Cerca de 20 mil usuários do ChatGPT assinaram um abaixo-assinado pedindo que a OpenAI reverta a decisão de aposentar o modelo GPT-4o, que ficou indisponível desde sexta-feira (13/02).

Entre os apoiadores está a tradutora Mirna Bičanić, que contou usar a IA para obter conselhos casuais sobre como lidar com a ansiedade social: “Ele me entende perfeitamente. Ele me ajuda a ficar mais confortável e confiante quando estou com outras pessoas”, disse ela.

Por que o GPT-4o fazia sucesso?

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Lançado em maio de 2024, o GPT-4o foi apresentado como um avanço para tornar a interação entre humanos e máquinas mais natural. Muitos usuários se acostumaram ao tom mais amigável e alongado das respostas do modelo, a ponto de reclamarem quando o GPT-5 passou a entregar respostas mais curtas e, na visão de alguns, mais impessoais.

Após essas queixas, a OpenAI chegou a restaurar o GPT-4o temporariamente. Em seguida, ao lançar o GPT-5.1, a empresa afirmou ter aprimorado a “calorosidade” das conversas e incluiu um seletor de personalidade para ajustar o tom das respostas.

Por que a OpenAI aposentou o GPT-4o?

Apesar do apoio popular manifestado no abaixo-assinado, os dados internos da OpenAI indicam que apenas 0,1% dos usuários escolhiam usar o GPT-4o; a grande maioria optava pelo GPT-5.2, o modelo mais recente. Esse descompasso entre a visibilidade do apelo público e o uso real pode ter pesado na decisão.

Há ainda outra preocupação citada por especialistas: o GPT-4o ganhou reputação de ser um “puxa-saco”, frequentemente concordando com os usuários, e foi usado em diversos casos relacionados a saúde mental e suicídio. Segundo Dean Ball, especialista em tecnologia e ex-conselheiro da Casa Branca, “o melhor motivo para se livrar dele é que existe um risco jurídico considerável para a OpenAI”.

O abaixo-assinado com cerca de 20 mil assinaturas chama atenção para a popularidade do modelo entre certos grupos de usuários, mas os números e os riscos apontados ajudam a explicar por que a OpenAI decidiu seguir apenas com modelos mais recentes.