Anthropic avalia nova rodada de bilhões e se aproxima da marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado

A Anthropic, empresa responsável pelo assistente de inteligência artificial Claude, está avaliando a captação de dezenas de bilhões de dólares em uma nova rodada de investimentos que pode elevar seu valuation, ou valor de mercado avaliado, para quase US$ 1 trilhão, colocando-a à frente da concorrente OpenAI na corrida por recursos financeiros e influência no setor. A informação foi divulgada pelo jornal britânico Financial Times, que citou pessoas familiarizadas com o assunto. A rodada está sendo planejada para o verão do hemisfério norte e tem como objetivo financiar uma grande expansão na capacidade computacional da empresa.

A possível nova captação representa um salto extraordinário em relação à rodada anterior, concluída em fevereiro de 2026, quando a Anthropic levantou US$ 30 bilhões em uma série G que a avaliou em US$ 380 bilhões. Agora, conforme relatos do Bloomberg e do TechCrunch, a empresa teria recebido múltiplas ofertas não solicitadas de investidores, com propostas que a avaliavam em até US$ 800 bilhões antes mesmo de a empresa se comprometer oficialmente com uma nova captação. O valor pre-money da rodada em discussão giraria em torno de US$ 900 bilhões, e o volume total captado pode chegar a US$ 50 bilhões, segundo três fontes ouvidas pelo Financial Times.

PUBLICIDADE

O cenário atual é bastante diferente daquele visto no fim de 2022, quando a OpenAI lançou o ChatGPT e disparou na dianteira da corrida da inteligência artificial. Desde então, a Anthropic vem reduzindo a distância de forma acelerada. Em mercados secundários, onde ações de empresas privadas são negociadas, as cotas da Anthropic já atingiram um valor implícito de US$ 1 trilhão, superando a avaliação da OpenAI, que gira em torno de US$ 880 bilhões. Plataformas de negociação privada como a Forge Global já refletem essa forte demanda por papéis da empresa.

Um dos principais motores desse crescimento é a explosão da receita da Anthropic. De acordo com os dados disponíveis, a receita anualizada da empresa deverá ultrapassar US$ 45 bilhões em breve, um salto de cinco vezes em relação aos US$ 9 bilhões registrados no fim de 2025. Em março de 2026, a receita já havia saltado para mais de US$ 30 bilhões. Esse desempenho financeiro impressionante é apontado por analistas como um dos fatores que explicam o interesse crescente dos investidores.

A Anthropic é a criadora do Claude, um assistente de inteligência artificial que compete diretamente com o ChatGPT. O modelo se destaca sobretudo no segmento corporativo, com forte penetração entre clientes empresariais. O número de clientes que gastam mais de US$ 100 mil com o Claude cresceu sete vezes no último ano. A empresa também lançou o Claude Code, um assistente de programação baseado em IA que tem sido muito bem recebido pelo mercado, e expandiu suas soluções para áreas como análise financeira, vendas, segurança cibernética e pesquisa científica, incluindo o setor de saúde e ciências da vida.

A escalada da Anthropic também é alimentada por investimentos pesados de grandes nomes do mercado. O Google, controlado pelo conglomerado Alphabet, anunciou um aporte adicional de US$ 40 bilhões na empresa, fortalecendo sua posição como um dos principais apoiadores da startup. A participação do Google, segundo cálculos de analistas, pode valer mais de US$ 100 bilhões quando a Anthropic realizar sua oferta pública inicial de ações, evento que analistas estimam ter 60% de chance de ocorrer ainda este ano. A Nvidia e a Microsoft também figuram entre os investidores comprometidos com a empresa.

A disputa entre Anthropic e OpenAI reflete a intensa competição global no setor de inteligência artificial. Enquanto a OpenAI, dona do ChatGPT, busca defender sua dominância entre os consumidores e ao mesmo tempo disputar o mercado corporativo, a Anthropic tem focado suas energias em ferramentas empresariais de maior margem de lucro. Investidores da própria OpenAI têm questionado mudanças estratégicas na empresa, e a rival parece capitalizar sobre essa instabilidade. A OpenAI fechou sua rodada mais recente avaliada em US$ 852 bilhões, valor que já está abaixo do que a Anthropic pratica no mercado secundário.

A infraestrutura é um dos pontos centrais da nova rodada que a Anthropic considera. A empresa anunciou um plano de US$ 50 bilhões para expandir sua estrutura de centros de dados nos Estados Unidos, buscando 10 gigawatts de capacidade para sustentar o processamento exigido por seus modelos de linguagem. Esses modelos, classificados como de grande porte, são sistemas treinados com volumes massivos de dados textuais capazes de compreender, gerar e manipular linguagem natural com alta precisão. Quanto mais poder computacional uma empresa possui, mais capazes se tornam seus modelos e mais rapidamente consegue atendr a demanda crescente do mercado corporativo.

O lançamento do modelo Opus 4.6, a mais recente versão da família Claude, reforçou a posição da Anthropic como líder em IA corporativa. O novo modelo é capaz de alimentar agentes autônomos que gerenciam categorias inteiras de trabalho no mundo real, produzindo documentos, planilhas e apresentações com acabamento profissional. A capacidade de atuação desses agentes representa um avanço em relação aos modelos anteriores, que funcionavam predominantemente como ferramentas de resposta a comandos simples.

Analistas do mercado acompanham com atenção a trajetória de ambas as empresas rumo à abertura de capital. A competição entre Anthropic e OpenAI não se limita apenas à tecnologia, mas envolve também a disputa por talentos, clientes corporativos e, fundamentalmente, capital. Caso a nova rodada da Anthropic se concretize nos termos discutidos, a empresa não apenas ultrapassará a OpenAI em valor de mercado como também consolidará sua posição como a startup de inteligência artificial mais valiosa do mundo. O mercado de IA generativa, segundo projeções, deverá atingir US$ 1 trilhão em receita em uma década, e as empresas que conseguirem garantir maior capacidade computacional e base de clientes corporativos estarão mais bem posicionadas para liderar essa transformação.