Nasdaq atinge recorde histórico impulsionado pela volta dos investidores às ações de tecnologia

O índice Nasdaq Composite alcançou novos recordes de máxima intradiária e de fechamento nesta quarta-feira, dia 15 de abril, superando marcas que vigoravam desde o final de outubro do ano passado. O indicador, que reúne as principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos, avançou 1,6% e ultrapassou a barreira dos 24.020 pontos durante a sessão, superando o pico anterior de 24.019,99 pontos registrado em 29 de outubro. Naquela ocasião, a fabricante de chips Nvidia havia alcançado pela primeira vez a marca de 5 trilhões de dólares em valor de mercado. O desempenho da sessão mais recente indica uma reversão clara do cenário de pessimismo que dominou os mercados nas semanas anteriores.

A trajetória do Nasdaq até esse novo recorde não foi linear. No início de 2026, as ações de tecnologia passaram por um período de forte volatilidade e quedas expressivas. Investidores passaram a questionar se as avaliações elevadas das grandes empresas do setor eram sustentáveis, especialmente diante do ritmo acelerado de lançamentos de novas capacidades de inteligência artificial. Esses sistemas, que aprendem padrões a partir de grandes volumes de dados para realizar tarefas complexas, passaram a ser vistos tanto como opportunity quanto como ameaça, dependendo do segmento analisado. O receio de que os gastos bilionários das gigantes tecnológicas em infraestrutura de inteligência artificial não gerassem os retornos esperados contribuiu para afastar parte do capital especulativo do setor.

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Um dos episódios que mais pesou sobre o sentimento do mercado ocorreu no início de fevereiro. A Anthropic, startup responsável pelo modelo de linguagem Claude, divulgou novas ferramentas de automação com capacidade de substituir funções antes desempenhadas por softwares tradicionais. O anúncio provocou uma reação em cadeia nas bolsas de valores ao redor do mundo, com eliminação de cerca de 300 bilhões de dólares em valor de mercado de empresas de software e serviços de dados. A demonstração prática de que a inteligência artificial poderia interromper modelos de negócios consolidados amplificou a desconfiança em relação ao setor de tecnologia como um todo.

A situação se agravou no final de março, quando o Nasdaq entrou oficialmente em território de correção, termo utilizado para definir uma queda de 10% ou mais em relação à máxima anterior. O gatilho para essa fase mais pessimista foi o agravamento do conflito no Oriente Médio, que causou um aumento nos preços internacionais do petróleo e renovou preocupações com a inflação global. A perspectiva de que os bancos centrais pudessem manter juros elevados por mais tempo reduziu o apetite por ativos de risco e pressionou especialmente as ações de crescimento, categoria na qual as empresas de tecnologia se enquadram.

A virada no cenário começou a se desenhar com os sinais de distensão geopolítica. Um acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, somado a esforços diplomáticos para encerrar as hostilidades na região, reduziu a aversão ao risco e reencantou os investidores com os mesmos nomes que haviam impulsionado as bolsas estadunidenses a recordes no ano anterior. A melhora no humor do mercado coincidiu com a aproximação da temporada de divulgação de resultados trimestrais, período em que as empresas apresentam seus balanços e oferecem indicativos sobre o que está por vir.

Dentro desse movimento de recuperação, os fabricantes de semicondutores se destacaram como os maiores ganhadores percentuais no índice S&P 500 ao longo de 2026. Essas empresas são peças fundamentais na cadeia de inteligência artificial, uma vez que produzem os processadores necessários para treinar e executar modelos avançados. Entre as chamadas Sete Magníficas, grupo das empresas mais valiosas do mercado de tecnologia, a Amazon foi a que mais se destacou diante dos pares. Os investidores demonstraram maior confiança na estratégia de expansão da companhia na área de inteligência artificial, que inclui tanto o desenvolvimento de serviços na nuvem quanto a integração de capacidades generativas em seus produtos.

As expectativas para a temporada de resultados reforçam o otimismo. Dados da LSEG I/B/E/S compilados até 10 de abril apontam que o setor de tecnologia da informação do S&P 500 deve registrar crescimento de 46,2% nos lucros neste trimestre. Essa projeção supera a expansão de 35,8% observada no início do ano e representaria o maior avanço de lucratividade entre todos os setores da economia estadunidense. O número indica que, apesar das incertezas anteriores, as empresas de tecnologia continuam convertendo seus investimentos em inteligência artificial em ganhos concretos de eficiência e receita.

O retorno do Nasdaq ao terreno positivo reflete um momento de reequilíbrio entre o entusiasmo com o potencial da inteligência artificial e o reconhecimento dos riscos envolvidos. Os investidores parecem ter absorvido o impacto inicial das novidades da Anthropic e de outras empresas do setor, passando a diferenciar com mais clareza quais companhias estão melhor posicionadas para se beneficiar da transformação tecnológica em curso. A confirmação dos resultados trimestrais nas próximas semanas será decisiva para indicar se essa recuperação tem fundamento sólido ou se novas correções poderão surgir.