A pesquisadora brasileira Bianca Gama Pena, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), participou do evento Olympic Values & Artificial Intelligence, realizado em Milão, Itália, como parte das preparações para os Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026. No painel 'Ethical & Responsible AI', ela discutiu o uso ético e responsável da inteligência artificial no esporte, destacando impactos em áreas como treinamento, arbitragem e inclusão de atletas. Essa presença de uma especialista brasileira em um fórum global reforça a relevância do Brasil no debate internacional sobre tecnologia aplicada ao esporte de alto rendimento.

O evento ocorreu em um momento em que a IA ganha cada vez mais espaço nos Jogos Olímpicos. Sistemas de análise de vídeo assistidos por IA já são usados em diversas modalidades para melhorar a precisão da arbitragem, enquanto ferramentas de dados preditivos auxiliam na detecção de talentos e na otimização de treinamentos. A participação de Pena traz uma perspectiva latino-americana para discussões dominadas por nações europeias e norte-americanas, enfatizando questões como a democratização do acesso à tecnologia esportiva.

Bianca Gama Pena enfatizou como a IA pode promover maior igualdade no esporte, particularmente para atletas mulheres e na representação feminina em posições de liderança. Aplicativos móveis baseados em IA oferecem correções de movimento e orientações técnicas acessíveis via smartphone, permitindo que jovens atletas de regiões menos favorecidas pratiquem com qualidade similar ao esporte profissional.

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No desenvolvimento do painel, a pesquisadora destacou o avanço da arbitragem assistida por IA. Sistemas automatizados analisam desempenhos em tempo real, apoiando decisões imparciais em competições. Exemplos incluem o uso de algoritmos para revisar jogadas controversas em esportes coletivos, similar ao Video Assistant Referee (VAR) no futebol, que incorpora elementos de visão computacional.

A visão computacional, uma subárea da IA que permite às máquinas interpretar imagens e vídeos como humanos, é central nessas aplicações. Nos Jogos Olímpicos, tecnologias como o Hawk-Eye, originalmente para tênis, evoluíram para múltiplas modalidades, integrando aprendizado de máquina para maior acurácia. Pena argumentou que, apesar dos benefícios, é essencial regular o uso para evitar vieses algorítmicos que possam discriminar atletas de minorias.

O contexto histórico da IA no esporte remonta aos anos 1990, com análises estatísticas básicas evoluindo para modelos preditivos sofisticados. Na NBA, por exemplo, equipes usam IA para rastrear movimentos de jogadores e prever lesões. No Brasil, iniciativas como o uso de wearables em treinamentos da seleção de futebol demonstram adoção crescente, mas ainda aquém do padrão olímpico.

Para profissionais brasileiros de tecnologia e esporte, a presença de Pena sinaliza oportunidades. Empresas de software podem desenvolver soluções locais adaptadas à realidade nacional, como apps para favelas ou regiões remotas, promovendo inclusão social via esporte. Universidades como a UERJ posicionam-se como hubs de pesquisa em IA aplicada.

Questões éticas dominaram as discussões. A privacidade de dados de atletas é um risco, com bancos de dados biométricos suscetíveis a vazamentos. Além disso, a dependência excessiva de IA pode desumanizar o esporte, reduzindo o papel da intuição humana na arbitragem. Pena defendeu frameworks regulatórios internacionais, inspirados em diretrizes da União Europeia para IA de alto risco.

No Brasil, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) explora tecnologias semelhantes para Paris 2024, onde IA auxiliou na análise de performances. Para Milão 2026, espera-se integração mais profunda, com foco em sustentabilidade e inclusão, temas caros à pesquisadora carioca.

A democratização via apps móveis é particularmente impactante. Ferramentas de IA processam vídeos gravados por usuários, fornecendo feedback instantâneo sobre postura e técnica. Isso reduz barreiras econômicas, permitindo que atletas de baixa renda acessem coaching virtual, um avanço que Pena vê como transformador para o esporte base no Brasil.

Comparado a concorrentes, o Brasil avança devagar. Países como China e EUA lideram com investimentos bilionários em IA esportiva. No entanto, colaborações acadêmicas, como a de Pena, podem acelerar transferências tecnológicas, beneficiando confederações esportivas nacionais.

Impactos práticos incluem otimização de recursos. Clubes e federações podem usar IA para alocar treinadores e equipamentos de forma eficiente, baseado em dados preditivos. Para o ecossistema tech brasileiro, isso abre mercados em análise de dados esportivos e desenvolvimento de APIs para wearables.

Na conclusão das discussões, ficou claro que a IA não substitui o humano, mas o potencializa. Bianca Gama Pena concluiu que o equilíbrio entre inovação e ética é chave para um esporte mais justo e acessível.

Em síntese, a participação de uma pesquisadora da UERJ em Milão marca um marco para o debate sobre IA ética no esporte olímpico. Seus insights sobre inclusão e arbitragem destacam o potencial da tecnologia para equalizar oportunidades, especialmente em contextos como o brasileiro.

A seguir, espera-se maior adoção nos Jogos de Inverno 2026, com possíveis diretrizes globais emergindo do fórum. No Brasil, profissionais de IA podem contribuir desenvolvendo soluções locais, alinhadas a políticas públicas de esporte e tecnologia.

Para leitores do ConexãoTC, esse evento reforça a interseção entre IA e esportes como campo fértil para inovação. A perspectiva brasileira ganha visibilidade global, incentivando investimentos em pesquisa e startups na área.