AEO e GEO: como a otimização para inteligência artificial está redefinindo a descoberta de marcas na busca digital

Uma pesquisa do Pew Research Centre revelou um dado que preocupa o mercado de marketing digital: quando usuários do Google se deparam com um resumo gerado por inteligência artificial, apenas 8% deles clicam em um resultado tradicional. Entre quem não vê o resumo automático, a taxa de cliques sobe para 15%, quase o dobro. Além disso, um quarto das pessoas que visualizaram o resumo encerrou a sessão sem acessar qualquer link. Essa diferença indica uma transformação profunda na forma como os consumidores encontram informações e marcas na internet.

Essa mudança não é uma previsão futura, mas uma realidade em curso. Plataformas generativas como o ChatGPT já acumulam 5,72 bilhões de visitas mensais, segundo dados da SimilarWeb referentes a janeiro de 2026. O volume de buscas cresce, porém os cliques não acompanham essa trajetória. Um relatório da BrightEdge, divulgado em maio de 2025, mostrou que as impressões de busca do Google subiram 49% no período de um ano após o lançamento dos resumos com inteligência artificial, chamados de AI Overviews. No mesmo intervalo, os cliques orgânicos caíram quase 30%.

PUBLICIDADE

O estudo da Seer Interactive, realizado em setembro de 2025 com 25,1 milhões de impressões orgânicas em 42 organizações, trouxe números ainda mais contundentes. Para consultas que ativam os resumos inteligentes, a taxa de cliques orgânicos despencou 61%, passando de 1,76% para 0,61%. A taxa de cliques pagos sofreu queda de 68%, caindo de 19,7% para 6,34%. Mesmo consultas sem resumos automáticos registraram queda de 41% na taxa de cliques orgânicos em comparação com o ano anterior. Em março de 2025, um em cada cinco resultados do Google já exibia um resumo gerado por inteligência artificial.

Esses números apontam uma reconfigulação fundamental no comportamento do consumidor. A resposta gerada pela inteligência artificial tornou-se o destino em si, eliminando a necessidade de navegar até a fonte original. As marcas citadas dentro dessas respostas automáticas são as que ganham visibilidade. A consultoria Gartner já havia previsto, no início de 2024, que o volume de buscas tradicionais cairia 25% até 2026. O número exato pode ser debatido, mas a direção é inequívoca: as impressões sobem, o engajamento com links despenca.

Diante desse cenário, dois conceitos ganharam relevância entre especialistas em marketing digital: a otimização para motores de resposta e a otimização para motores generativos. A primeira, conhecida pela sigla AEO, concentra-se em estruturar o conteúdo de forma que os sistemas de inteligência artificial possam extrair respostas diretas e objetivas. Trata-se de uma abordagem tática que envolve títulos baseados em perguntas, parágrafos que apresentam a resposta logo nas primeiras palavras, e marcações estruturadas que organizam informações em formato de perguntas e respostas.

A segunda abordagem, chamada GEO, opera em um nível mais amplo. Ela visa tornar uma marca uma fonte reconhecida e confiável para plataformas generativas que sintetizam respostas a partir de múltiplas fontes. Esses sistemas utilizam uma técnica chamada RAG, que combina a capacidade de gerar texto com a busca em bases de dados externas para fundamentar as respostas. A GEO envolve a criação de clusters de conteúdo semântico, dados ricos em entidades, ativos multimodais e a construção de autoridade de domínio por meio de menções em sites terceiros, diretórios e publicações especializadas.

O ponto que a maioria das marcas ainda não compreende é que essas duas estratégias são complementares, mas diferentes. É possível ocupar o snippet destaque do Google e, ao mesmo tempo, estar completamente ausente das respostas do ChatGPT ou de outras plataformas generativas. Uma pesquisa da McKinsey, realizada em agosto de 2025 com 1.927 consumidores, constatou que o site oficial de uma marca responde por apenas 5% a 10% das fontes referenciadas por plataformas de busca com inteligência artificial. Os demais 90% vêm de veículos de imprensa, conteúdo gerado por usuários, sites afiliados e plataformas de avaliações.

Outro achado relevante da BrightEdge mostra que 89% das citações nos resumos inteligentes do Google provêm de resultados posicionados além da centésima colocação. Isso significa que o ranqueamento tradicional, focado na posição nas páginas de resultados, está perdendo importância frente à estrutura do conteúdo e aos sinais de autoridade. Para as marcas, a mensagem é clara: estar na primeira página do Google já não é garantia de ser citado pela inteligência artificial.

Os benefícios para as marcas que conseguem se posicionar nessas respostas automáticos são significativos. O estudo da Seer Interactive revelou que empresas citadas nos resumos inteligentes do Google obtêm 35% mais cliques orgânicos e 91% mais cliques pagos em comparação com as que ficam de fora. O investimento nessa área está crescendo de forma acelerada. Uma pesquisa da Conductor, divulgada pela publicação MarTech em fevereiro de 2026, apontou que 32% dos líderes de marketing digital colocaram a GEO como principal prioridade do ano, e 97% relataram resultados positivos com as ações realizadas.

Em média, 12% dos orçamentos digitais de 2025 foram destinados a iniciativas de otimização para motores generativos. Um dado que revela a seriedade do compromisso é que 93% das organizações estão desenvolvendo essas capacidades internamente, tratando a visibilidade em buscas com inteligência artificial como algo estrategicamente relevante demais para ser terceirizado. Empresas com maior maturidade digital já investem quase o dobro em GEO em relação às de menor maturidade, criando uma lacuna que tende a se ampliar.

O contexto de mercado reforça essa tendência. A McKinsey informou que 44% dos consumidores já preferem plataformas de busca com inteligência artificial como fonte principal de informação. Com os modelos de linguagem avançados se tornando gateways entre o usuário e as marcas, a ausência nessas respostas automáticas pode significar invisibilidade comercial. O processo de decisão de compra passa, cada vez mais, pelas recomendações sintetizadas por algoritmos generativos.

Para as empresas que desejam se adaptar, o primeiro passo consiste em avaliar a própria visibilidade nos principais sistemas de inteligência artificial. Isso significa formular as perguntas que os clientes costumam fazer e verificar onde a marca aparece, onde está ausente e quais fontes estão sendo citadas em seu lugar. A partir desse diagnóstico, é possível combinar as estratégias de AEO e GEO sobre as fundações já existentes de SEO, criando respostas bem estruturadas para extração automática e, simultaneamente, construindo autoridade semântica em toda a web.

O cenário aponta para desdobramentos ainda mais profundos. Conforme a inteligência artificial evolui de sistemas que apenas resumem informações para agentes autônomos capazes de agir em nome do usuário, realizando reservas, compras e recomendações, as marcas citadas por esses algoritmos serão as escolhidas nas transações. Se a estratégia de conteúdo ainda mede sucesso exclusivamente pelo volume de cliques, o risco é crescente num ambiente em que clicar pode se tornar dispensável.

RESUMO: Pesquisas recentes mostram que resumos gerados por inteligência artificial nas buscas do Google reduzem drasticamente os cliques em resultados tradicionais. Um estudo do Pew Research Centre constatou taxa de apenas 8% de cliques quando há resumo automático, contra 15% sem ele. Nesse contexto, duas estratégias ganham destaque: a otimização para motores de resposta, focada em respostas diretas, e a otimização para motores generativos, voltada a tornar a marca uma fonte confiável para plataformas como ChatGPT. Marcas citadas nos resumos inteligentes obtêm até 91% mais cliques pagos, e 32% dos líderes de marketing digital já consideram essa adaptação sua principal prioridade.