grande escala, formando uma cadeia completa de suporte ao processamento de modelos de IA.

A decisão coloca a SoftBank em um segmento que vai além de sua atuação tradicional em telecomunicações e investimentos. A empresa japonesa, conhecida mundialmente por seus investimentos em empresas de tecnologia, agora busca fabricar diretamente componentes críticos para a operação de centros de processamento de dados voltados à inteligência artificial.

SoftBank entra no mercado de baterias para impulsionar infraestrutura de IA - Imagem complementar

A proposta da SoftBank prevê o desenvolvimento de baterias que não utilizam lítio nem cobalto em sua composição. Esses dois minerais são considerados caros e de oferta limitada no mercado global, o que gera preocupações tanto de custo quanto de sustentabilidade na cadeia de suprimentos de tecnologia. Ao eliminar essas substâncias, a empresa pretende oferecer uma alternativa mais viável do ponto de vista econômico e ambiental para o armazenamento de energia em larga escala.

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Data centers que executam modelos de linguagem e outras aplicações de inteligência artificial consomem quantidades significativas de energia elétrica. A demanda energética desses centros de processamento é um dos principais desafios enfrentados por empresas de tecnologia ao redor do mundo, e baterias de grande capacidade são essenciais para garantir estabilidade e continuidade no fornecimento de energia.

A expectativa é que a produção das novas baterias tenha início no ano fiscal japonês que se encerra em março de 2028. Já a produção em massa está prevista para o ano seguinte, o que indica que a SoftBank ainda está em fase inicial de desenvolvimento do projeto, com horizonte de alguns anos até a disponibilização comercial do produto.

A GPU, mencionada como parte da estratégia da SoftBank, é o componente de hardware mais demandado atualmente no ecossistema de inteligência artificial. A NVIDIA, fabricante líder nesse segmento, registrou crescimento expressivo nas vendas de seus processadores dedicados a cargas de aprendizado de máquina e inferência de modelos de linguagem. A inclusão de GPUs na nuvem da SoftBank reforça a intenção da empresa de oferecer capacidade computacional completa para clientes que necessitam treinar e executar modelos de IA.

O movimento da SoftBank reflete uma tendência mais ampla no setor de tecnologia. O crescimento acelerado da inteligência artificial está impulsionando investimentos em toda a cadeia de infraestrutura, desde a fabricação de semicondutores até soluções de armazenamento e distribuição de energia. Empresas que antes atuavam em nichos específicos passam a buscar integração vertical para atender à demanda crescente.

A produção de baterias sem lítio e sem cobalto ainda é um campo em desenvolvimento na indústria. Pesquisadores e empresas têm explorado alternativas como baterias de íon de sódio e outras químicas que reduzam a dependência de materiais escassos. A aposta da SoftBank nesse tipo de tecnologia sinaliza que a empresa está disposta a investir em soluções que ainda estão em maturação, mas que podem oferecer vantagens competitivas significativas caso se viabilizem em escala comercial.

A integração entre geração e armazenamento de energia e processamento de dados não é inteiramente nova, mas ganhou relevância com o aumento exponencial do consumo elétrico provocado pela expansão da inteligência artificial. Centros de dados de grande porte já enfrentam limitações de rede elétrica em diversas regiões do mundo, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, o que torna soluções locais de armazenamento de energia cada vez mais atrativas.

Para a SoftBank, a entrada no setor de baterias representa uma diversificação significativa de seu portfólio. A empresa já havia demonstrado interesse em inteligência artificial por meio de investimentos em startups e projetos de pesquisa. Agora, a fabricação direta de componentes de hardware marca uma mudança de postura, passando de investidor para fabricante dentro da cadeia de infraestrutura de IA.

O anúncio também coloca a empresa japonesa em diálogo com outras gigantes da tecnologia que têm buscado soluções para o desafio energético da inteligência artificial. Empresas como Microsoft, Google e Amazon têm investido em fontes de energia renovável e em tecnologias de armazenamento para sustentar a expansão de seus data centers, embora nenhuma delas tenha anunciado até o momento planos de fabricar suas próprias baterias.

A iniciativa da SoftBank pode ser interpretada como parte de uma reconfiguração estratégica do setor, na qual empresas de infraestrutura de tecnologia passam a incorporar soluções de energia como componente central de seus negócios. Se bem-sucedida, a estratégia de unir processamento em nuvem, data centers e armazenamento de energia sob um mesmo teto pode servir de modelo para outras companhias que buscam atender à demanda crescente por capacidade de inteligência artificial.

A trajetória do projeto dependerá de fatores como a viabilidade técnica das baterias sem lítio e cobalto, a capacidade da SoftBank de escalar a produção até 2029 e a evolução do mercado de infraestrutura de IA nesse período. O anúncio, no entanto, já sinaliza que a corrida por infraestrutura de inteligência artificial se estende muito além dos chips, alcançando também o armazenamento e a gestão de energia em larga escala.