O Google realiza nos dias 19 e 20 de maio o Google I/O 2026, conferência anual realizada no Shoreline Amphitheatre em Mountain View, na Califórnia, com inteligência artificial como tema central. Uma série de vazamentos identificados em desmontagens do aplicativo Google App revelou detalhes sobre sete modelos ocultos de IA dentro do Gemini Live, além de referências a novos sistemas operacionais e dispositivos de realidade estendida. As descobertas reforçam a estratégia do Google de posicionar o Gemini como camada central de todo o seu ecossistema de produtos.

A expectativa para este evento é especialmente alta porque o próprio Google destacou, no convite oficial enviado aos desenvolvedores, que a conferência trará atualizações do Gemini, avanços em codificação agêntica e novas experiências alimentadas por inteligência artificial. A competição com empresas como OpenAI, responsável pelo ChatGPT, Microsoft e Anthropic, criadora do Claude, está cada vez mais acirrada, e o Google precisa demonstrar diferenciais concretos para manter sua relevância no setor.

Google I/O 2026: sete modelos de IA e novas plataformas no horizonte - Imagem complementar

A principal descoberta veio de uma análise da versão 17.18.22 do Google App, que revelou um seletor oculto com sete modelos de inteligência artificial distintos dentro do Gemini Live. Esse mecanismo permitiria ao usuário escolher entre diferentes variantes de modelos, cada uma otimizada para tipos específicos de conversa ou tarefa. A presença de uma estrutura modular sugere que o Google quer oferecer personalização granular na interação com a IA.

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Entre os modelos encontrados, há referências diretas a recursos de raciocínio, o que indica que o Gemini Live poderá dedicar mais tempo de processamento antes de gerar respostas. Desmontagens anteriores, realizadas por veículos especializados como Android Authority e 9to5Google, já haviam identificado termos como Live Thinking Mode e Live Experimental Features, apontando para um sistema capaz de analisar informações com maior profundidade antes de responder.

Na prática, isso representa uma mudança significativa na qualidade das interações. Em vez de respostas instantâneas e superficiais, a IA poderia dedicar segundos adicionais para construir respostas mais completas, contextualizadas e precisas. Essa abordagem segue uma tendência do mercado de inteligência artificial, onde modelos com foco em raciocínio avançado conseguem lidar melhor com tarefas complexas, programação, resolução de problemas e interpretação de textos extensos.

Os códigos analisados também apontam para funções experimentais de memória multimodal. Isso significa que o Gemini poderá reter contextos anteriores que envolvam texto, voz, imagens e possivelmente vídeo. Recursos de filtragem de ruídos externos, respostas baseadas no que o usuário está vendo em tempo real e personalização integrada aos aplicativos do Google também foram identificados, o que sugere que a plataforma poderá compreender melhor o ambiente ao redor da pessoa e adaptar suas respostas de forma mais natural.

Além dos sete modelos, as desmontagens revelaram a existência de um modelo chamado Omni, supostamente ligado à geração de vídeos por inteligência artificial. Embora não exista confirmação oficial, o nome apareceu em códigos internos relacionados ao Gemini. Caso seja real, o Google estaria entrando na disputa por ferramentas de criação audiovisual com IA, segmento que hoje conta com concorrentes consolidados.

A reformulação do Gemini não se limita aos modelos. Nas últimas semanas, análises de código mostraram mudanças significativas na interface do aplicativo, incluindo uma reformulação visual completa. Versões de teste indicam que o Google pretende simplificar a experiência, abandonando certas opções antigas de voz. A nova interface Live seria menos carregada visualmente, eliminando elementos em tela cheia e se aproximando de algo mais integrado ao Android, funcionando quase como um assistente permanente em segundo plano.

O Google I/O 2026 também deve marcar a apresentação oficial do Aluminium OS, um novo sistema operacional baseado em Android e desenvolvido para notebooks. A proposta é unificar ainda mais o ecossistema da empresa, aproximando computadores, celulares e dispositivos inteligentes sob uma mesma arquitetura de software.

Outro ponto de atenção é o Android XR, plataforma voltada para realidade estendida e óculos inteligentes. Rumores indicam que o Google pode finalmente mostrar hardware próprio ou anunciar parcerias envolvendo dispositivos com inteligência artificial integrada em tempo real. A plataforma é vista como a resposta do Google ao mercado de dispositivos wearable com IA embarcada.

Mercados de previsão e analistas especializados têm apostado fortemente na chegada do Gemini 3.5 Pro durante o evento. Os rumores ganharam força após vazamentos que identificaram referências ao Gemini 3.2 Flash dentro do aplicativo para iPhone e em informações de precificação do AI Studio, a plataforma de desenvolvimento do Google. Isso sugere que múltiplas versões do Gemini estão em preparação para lançamento simultâneo ou escalonado.

O padrão de vazamentos antes do Google I/O já se tornou uma constante anual. Funcionalidades começam a ser adicionadas ao código dos aplicativos antes mesmo de estarem prontas para o público, e analistas conseguem identificar essas ferramentas em fase de testes. Nos últimos meses, praticamente todas as grandes novidades relacionadas ao Gemini apareceram primeiro em desmontagens, desde o novo visual do aplicativo até os recursos experimentais de IA e agora o seletor secreto de modelos.

Esses vazamentos também servem como indicador da direção estratégica da empresa. Fica evidente que a inteligência artificial será integrada em praticamente todos os produtos do ecossistema Google. O Gemini deixou de ser um chatbot experimental e está se transformando em uma camada central do Android, da busca do Google e dos futuros dispositivos inteligentes da companhia. Com a proximidade do evento, resta saber quantos desses recursos serão efetivamente anunciados de forma oficial e quais ainda permanecerão em desenvolvimento interno.