A AUTOCOM 2026, uma das principais feiras de automação comercial e tecnologia aplicada ao varejo na América Latina, ocorrerá de 31 de março a 2 de abril no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento ganha destaque por debater os impactos da Reforma Tributária e do avanço da inteligência artificial sobre o setor varejista brasileiro, em um momento em que as empresas redefinem prioridades tecnológicas para 2026.
Com a implementação gradual da Reforma Tributária, prevista para iniciar sua fase de teste em 2026 e entrar em vigor pleno a partir de 2027, o varejo enfrenta a necessidade de adaptar sistemas e processos fiscais. Essa reforma, aprovada pela Emenda Constitucional 132/2023, unifica tributos sobre consumo como ICMS, ISS, PIS, COFINS e IPI em dois novos impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), compartilhado entre União, estados e municípios. Essa mudança exige atualizações em softwares de gestão fiscal para calcular alíquotas unificadas e lidar com o período de transição.
Paralelamente, a inteligência artificial emerge como ferramenta essencial para otimizar operações. A IA, conjunto de tecnologias que simula inteligência humana para processar dados, aprender padrões e tomar decisões autônomas, permite ao varejo melhorar a eficiência em áreas como previsão de demanda, gestão de estoque e personalização de ofertas. No contexto brasileiro, onde o e-commerce cresceu mais de 20% ao ano nos últimos anos, segundo dados do IBGE, essas tecnologias se tornam indispensáveis para competitividade.
O AUTOCOM Summit, parte central da programação, oferecerá mais de 16 horas de conteúdo com painéis, palestras e debates liderados por especialistas. A agenda foca em aplicações práticas e desafios reais, organizados em três eixos principais: o novo ambiente regulatório decorrente da Reforma Tributária e seus efeitos nas operações diárias; a evolução dos pagamentos digitais, com ênfase no Pix e no Open Finance; e a aplicação da inteligência artificial na integração entre comércio eletrônico, entregas e estratégias omnicanal.
A Reforma Tributária representa um divisor de águas para o varejo. Durante o período de transição, que se estende até 2032, as empresas precisarão conviver com o antigo e o novo sistema tributário, o que demanda investimentos em tecnologias de compliance fiscal. Sistemas de emissão de notas fiscais eletrônicas, como a Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e) e o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), terão que ser atualizados para registrar créditos e débitos de forma integrada. Varejistas que não se adaptarem correm o risco de multas e perda de eficiência operacional.
No eixo dos pagamentos digitais, o Pix, lançado pelo Banco Central em 2020, revolucionou transações instantâneas 24/7, representando mais de 30% das transações no país em 2024. Sua integração com o Open Finance, fase avançada do Open Banking que permite ao consumidor compartilhar dados financeiros entre instituições autorizadas, abre portas para pagamentos mais ágeis e personalizados. No varejo, isso significa checkout mais rápido e análise de crédito em tempo real, impulsionando conversões de venda.
A omnicanalidade, abordagem que garante experiência contínua ao cliente em canais físicos, online e delivery, ganha reforço com a inteligência artificial. Ferramentas de IA analisam dados de comportamento do consumidor para sincronizar estoques, recomendar produtos e gerenciar logística. Exemplos incluem chatbots para atendimento, algoritmos de recomendação semelhantes aos usados por grandes players globais e sistemas preditivos que reduzem rupturas de estoque em até 50%, conforme estudos do setor.
O contexto histórico mostra que o varejo brasileiro passou por transformações aceleradas pela pandemia de covid-19, com o e-commerce saltando de 5% para 12% das vendas totais em poucos anos. Agora, em 2026, a convergência de reformas regulatórias e avanços tecnológicos força uma profissionalização ainda maior. Empresas pequenas e médias, que representam 99% dos varejistas no Brasil segundo o Sebrae, enfrentam desafios para investir em tecnologia, mas eventos como a AUTOCOM oferecem soluções acessíveis e demonstrações práticas.
Especialistas destacam que a inteligência artificial não é mais opcional. No Summit, debates explorarão como a IA melhora a qualidade das decisões gerenciais, desde precificação dinâmica até detecção de fraudes. Para o varejo físico, integrado ao digital, soluções de automação comercial como terminais de ponto de venda (PDV) inteligentes processarão transações complexas sob as novas regras tributárias enquanto coletam dados para análises preditivas.
Comparado a outros mercados, o Brasil se destaca pela velocidade de adoção de tecnologias financeiras como Pix, superando muitos países emergentes. No entanto, a complexidade tributária herdada sempre foi um entrave, e a reforma visa simplificar isso. A AUTOCOM 2026 posiciona-se como plataforma para que fornecedores apresentem softwares já compatíveis com CBS e IBS, reduzindo o tempo de adaptação das empresas.
Impactos práticos para profissionais incluem a necessidade de upskilling em ferramentas de IA e fiscal. Gestores de TI no varejo devem priorizar integrações API para sistemas ERP com módulos de IA. Para usuários finais, clientes do varejo, significará preços mais competitivos devido a eficiências operacionais e experiências de compra mais fluidas.
No mercado atual, investimentos em tecnologia no backoffice ainda são baixos em muitas PMEs, mas a pressão regulatória acelera mudanças. A feira reunirá expositores com soluções prontas, desde impressoras fiscais atualizadas até plataformas de IA para análise de dados.
Edgard de Castro, referência no setor, enfatiza que a AUTOCOM demonstra soluções práticas que já atendem às demandas da reforma tributária e da evolução dos pagamentos. Essa abordagem pragmática é crucial para o varejo navegar pelas mudanças.
Em síntese, a AUTOCOM 2026 sintetiza os desafios e oportunidades do varejo brasileiro em 2026. A Reforma Tributária impõe adaptações urgentes nos sistemas fiscais, enquanto a inteligência artificial oferece alavancagem para eficiência e inovação.
Possíveis desdobramentos incluem maior adoção de tecnologias nacionais, fortalecendo a cadeia de suprimentos local. Com a entrada em vigor em 2027, empresas ágeis sairão na frente, consolidando omnicanalidade e pagamentos digitais.
A relevância para o cenário tecnológico brasileiro reside na interseção de regulação e inovação. Eventos como esse impulsionam a maturidade digital do varejo, preparando o setor para uma economia mais integrada e eficiente.